Sonata a beira-mar by Tetis Akane Fuu
Capítulo 02- O flautista misterioso

Duas semanas se passaram até que Julian pudesse retomar sua vida normal. Era o primeiro final de semana em que estava em sua casa, e foi nesta ocasião que ele tomou uma decisão muito importante. Largou os jornais que acabara de ler ao lado da poltrona do seu quarto e chamou seu secretário. Solicitou uma reunião com o advogado e com o contador, o que consumiu toda tarde do sábado seguinte, e eles não saíram do escritório do milionário com expressões muito felizes. Pareciam viver um misto de confusão e incredulidade. Julian, ao contrário, tinha um sorriso radiante.
 
 _ Sr. Solo, tem mesmo certeza de que é isto o que deseja fazer? Existem outras maneiras, e... – tentou argumentar o advogado.
 
 _Absoluta, Sr. Ileia! – cortou imediatamente Julian, mas sem perder o bom humor.

 _ Por favor, Sr. Solo, tente entender que só queremos zelar pelo seu bem. Mesmo sendo um milionário, é uma quantia de dinheiro muito grande!

 _ Sei perfeitamente disso, Sr. Dellas. Assim como sei que, se eu quisesse aplicar todo esse dinheiro em algum empreendimento financeiro, vocês com certeza não estariam tão relutantes em fazer o que mandei. Além do mais, não é nada que eu não possa recuperar com os lucros dos negócios dentro de um prazo de três ou quatro anos. – respondeu o rapaz em tom muito sério, dando o assunto por encerrado.

 _ Faremos o que nos pediu, Sr. Solo. – respondeu o contador, a contragosto, deixando o local junto com o advogado.

 Depois daquele dia, o motivo que gerou a conversa se espalhou rapidamente. A notícia de que Julian Solo decidira partir em uma viagem pelo mundo, usando parte de sua fortuna para ajudar as vítimas do Segundo Dilúvio, foi estampada nas manchetes dos principais jornais do planeta. 

Independente disso, porém, o jovem milionário teve muito trabalho nos dias seguintes, reorganizando os negócios da família Solo e começando a planejar seu extenso roteiro de viagem. Uma semana depois que sua decisão se tornou pública no mundo todo, Julian, cansado, deixou o escritório da mansão e desceu até a praia para fazer uma caminhada. Era começo de verão na Grécia. O sol ainda brilhava naquele fim de tarde, e o mar estava calmo. O mercador parou para ver o vai-e-vem das ondas e notou que havia um som diferente naquele lugar. Voltou-se então na direção de uma pessoa que vinha caminhando lentamente pela areia. Era um rapaz vestido de maneira formal, assim como Julian, e que devia ter mais ou menos a idade dele. Tinha um rosto angelical e seus cabelos, compridos o suficiente apenas para cobrir-lhe a nuca, eram de um belo tom de lilás.

_ É um som de flauta muito bonito. – falou Julian para o estranho - Quem é você?

_ Eu me chamo Sorento, e sou estudante de música. – respondeu o rapaz – E o senhor é Julian Solo, não é? 

_ Isso mesmo.

_ Soube que vai viajar pelo mundo ajudando as vítimas da catástrofe. Se não for muita pretensão da minha parte, gostaria de acompanhá-lo. Sei que posso ser útil...

O jovem milionário sorriu diante da oferta. Em outra ocasião, ficaria desconfiado de tamanha boa vontade vinda de um completo desconhecido, mas Sorento lhe inspirava uma estranha sensação de segurança. Por algum motivo misterioso, sabia que podia confiar nele.

_ Eu agradeço. Penso que muitas pessoas vão adorar o som de sua flauta. Por isso sou eu que devo perguntar se você quer me acompanhar.

_ Sim, com todo o prazer... 

Os dois rapazes apertaram-se as mãos, e Julian levou Sorento consigo até a mansão, onde combinaram previamente algumas coisas sobre a futura viagem. O flautista aproveitou a ocasião para satisfazer sua curiosidade.

_ Sr. Julian, por que deseja fazer essa viagem, renunciando para isso uma boa parte de sua herança?

_ Eu não sei... – murmurou ele, olhando tristemente para o mar através do terraço onde estavam – Tenho a impressão de que devo fazer isso, mas não sei por que...

Sorento sentiu-se mal com estas palavras. Imaginava o que movia Julian, mesmo que o próprio milionário não soubesse, e agora tinha certeza disso. Apesar de não se lembrar de absolutamente nada do que viveu enquanto Poseidon, ainda assim um sentimento de culpa corroia por dentro o milionário grego. 

O flautista, inicialmente, tinha apenas a intenção de zelar por seu antigo senhor à distância.  Era sua maneira de compensar o fato de não ter percebido antes os planos de Kannon, e desse modo não só ter ajudado a combater Athena e a humanidade injustamente, como também não ter sido capaz de ajudar Julian a perceber o erro, uma vez que ele nada mais foi do que uma vítima também. Mas ao saber da viagem, Sorento teve que mudar um pouco sua estratégia. Não só cuidaria de Julian como faria o possível para ajudá-lo nesta jornada. Felizmente, conseguiu autorização para acompanhá-lo mais fácil do que imaginava. 

_ Agora depende só dela! – murmurou o ex-General Marina – Dependemos disso para cumprir nossa promessa!

E foi pensando assim que Sorento voltou para seu pequeno apartamento no centro de Atenas.

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Notas da autora:

1- Só relembrando: como tomei o fim da publicação do mangá no Japão como base para a linha de tempo da minha história, esse capítulo se passa quase todo no decorrer do mês de junho que, no Hemisfério Norte, é quando começa o verão.

2- Aqui neste capítulo eu misturei um pouco a história do anime com a do mangá. O encontro de Julian com Sorento na praia foi copiado diretamente do meu mangá em português, com o mínimo de alterações possíveis. Acho bonito o final da fase de Poseidon no mangá, e por isso usei essa passagem aqui. Para mim, era a melhor maneira de contar como isso aconteceu dentro da minha fic também.

3- Mais uma mistura do anime com o mangá: a aparência do Sorento! No mangá eu o acho muito fofo, parece um anjinho! Mas quando vi o Sorento no anime, confesso que fiquei decepcionada. Não gostei da combinação de cores do cabelo e dos olhos. Não gostei da voz forte. Acabaram com a carinha de anjo dele! Por isso, estou tentando visualizá-lo aqui um pouco como ele é no mangá