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| Escuridão. Uma vaga sensação
de afogamento, e depois apenas o silêncio e a escuridão...
Era manhã na Grécia. Uma bela manhã de sol. Em uma praia deserta do Mar Egeu, um homem encontrava-se deitado à beira-mar. Tinha os longos cabelos azuis mesclados de areia e sal, e o cheiro da maresia. Estava desacordado. Aos poucos, seus sentidos voltaram. Podia sentir o sol em seu rosto e ouvir ao longe o barulho das ondas e das gaivotas. Mas então um outro som se sobressaiu no ambiente. Era uma voz, uma linda voz de mulher. Uma mulher cantava para ele enquanto lhe acariciava os cabelos molhados. Tentou abrir os olhos, mas foi em vão. Mover as pálpebras era um esforço enorme. Viu apenas o vulto através de seus olhos semicerrados. A mulher era loira, ou seria o sol que brincava através dos cabelos dela e o ofuscava? Tentou então se levantar, mas era impossível. O corpo pesava como se ele vestisse uma armadura. Mas a tentativa fez com que a voz se calasse. A mão que corria por entre os fios embaraçados também parou. E ouviu-se em seguida o som de algo caindo na água do mar. E novamente veio o silêncio e a escuridão...
Capítulo 01- Julian Mar Egeu (maio de 1987) Sol. Depois de dias e semanas de chuvas ininterruptas, finalmente o astro-rei voltou a coroar o céu com toda a majestade digna de Apolo. Passado o trágico acidente natural chamado de “Segundo Dilúvio”, o mundo tentava se refazer do caos que se abateu sobre o planeta trazido pela força das águas. Um pequeno barco se aproximou de uma praia escondida em meio aos paredões rochosos do litoral grego. Era um barco de pescadores, e seus ocupantes pareciam muito agitados. Olhavam o mar com ansiedade, até que um deles percebeu algo estranho em terra firme. Imediatamente os demais manobraram a embarcação e aportaram nas pedras. O primeiro homem desceu às pressas e correu pela areia grossa, até se ajoelhar ao lado do que tinha visto. Era um homem, um homem muito jovem. Não deveria ter mais do que 16 ou 17 anos. Um náufrago, como tantos outros que foram encontrados nos mais diversos países e continentes depois que a chuva parou e o mar se acalmou. Mas com uma grande diferença: era um dos poucos encontrados ainda com vida! Os pescadores levaram o jovem com cuidado até o barco e partiram. Não muito longe dali, parado sobre algumas rochas batidas pelas ondas, um rapaz observava a cena. _ Bom trabalho! – exclamou ele, dirigindo-se à garota ao seu lado. _ Atrair os pescadores foi tarefa muito fácil! – respondeu a menina, parcialmente submersa na água rasa – E você, como se saiu na casa? _ Os empregados não me deram trabalho algum. Nada que uma boa música não resolvesse... – falou o rapaz, com um sorriso – Agora só nos resta esperar para agir novamente. Poucos dias depois, as trágicas manchetes que ocupavam as primeiras páginas dos jornais mais importantes do mundo deram lugar ao rosto abatido de um adolescente grego. Julian Solo, o único herdeiro da família de mercadores marítimos, uma das mais ricas e importantes de toda a Europa, fora encontrado desacordado em uma das praias da ilha de Paros. Segundo seus assessores, ele havia saído sozinho em seu iate, na manhã seguinte ao seu aniversário de 16 anos. Dias depois, o Mar Mediterrâneo foi atingido pela tormenta que marcou o início ao Segundo Dilúvio, e Julian foi dado como oficialmente desaparecido desde então. Alguns dos destroços da embarcação foram encontrados ainda no decorrer das primeiras tempestades, mas semanas se passaram sem sinal do corpo do jovem milionário. Assim que a chuva parou e o nível do mar voltou ao normal, as buscas recomeçaram por mais alguns dias, em vão. Quando não havia mais esperanças, pescadores o avistaram. Julian não tinha lembranças do ocorrido. Seu último fragmento de memória dizia respeito a sua festa de aniversário, na noite que antecedeu o seu desaparecimento. Ele lembrava de ter visto uma luz brilhando no Cabo Sunion, de ser levado por sua curiosidade até o local, mas depois disso tudo era nebuloso em sua mente, até o momento em que retomou a consciência no hospital, onde permaneceu internado em observação, recuperando suas forças. Apesar disso, suas noites não eram tranqüilas. Acordava constantemente depois de sonhar que estava se afogando, e só conseguia dormir de novo quando uma suave canção surgia de algum lugar no fundo de sua mente. |
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| Notas da autora:
1- Sou freqüentadora do site “Os Cavaleiros do Zodíaco”, e com base na cronologia de Saint Seiya que tem lá, escolhi a data mencionada no começo desde capítulo por ser o fim da publicação do manga lá no Japão. Achei a mais apropriada para dar início a minha história! 2- Quanto ao misterioso casal que observa Julian ser resgatado, acho que não preciso dizer quem é, né? Por isso não me preocupei em descrevê-los, para não ficar muito na cara. Só digo uma coisa: será que os pescadores que encontraram Julian viram uma sereia? |