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| Cap. 06 – Domingo
Shaoran estava cansado quando chegou em sua casa, mas não por causa do treinamento de Sakura. Nos primeiros dias de treino a diferença entre eles era tão grande que o jovem chinês subjugava a japonesa em questão de segundos. Agora já era um pouco diferente, mas ainda assim não servia para cansá-lo. O problema maior era a escola. Sábado era dia normal de aula, e por causa das provas do 1º trimestre o dia foi cansativo por si só. Para piorar, ele havia machucado a garota de quem gostava. Mesmo sabendo que a culpa não era exatamente sua, isso não o impediu de sentir um peso ainda maior sobre suas costas junto com o cansaço. O descendente de Clow abriu a porta do seu apartamento e logo ouviu os sons que vinham da sala. Bastaram alguns passos para chegar ao cômodo e os dois seres presentes ficaram visíveis. O maior estava junto à janela da sacada, observando a lua cheia contra o céu escuro que aos poucos ia se enchendo de nuvens. Sua roupa clara e suas grandes asas pareciam refletir o luar que passava pelo vidro. O menor estava comendo sozinho uma bandeja de pão doce enquanto assistia mais uma vez um vídeo onde era possível ver o dono da casa combatendo sem a menor dificuldade uma bela adolescente de olhos verdes. Sempre que Tomoyo podia acompanhar os dois, ela grava os treinos e Shaoran trazia as fitas para Kero e Yue observarem o progresso gradual de sua mestra. _ Tadaima... – falou um desanimado Shaoran. _ Ora, moleque, enfim você chegou! Já estava começando a ficar preocupado. Não está judiando da Sakura, está? O rapaz amarrou a cara para o guardião e não respondeu. Nisso Yue voou até eles. _ O que aconteceu? – perguntou o juiz – Você parece infeliz, descendente de Clow... _ Machuquei a Sakura durante o treino desta noite... – respondeu tristemente o jovem, enquanto se jogava no sofá. _ Ora, eu sabia! – exaltou-se Kero, voando até ficar cara a cara com o chinês – Eu sabia que isso não daria certo! Deixar a Sakura aos cuidados de um moleque inconseqüente como você... _ Quem é inconseqüente aqui além de você, bicho de pelúcia? – respondeu rispidamente Shaoran, se levantando e encarando bravo o pequeno animal. Kero imediatamente assumiu sua forma original. _ Por que não discutimos isso melhor agora, moleque? – rosnou ele, furioso. _ Não sou mais criança, Kerberos! – disse o rapaz, já pronto para a briga – Não tenho medo de você, mesmo em sua verdadeira forma! Agora posso derrotá-lo facilmente, e isso em parte porque VOCÊ não soube cuidar da sua mestra! Antes que os dois começassem a brigar de fato, uma grande asa branca se colocou entre eles. _ Pare com isso, Kerberos! – disse Yue calmamente, mas sua voz e seu olhar de censura eram frios, mostrando que o guardião estava tão bravo quanto os outros dois – Tudo o que o jovem Li diz é verdade, inclusive sobre derrotá-lo. Portanto, guarde o seu orgulho e não torne as coisas piores. Por não haver mais perigo e por Sakura ser ainda uma criança, fomos muito negligentes com ela. O que o descendente de Clow está fazendo agora era NOSSA responsabilidade, e você sabe muito bem disso. Kero, contrariado, voltou para sua forma falsa, pegou o último pão doce da bandeja e voou para o outro lado da sala. _ É bom que faça um bom trabalho com a Sakura, moleque. E tome mais cuidado com ela da próxima vez... – disse ele com voz rancorosa, antes de comer o pão e se enrolar para dormir em uma macia poltrona. Shaoran ainda o olhou com uma expressão mal-humorada e depois se virou para Yue. _ Obrigado por me defender... _ Não o defendi, descendente de Clow. Apenas falei a verdade. – respondeu o juiz. _ Mas a verdade é que vocês pensaram no bem da Sakura, de certa forma. – Shaoran disse baixinho, para que Kero não ouvisse – No fundo, não posso brigar com o Kerberos. Talvez eu esteja errado ao ser exigente com ela. Que direito tenho de fazer isso? – questionou ele, desanimado. Antes de responder, as grandes asas de Yue o envolveram e em seu lugar apareceu a face sorridente de Yukito. _ Segundo suas próprias palavras, Shaoran, você tem o mesmo direito de errar que Kero e eu temos, se o que faz é pensando no bem da Sakura. E neste caso, lhe garanto que não é você quem está errado. Shaoran sentiu sua consciência um pouco mais leve e sorriu em agradecimento. _ Bom... Agora que os ânimos se acalmaram, acho melhor eu ir para casa e deixá-lo descansar. Seu anfitrião olhou preocupado para o relógio sobre a estante da sala. Marcava mais de meia-noite e da janela podia-se ver que uma chuva forte estava se aproximando. _ Já está tarde, porque não dorme aqui esta noite? Posso preparar o quarto de hóspedes. _ Não quero incomodar! – Yukito respondeu, com seu sorriso cativante de sempre. _ Não será incômodo nenhum! – disse Shaoran prontamente. O jovem chinês conduziu seu hóspede pelo apartamento. Apesar de não ter sido usado ainda, o quarto vago estava bem organizado e parecia bastante confortável. _ A Sakura me contou que você também vai visitá-la hoje, não é? – perguntou o rapaz mais novo, enquanto preparava o cômodo para seu visitante. _ É verdade. Sakura me convidou para almoçar porque vou passar a tarde estudando com o irmão dela. Apesar dos nossos cursos na universidade serem diferentes, temos uma disciplina em comum, na qual o Touya não costuma ir muito bem. E como sempre fui melhor em Matemática do que ele... _ Será que isso é mal de irmãos? – Shaoran questionou, bastante curioso – Também vou estudar Matemática com a Sakura. Ela ainda sofre bastante com a matéria, exatamente o oposto de mim. _ Então diga a ela que tem mais sorte do que o Touya. – riu Yukito – O que vocês aprendem no ginásio é bem mais fácil do que as nossas aulas de Cálculo III da faculdade! O descendente de Clow assentiu e fez menção de se retirar. _ Por favor, fique a vontade. Se o bicho de pelúcia não acabou com tudo, deve ainda ter alguns pães que eu fiz sobre a mesa da cozinha. _ Obrigado, Shaoran. Você é mesmo um rapaz muito bom e prendado. _ Sakura me disse a mesma coisa quando a deixei em casa essa noite... – respondeu ele, um pouco encabulado. _ Se ela disse é porque realmente é verdade. Por isso fico tranqüilo em saber que a verdadeira pessoa especial da Sakura é você. O coração dela escolheu muito bem! _ Acho que foi o meu que realmente escolheu bem... – murmurou o rapaz enquanto deixava o quarto, levemente corado. Queria agora tomar um bom banho e aproveitar algumas horas merecidas de sono. E, quem sabe, sonhar com Sakura? -o- A chuva daquela noite não demorou a cair e o domingo amanheceu frio e cinzento, bem atípico para um final de primavera. Sakura acordou tarde e só não ficou desanimada quando viu o tempo lá fora porque iria rever naquele dia três das pessoas que mais amava. Seu pai chegaria de viagem a noite, e Yukito e Shaoran viriam passar a tarde com ela e Touya. Sentada na cama, a menina olhou para o tornozelo machucado e pensou no amigo chinês com carinho. O inchaço tinha diminuído bastante e ela quase não sentia mais dor quando andava. Pensando ainda nesse assunto, seu rosto ficou com uma expressão preocupada. Quantas vezes Sahoran deve ter se machucado enquanto treinava magia, espada e artes marciais? Quantas vezes ele mesmo teve que cuidar das próprias feridas? _ SAKURA!!! Se não levantar logo, vou tirar a mesa do café!!! – gritou o irmão da cozinha, trazendo bruscamente a Card Captor de volta de seus pensamentos. Sakura desceu, fazendo um grande esforço para andar sem parecer que tinha se machucado. Até ali, estava se saindo muito bem! _ Achei que você não acordaria mais hoje, monstrenga. Cansei de te esperar! – exclamou ele, já levando para a cozinha o próprio prato vazio. _ Touya! Quantas vezes terei que dizer que não sou monst... AI! O rapaz olhou para ela, preocupado. Na agitação de revidar a ofensa do irmão, a garota virou-se rapidamente na direção de Touya e deu um passo com força, usando justamente o pé machucado. _ O que aconteceu com você? – ele perguntou, a olhando de maneira muito séria. _ Não é nada! – Sakura apressou-se em dizer, visivelmente nervosa – Eu... Eu apenas tropecei no tapete do meu quarto quando levantei. Está doendo um pouquinho, mas já cuidei disso. A expressão de Touya ficou ainda mais pesada. _ Sente-se e me deixe ver isso. _ Não, Touya, eu... Mas o olhar dele foi o suficiente para intimidá-la e fazer obedecer. Assim sendo, Sakura sentou-se em uma das cadeiras e desceu a meia, revelando o tornozelo ferido que o irmão olhou com um misto de interesse e mau humor. _ Esse curativo aqui está bom demais para ser obra sua... _ Touya! – exclamou a menina zangada, mas o irmão já estava voltando para a cozinha. _ Tudo bem, Sakura. Monstrengas são desastradas por natureza. Nem mesmo o moleque poderia fazer milagres... – murmurou o irmão. _ Hoe? – Sakura olhou para rapaz com a curiosidade de quem não entendeu o que foi dito. _ Tome logo o seu café. – Touya desconversou – E não se esqueça que hoje é você quem vai fazer o almoço. Se fosse apenas o Yuki, tudo bem, mas eu me recuso a cozinhar para aquele moleque! Sakura sorriu, sem-graça. Será que seu irmão e Shaoran nunca iriam se dar bem? _ Vou para o meu quarto estudar mais um pouco para a prova de amanhã. Depois desço para cuidar da louça. A menina acenou afirmativamente enquanto comia e o restante da manhã foi tranqüilo. Quando Sakura já estava com o almoço praticamente pronto, a campainha tocou. Ela secou as mãos no avental, desligou o fogo e foi atender. _ Shaoran-kun! Yukito-san! – exclamou surpresa. Não esperava que os dois chegassem juntos. _ Bom dia, Sakura! – cumprimentou Shaoran. _ Bom dia, Sakura-chan! Espero não ter chegado muito cedo. _ Não, vocês chegaram bem na hora! Entrem, por favor. Os rapazes entraram e Sakura foi preparar a mesa do almoço, mas logo Shaoran foi atrás dela. _ Como você está? – perguntou preocupado o chinês, em voz baixa. _ Estou bem, graças a você! – ela sorriu – Mas Touya está desconfiado... _ Imagino! – respondeu Shaoran, olhando de relance para trás. Tinha escutado um barulho no andar de cima, sinal que o irmão de sua amiga iria descer as escadas. Mudou de assunto, elevando o tom de voz para não gerar desconfianças – Trouxe seu dicionário de japonês. Obrigado, me ajudou muito nos estudos para a prova de ontem. _ De nada! Pode usar sempre que quiser. _ Trouxe outra coisa para você. – falou o descendente de Clow, dessa vez emburrado e novamente em voz baixa, enquanto abria sua mochila. Um bichinho amarelado saiu voando de dentro dela. _ Kero-chan! – disse alegremente a Card Captor. _ Sakura, você está bem? O moleque te machucou, não foi? Da próxima eu vou junto para te proteger e... Kero parou de repente e farejou o ar. O cheiro da comida foi percebido e seus olhinhos miúdos brilharam de prazer. _ Okonomiyaki!!! Você fez okonomiyaki!!! Sakura riu e logo depois todos sentaram para comer,
com Yukito conversando tranqüilamente com a menina enquanto o irmão
dela e garoto chinês trocavam seus habituais olhares mal-humorados.
Kero subiu para jogar videogame assim que ficou satisfeito e Shaoran foi
ajudar Sakura com a louça antes de voltarem à mesa para estudarem.
Touya e Yukito já estavam lá, sobre os livros e cadernos.
Era óbvio que o jovem Kinomoto não iria deixar sua irmã
sozinha com o moleque, longe de seus olhos.
_ Touya... – Yukito murmurou o mais baixo que pôde – Se você ficar mais preocupado em ver o Shaoran ensinando a Sakura-chan do que com o que eu tento te explicar, de nada vai adiantar eu ter vindo hoje! Touya bufou, antes de desviar o olhar carrancudo do casal de adolescentes. _ Eu não sei por que esse moleque tem que vir sempre aqui! _ Pelo menos hoje ele está aqui pelo mesmo motivo que eu! – respondeu o rapaz de cabelos claros, querendo rir do ciúme do amigo. Depois de algumas horas, resolveram finalmente fazer uma pausa. Era a vez de Touya colocar um certo assunto incômodo em discussão. _ Monstrenga, vai até o seu quarto e me traz o boneco de pelúcia aqui. _ O Kero-chan? Mas para quê? _ Vamos ter uma conversa séria hoje. Nós cinco! Sakura e Shaoran ficaram apreensivos na hora. Até mesmo Yukito deixou de ostentar seu habitual sorriso. Shaoran segurou a mão de Sakura sobre a mesa e a apertou delicadamente, tentando lhe dar coragem. A menina se levantou e subiu as escadas para cumprir o que o irmão havia pedido. Touya, por sua vez, dirigiu-se a Yukito. _ Yuki, será que você poderia... O rapaz não respondeu. Apenas se levantou da mesa e no instante seguinte já era o juiz que representava a lua. Nisso Sakura desceu, com Kero voando a sua frente, e todos se reuniram na sala de visitas: o casal de Card Captors sentando lado a lado no sofá, com Kerberus voando próximo a Sakura e Yue parado ao lado de Shaoran. Touya permaneceu em pé, encarando a todos seriamente, de braços cruzados. _ Muito bem... Quero saber quem vai se o primeiro a me dizer o que esta acontecendo. O silêncio reinou na casa ao fim das palavras de Touya. Quando Sakura, tensa, fez menção de começar a falar, Shaoran rapidamente segurou sua mão com força e tomou a palavra em seu lugar, com uma expressão tão séria quanto a do irmão da menina. _ Do que exatamente você está falando? _ Dos seus passeios noturnos com minha irmã, moleque. – Touya respondeu, sem fazer o menor rodeio. O casal corou, especialmente Sakura. Depois Shaoran lançou um olhar mortal a Kero, que negou veementemente com a cabeça qualquer culpa. O jovem Kinimoto percebeu a troca de olhares entre eles. _ Não foi o boneco de pelúcia. – ele disse calmamente, antes de voltar-se para a irmã – Posso não ter mais os meus poderes, Sakura, mas ainda sei muito bem diferenciar você de seu reflexo. Não foi difícil saber o que está acontecendo, mas quero ouvir de vocês a verdade. Yue deu um passo a frente, e as atenções de todos se concentraram nele. _ A mestra está treinando magia junto com o descendente. – disse o juiz com simplicidade – Ele a está ajudando a fortalecer seus poderes. Touya sentou-se em uma poltrona, ainda de frente para os demais. Dessa vez foi Shaoran quem ele encarou. O chinês o encarou de volta, sustentando o olhar dele sem medo algum. _ É só isso mesmo? – o rapaz perguntou, num misto de frieza e raiva contida. _ Sim, é verdade. – o adolescente respondeu, sem se alterar. _ Mas até onde sei, depois que aquela tal de Hiiragizawa se foi, tudo voltou ao normal, não é mesmo? – Touya perguntou, ainda no mesmo tom. Shaoran não se intimidou _ Tem razão. Mas apesar de não ter escolhido, Sakura nasceu com dom para magia, e pessoas como ela precisam sempre praticar, especialmente sendo a sucessora de alguém tão importante como o Mago Clow. Caso Sakura não faça isso, todas as Cartas irão perder sua força com o passar dos anos. Isso se aplica aos Guardiões também, especialmente o Yue, que é mais dependente do poder de sua mestra do que o Kerberos. E se o poder da Sakura deixar de ser suficiente para manter o Yue, ele e o Tsukishiro, corre novamente o risco de desaparecer, e nem ela e nem você serão capazes de evitar isso. Não estou certo? Yue mexeu levemente as asas, parecendo desconfortável. Kero não agiu diferente. Ambos sempre tentaram poupar Sakura de preocupações e assim evitar deixá-la triste, mas algumas coisas não poderiam ser evitadas para sempre. Exatamente por isso o descendente de Clow falava tão abertamente sobre o assunto. A Card Captor, por usa vez, também se sentiu mal com toda essa conversa. Quando Shaoran lhe explicou porque não deveria nunca deixar de praticar magia, ela não tinha percebido que a possibilidade de Yue desaparecer poderia surgir novamente. Touya, por sua vez, também pareceu surpreso diante desta possibilidade, mas por dentro ele estava furioso por ver o chinês inverter o jogo. _ Se tudo isso é pelo bem da Sakura, então por que nenhum de vocês me contou nada a respeito? – questionou ele, tentando reaver o controle da situação. _ Touya, me desculpe... – murmurou a irmã. _ A culpa é toda minha. – interrompeu Shaoran – Mesmo já sabendo sobre o Mago Clow, os Guardiões e as Cartas, eu tinha certeza que você me impediria de ajudar a Sakura, e por isso pedi segredo sobre o treinamento dela. _ Com certeza eu tentaria impedir que você
tivesse mais um motivo para ficar perto da minha irmã, moleque!
– esbravejou o jovem Kinomoto, estreitando os olhos e parecendo ainda mais
bravo – Mas se é realmente pelo bem da Sakura, eu dou a minha permissão.
_ Muito obrigada, Touya! – disse a menina se levantando imediatamente para abraçar o irmão com carinho, Shaoram também se levantou e curvou-se educadamente diante de Touya. _ Obrigado por entender. _ Dessa vez passa, moleque. Mas que fique bem claro que de agora em diante eu quero saber tudo o que acontece com a minha irmã. Não aceitarei que façam mais nada pelas minhas costas, não importa se tem a ver com magia ou não. _ Não se preocupe. Não é do
feitio da família Li fazer as coisas às escondidas.
_ Prometo que vou me esforçar! – sorriu Sakura. Touya se levantou, sorrindo de volta para ela. O clima na casa já estava tão leve que ninguém notou quando Yue voltou a ser Yukito. Kero, por sua vez, já voava até a cozinha atrás de algo para comer, pois o nervosismo daquela conversa tinha lhe aberto o apetite. O irmão se Sakura olhou para os demais e retomou a palavra. _ Bem, agora que estamos todos conversados, podemos... Mas Touya parou subitamente e tanto ele quanto Sakura olharam para a porta de entrada ao mesmo tempo, enquanto Kero deixava a cozinha voando em disparada para o andar de cima. Então a maçaneta se moveu e Fujitaka Kinimoto apareceu pela porta entreaberta. _ Cheguei! – sorriu o professor. _ Papai! Chegou cedo! – exclamou uma empolgada Sakura. _ Bem-vindo! – cumprimentou o filho. Fujitaka entrou na casa e Touya foi ajudá-lo com a bagagem. O Sr. Kinomoto viu os visitantes e os cumprimentou. _ Boa noite, Yukito! Boa noite, Shaoran! Tinha certeza que os encontraria aqui quando chegasse. Os dois apenas sorriram com o comentário. Mesmo sem despertar o poder mágico que Eriol havia lhe dado anos antes, o simples fato de possuir metade da força do mago Clow fez com que a percepção do Sr. Kinomoto ficasse mais aguçada. Agora ele conseguia perceber, a certa distância, a presença de pessoas com poderes mágicos como Sakura, Shaoran e Yukito, mesmo sem entender o motivo. Para ele, era como se fosse um tipo de intuição. Por isso mesmo Kerberos subiu as escadas velozmente, pois ficar perto demais do pai de sua mestra tinha se tornado arriscado para o pequeno guardião. _ Como foi a viagem, Sr. Kinomoto? – perguntou Yukito. Fujitaka tirou o casaco e se sentou no sofá, com a filha sorridente do lado. _ Correu tudo bem, obrigado. Os alunos gostaram e conseguimos encontrar alguns fragmentos interessantes no local que visitamos. Eu os trouxe para casa para terminar de fazer os desenhos. Dizendo isso, o arqueólogo tirou com cuidado um embrulho de dentro de sua bolsa e o colocou sobre a mesa de centro. Depois de aberto, todos puderam ver pequenos pedaços de cerâmica um pouco sujos de terra e parecendo muito antigos. Shaoran olhou aquilo com enorme interesse, o que não passou despercebido pelo professor. _ Ah! Agora eu me recordo! Você e a Sakura tiveram uma aula especial no primário, onde os pais dos alunos falavam sobre o que fazem, não foi? Eu falei sobre relíquias históricas e sobre as pirâmides do Egito, e você se mostrou bastante interessando na época, Shaoran. Por acaso gosta de Arqueologia? _ Sim. – respondeu o rapaz, um pouco encabulado com o fato do professor ainda se lembrar daquela ocasião – Desde aquele dia o assunto me pareceu muito interessante. Fujitaka sorriu e começou a conversar com ele sobre seu trabalho, em meio a alguns comentários entusiasmados de Sakura. Touya gostava de ouvir o pai falar de suas descobertas, mas achou melhor ir fazer o jantar, só que não tardou muito e ele já olhava carrancudo para a irmã, que por sua vez observava feliz o pai e Shaoran conversando animadamente sobre arqueologia. _ Sinceramente, eu não sei o que é pior! – esbravejou ele – Ter que aturar esse moleque rodeando a minha irmã o tempo todo ou os olhares de boba apaixonada que ela deixa escapar quando esse chinês não está olhando? A resposta de Yukito, que tinha ido ajudá-lo na cozinha, foi imediata. Ele se apoio no ombro do amigo e riu com vontade. Se o assunto era a Sakura, talvez Touya não mudasse nunca! |
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