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| Cap. 04 – Nova rotina
Quase duas semanas se passaram desde o retorno de Shaoran ao Japão. As aulas daquele dia já haviam acabado há um bom tempo, mas ele continuava no colégio, sentado no chão e olhando pensativo para os meninos que jogavam futebol a certa distância. _ Por que não joga com eles? – perguntou uma suave voz feminina. _ Sakura!? – exclamou Shaoran, muito surpreso. – O que faz ainda aqui? Pensei que já tinha ido embora com a Tomoyo! Sakura
riu.
_ Ah, é mesmo... Me desculpe, ainda não me acostumei com os seus novos horários! _ Tudo bem, mas isso não é motivo para não responder a minha pergunta... – rebateu a menina, sorridente. Shaoran olhou novamente para o campo de futebol com a mesma expressão pensativa de antes. _ Acho que vou aceitar o convite deles... _ Sério??? Que legal!!! Então vamos poder voltar juntos todos os dias! – falou Sakura, toda empolgada. – Os meus dias de treino são os mesmos do clube de futebol! Shaoran ficou feliz com a notícia e sorriu discretamente. _ E quando você vai falar com o capitão Hideki? _ Bem, se você diz que os dias do clube de futebol são os mesmos do clube de ginástica, isso significa que... _ ... que eles se reúnem todas as terças, quintas e sextas-feiras – completou Sakura prontamente. _ Então vou dar minha resposta amanhã. Assim já começo a jogar na semana que vem. O menino chinês então se levantou, pegou sua pasta e olhou para a garota ao seu lado. _ Vamos para casa? Eu te acompanho. Sakura concordou e os dois deixaram o colégio. No caminho de volta, a Card Captor falava com empolgação sobre o fato de Shaoran aceitar fazer parte do clube de futebol. Quem sabe ele não viria a fazer parte da equipe oficial da escola também? Os dois caminhavam sem pressa naquele fim de tarde, e tudo parecia tranqüilo até chegarem ao Parque Pingüim. Foi então que a menina sentiu um vento forte e repentino soprar. Imediatamente se virou na direção do amigo. _ Que vento estranho! Você não acha, Shaoran-kun? O jovem chinês se encontrava alguns passos atrás da menina, olhando-a com certa preocupação. _ Você não percebeu nada, não é mesmo, Sakura? _ Não percebi o quê? Shaoran mostrou-lhe então um de seus amuletos mágicos de papel e fez aparecer um minúsculo redemoinho sobre ele. A Card Captor por fim entendeu. _ Foi você quem fez isso? Por quê? – ela perguntou, confusa. O descendente de Clow confirmou com a cabeça e se aproximou dela. _ Sakura, eu nunca lhe perguntei isso nas nossas cartas ou nos telefonemas porque achei que seria totalmente desnecessário. Mas, agora que voltei, confesso que estou preocupado. Você não treinou magia desde que nos separamos, não é verdade? A garota não conseguiu conter sua surpresa diante daquela pergunta, e ficou sem-graça quando pensou na resposta. _ Bem... Uma vez que todas as Cartas Clow foram transformadas em Cartas Sakura e os acontecimentos estranhos não ocorrem mais em Tomoeda, eu pensei que não seria mais necessário... Shaoran balançou a cabeça, em sinal de desaprovação. _ Nunca deve pensar assim, Sakura! – exclamou ele, muito sério e um tanto bravo. – Você é a sucessora do grande Mago Clow, e de certo modo descendente dele também. É a nova dona das cartas, e isso implica em uma grande responsabilidade! Magia não é algo que se faz uma vez na vida. Deve-se sempre estar aperfeiçoando seus poderes! A menina olhou para o rapaz chinês visivelmente chocada pela bronca, e só então Shaoran se deu conta que estava sendo um pouco duro demais com ela. _ Desculpe! Não foi minha intenção repreender você – disse o menino, colocando carinhosamente uma das mãos sobre o ombro de Sakura. – Estou apenas preocupado. O Mago Clow, por causa de seus imensos poderes, às vezes atraía inimigos. Por isso, como a atual dona das antigas Cartas Clow, pode ser que um dia surja alguém mal-intencionado, e se isso acontecer você precisa estar forte o suficiente para se cuidar e se defender. _ Acha que alguém pode querer roubar as cartas de mim, Shaoran-kun? – perguntou a Card Captor, assustada. _ Para se sincero, é difícil dizer, mas infelizmente o mundo não é feito só de pessoas bondosas como você, Sakura. Por isso mesmo é melhor estar sempre preparada. _ Mas quando transformei todas as cartas em Cartas Sakura, Eriol disse que meu poder havia superado o do Mago Clow... Como então posso ficar mais forte? – questionou Sakura, um tanto confusa. _ Eu me lembro bem das palavras do Hiragisawa naquele dia. No entanto, uma coisa que você precisa entender, Sakura, é que quando se trata de magia, superar o poder de um mago não significa necessariamente que você é mais poderoso do que ele. Muitas vezes significa apenas que você consegue fazer algumas coisas que outro mago não consegue. É difícil explicar isso porque magia é algo muito relativo. As pessoas possuem tipos de magia diferentes, que se desenvolvem de maneiras diferentes, especialmente porque a mente e o coração influenciam bastante. A menina pareceu mais confusa ainda do que antes, e Shaoran rapidamente tentou resumir o assunto. _ Lembra-se de outra coisa que o Hiragisawa falou naquela ocasião? Que as Cartas Clow poderiam continuar a serem usadas por mais algum tempo, porque o Mago Clow havia deixado parte de seu poder nelas, mas se elas não fossem mudadas, com o seu novo báculo da estrela, o poder se esgotaria e elas virariam cartas comuns? _ Sim, eu me lembro. _ Se você simplesmente parar de usar magia, isso também pode acontecer. Por isso, o mais importante agora é saber que quanto mais forte você for, mais fortes serão as cartas e os guardiões também. Fico surpreso por Kerberos não ter lhe dito nada a respeito. Yue com certeza sabe disso também, mas ele certamente não quis preocupá-la com o assunto, do mesmo modo que tentou fazer quando o Tsukishiro quase desapareceu. Mas aquele bicho de pelúcia preguiçoso tem mais liberdade para conversar com você. Tinha obrigação de te contar algo tão básico e cuidar para que você praticasse sua magia! Sakura ouvia o amigo com atenção, mas quando ele enfim se calou, ela não pode deixar de rir. _ Pelo visto você não está me levando a sério, não é, Sakura? – perguntou o rapaz, emburrado. A menina sentou-se no banco mais próximo, tentando voltar ao normal. _ Desculpe-me, Shaoran-kun! Não é isso. É que falando assim você parece o Shaoran-kun da época em que ainda disputávamos a captura das cartas. Shaoran ficou um pouco sem-graça diante do comentário. Sentou-se no banco ao lado dela e rapidamente tentou retomar o assunto. _ Então... Você realmente não praticou nada enquanto estive fora? _ Não exatamente... – murmurou a Card Captor. – Depois que transformei todas as Cartas Clow em Cartas Sakura e o Eriol foi embora, a Tomoyo-chan ficou muito chateada por não poder me filmar com as roupas que ela fazia. Então às vezes eu a deixava usar a Carta Criatividade só para inventar alguma coisa que eu pudesse enfrentar. Mas você sabe como a Tomoyo-chan é... De fato, o descendente do Mago Clow logo se pôs a imaginar flores encantadoras, lindas bonecas com laço de fita e diversos tipos de bichinhos de pelúcia ameaçando Sakura perigosamente. _ Praticando com ajuda da Tomoyo, não é para menos que eu estou bem mais forte do que você agora... – concluiu um constrangido Shaoran. _ Ah,
mas teve uma vez que eu tive bastante trabalho! – sorriu repentinamente
Sakura. – Certa noite, aqui mesmo no Parque Pingüim, a Tomoyo-chan
se empolgou e acabou criando uma espécie de Kero-chan do tamanho
de um Godzilla!
_ Bem, a primeira coisa que precisei fazer foi usar a Carta Sono, para evitar que as pessoas aqui perto vissem o Kero-chan gigante. Depois tive bastante trabalho para me aproximar dele usando a Alada, mesmo sendo um Kero-chan na forma disfarçada, e assim que consegui, usei a Carta Pequeno para deixá-lo do tamanho do Kero-chan original. Então os dois começaram a brigar entre eles e o verdadeiro Kero-chan me falou para usar a Carta Doce. _ Por que a Carta Doce??? _ Também não entendi na hora, mas usei a carta e o falso Kero-chan se transformou em um boneco de açúcar. Aí o Kero-chan assumiu sua forma verdadeira e o comeu! _ Co... Comeu? – perguntou o rapaz, incrédulo. _ Sim. Ele não gostou nada de ver o outro Kero-chan. Disse que ele era único, o mais forte, o mais bonito Kerberus que existe! – riu Sakura. Shaoran tentou imaginar toda a cena. Tentou se segurar, até que não agüentou mais e começou a rir com vontade. _ Acho que é a primeira vez que eu o vejo rindo, Shaoran-kun... – comentou a menina, com um lindo sorriso de satisfação. Shaoran parou de rir imediatamente, ao mesmo tempo em que seu rosto ficou muito vermelho. _ Minha mãe fez um comentário parecido uma vez – falou o rapaz, olhando para o chão. – Disse que eu mudei depois que vim ao Japão. Que deixei de ser tão sério... Sakura corou também, mas sem saber por quê. Depois se sobressaltou quando viu Shaoran levantar-se de repente e a olhar com cara de bravo. _ Não vamos fugir do assunto, Sakura! Precisamos pensar em um modo de você ficar mais forte! _ Como? Não acontece mais nada em Tomoeda que exija que eu use as cartas com freqüência e utilizando todo o poder que elas contêm! O mago chinês pensou por uns instantes. _ Você precisa de um mestre ou um adversário. Podemos falar com Yue, ele seria uma boa opção... _ Yue? – perguntou a Card Captor, apreensiva. Shaoran olhou para ela imediatamente e percebeu que essa não seria uma boa idéia. Yue não atacaria Sakura com todas as forças por ser sua mestra, e Sakura não o atacaria por ele ser Yue e, principalmente, Yukito. Precisava de alguém, ou alguma coisa, que forçasse a menina a trabalhar com afinco e determinação, como Eriol fez até que ela transformasse todas as Cartas Clow em Cartas Sakura. Só assim o poder mágico dela voltaria a crescer e Sakura conseguiria desenvolver melhor o dom que tinha. Foi então que uma estranha idéia lhe passou pela cabeça. O descendente de Clow olhou para suas próprias mãos e cerrou os punhos com determinação. _ Como não pensei nisso antes? – ele exclamou, mais para si mesmo do que para a amiga. – Estou mais forte do que você agora, e voltei ao Japão para me aperfeiçoar. Treiná-la pode ser uma grande experiência! Os olhos verdes de Sakura abriram-se de espanto. _ Você vai me treinar? _ É claro, será bom para ambos! Só que devo avisá-la que sou rigoroso em meus treinamentos. Foi assim que fui educado até hoje. Não facilitarei as coisas para você – falou Shaoran, com o mesmo olhar sério, orgulhoso e prepotente que ele tinha quando ainda era rival da garota. De fato, já no sábado seguinte Sakura descobriu na pele como era difícil ficar sob o rígido treinamento de um membro da Família Li. E esse duro treinamento seria apenas mais uma parte de sua nova rotina. |
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