World of Darkness by Nuriko Riki Alexiel
Capítulo XV – Aparando arestas.

Chicago, Biblioteca Central.

- Vocês não demoraram. - Aioros falou enquanto fechava o livro aparentando completa despreocupação. – Imaginei que viria pessoalmente, Saga. Seja bem vindo ao meu domínio, isso se estende a você, Shaka. E... Aioria. – Sua voz falhou ao encarar o irmão mais novo, tentava agir como se nada tivesse acontecido, mas ao ver a dor estampada nos olhos de Aioria, o momento inevitável. – Me Desculpe... Meu irmão. – Aioria virou o rosto para não encará-lo estava absurdamente transtornado.

- Aioros, sabe por que estou aqui. Não quero detalhes agora, mas você será privado de sua liberdade até seu julgamento. – Falou Saga com frieza.

- Conheço bem as leis, Saga, e colaborarei para que sejam honradas.

- Sua honra é superior ao seu estigma anarquista, Aioros. – Falou Shaka em meio ao clima pesado instalado entre os quatro vampiros.

- Por que, Aioros? Por quê? – Perguntou Aioria olhando-o desesperado.

- O fiz por você, meu irmão.

- E seja lá quem tenha tentado matar minha ghoul, vou descobrir e solicitar uma punição a altura. – Interveio uma voz feminina irritada. – Irei até o fim do mundo para descobrir quem foi capaz de atentar contra meu patrimônio.

Os quatro, surpresos, se viraram para encarar a elegante figura feminina parada no umbral da porta: Verônica. Elegantemente vestindo uma calça de couro justíssima e uma blusa vermelha frente única de pura seda, devido à forte luz do ambiente usava óculos escuros, não poderia permanecer no local muito tempo, aquela luminosidade toda não tardaria a queimar sua pele amaldiçoada e branca como papel.

- Sua ghoul? – Falou Aioria, pensando não compreender exatamente o que havia ouvido. Não, aquilo não poderia ser verdade.

- Sim, Primogênito. Minha ghoul. Marin é minha e diante do Príncipe eu reclamo meu direito sobre ela.

- Pode provar que Marin lhe pertencia, Verônica? – Perguntou Saga formalmente, contudo por dentro surpreso, muito surpreso, e não diferente de encontros anteriores, louco para agarrá-la, mas obviamente como bom dissimulador que era não aparentando seus reais sentimentos.

- Marin bebe de minha vitae desde que chegou a esta cidade, por isso se tornou gerente do Porão, no entanto, imagino que ao ter sido abraçada por Aioros, os traços de minha vitae devem ter se apagado de seu sangue. Tenho apenas minha palavra para empenhar, Majestade. – Disse ela numa elegante reverência.

- Resolveremos isso em um tribunal, senhorita Verônica. – Somente em público, Verônica o tratava com tanta formalidade e dada às circunstâncias para que ela fizesse uma reverência com tanto esmero estava realmente demonstrando a ele a preocupação que nutria por sua ghoul recém transformada em Brujah.

- Creio então, Majestade, que alguma punição deve ser dada aos dois jovens Brujah e ao Malkaviano que tentaram a pouco deixar este local carregando minha ghoul, agora recém abraçada por Aioros.

- Saga, são crianças, não há necessidade de puni-los. Estão confusos. – Falou Aioros que rapidamente compreendera a situação: os jovens temiam pela vida de Marin e meteram os pés pelas mãos.

- Eu me responsabilizo pelos Brujah. – Falou Aioria, encarando Verônica com uma expressão de ódio mortal. Marin, ghoul de Verônica? Por essa ele não esperava. Certamente algum parente de Verônica lá do Sabbat fora responsável por aquele ataque a Marin que obrigara Aioros a abraçá-la. Os Lasombra eram absurdamente vingativos e era notório o envolvimento de Aioros com Verônica há séculos.

- Hyoga virá comigo. – Proclamou Shaka. – Cuidaremos de sua indisciplina.

- Faça-o, Aioria e Shaka, e não sejam gentis. Temos muitos problemas realmente sérios para nos preocuparmos com um bando de neófitos mal orientados e perdidos. – Saga falou sem nenhum tom de emoção em sua voz. – Aioros, acompanhe meus seguranças, irá aguardar seu julgamento em cativeiro. – Virando-se para Shaka. – Sei que não és garoto de recados, Shaka, mas dadas às circunstâncias, poderia coordenar junto com o Mestre das Harpias que todos tomem conhecimento do julgamento de Aioros em sete luas?

- Não tenho problemas para trabalhar junto a Mu, Saga. Atentar-me-ei aos detalhes referentes ao julgamento de Aioros, preocupe-se com nossa defesa frente ao ataque Sabbat. – Pronunciou Shaka objetivamente, no entanto, tão logo finalizou a frase, claramente se apercebeu da expressão de surpresa de Aioros e Verônica.

- Ataque... Sabbat? – Sussurrou Verônica se apoiando em uma parede.

- Quando, Saga? – Perguntou Aioros impaciente.

- Sim, estamos diante de uma ofensiva desta seita. Mas tudo está sob controle, afinal de contas essa cidade é minha e não permitirei que estes vândalos se divirtam por muito tempo no meu Domínio! – Expressou-se com convicção e segurança, mas no fundo, só queria abraçar Verônica e acalmá-la, dizer-lhe ao pé do ouvido que tudo ficaria bem. Mesmo Aioros estando sob um julgamento iminente cujo veredicto já era conhecido, era visível que também se preocupava mais com Verônica do que consigo mesmo, mais uma vez Saga sentiu-se tocado diante do inevitável destino do seu milenar rival. Sentiria falta de Aioros, sem dúvida.

- Ora, ora, ora, um ataque Sabbat e vocês não me chamam pra festa? – Uma rouca voz masculina falou enquanto fazia um cumprimento ao Príncipe e foi imitado por Shun que o seguia. Milo ignorou toda e qualquer norma de etiqueta exigida na presença do Príncipe, passando por Saga como se ele não existisse indo diretamente cumprimentar Aioria, com gestos mostrou ao Brujah que estava ali como seu amigo. Obviamente que o gesto não passou despercebido por nenhum dos presentes, no entanto Saga não estava com disposição para passar um sermão no Toreador, só conseguia pensar em como Verônica ficara abalada com a notícia do ataque.

– E olha que estou aqui só por que Shun me ligou. – Ikki encarou um por um dos presentes demorando-se um pouco mais em Shaka e para este em especial dirigindo um olhar pesado, carregado de rancor para variar.

Shaka por sua vez se concentrou em ignorar a presença de Ikki, ainda mais depois de analisar, ainda que superficialmente, sua aura e notar que ele havia se “divertido” até receber o telefonema de Shun, mesmo diante da situação, a aura do Brujah estava radiante e com sinais de que havia trocado vitae com alguém, mas... Quem? Quem em Chicago teria despertado o interesse de Ikki? Shaka sentiu-se enciumado, iria descobrir. Era diferente saber que Ikki estava sempre só, assim como ele, e agora estava acompanhado.

Os seguranças de Saga entraram e se colocaram ao lado de Aioros, um deles solicitou que os acompanhasse e Aioros dirigiu um último olhar à Verônica. Deixaram o local sob um silêncio sepulcral quebrado pela voz da Lasombra:

- Majestade, solicito que Marin seja mantida sob minha guarda até o término do julgamento de Aioros. Humildemente peço que seja considerado que pela existência de minha ghoul estou disposta a assumir com vossa senhoria uma dívida de vida. Seu sangue pode acidentalmente ter se tornado Brujah, mas em essência ela me pertencia e tencionava prepará-la para futuramente solicitar sua permissão para trazê-la para o seio de minha família. Creia-me, será educada e criada como uma verdadeira Lasombra leal a Camarilla.

- Por tua lealdade com a Camarilla, senhorita Verônica, poderá mantê-la sob sua guarda até o julgamento. Teus argumentos serão pesados e o Conselho decidirá o destino daquela que tanto considerou. Leve-a consigo.

- Um momento. Marin é agora uma Brujah e com os Brujah deve permanecer. – Falou Aioria, sem rodeios. Ikki concordou com a cabeça. Saga e Verônica olharam para os dois enquanto Shun e Shaka sentiam que o clima iria pesar. Milo, por sua vez colocou se ao lado de Aioria manifestando seu apoio.

- Seu argumento tem sentido, Primogênito Brujah. No entanto, considerando-se que a tutela de Marin é temporária e sendo anteriormente ghoul da senhorita Verônica, permanecerá com mesma até a noite do julgamento. Tudo o mais será decidido a posteriori pelo Conselho de Chicago. Tenham uma boa noite. – Saga saiu antes que perdesse a paciência. Ainda havia o resultado do resgate do irmão para se preocupar naquela noite. Tudo bem, ele não precisava se preocupar tanto, Shura estava cuidando de tudo, mas ainda assim só ficaria em paz quando reencontrasse o irmão.

- Saga não quer conversa. – Ikki falou encarando Aioria.

- Não, ao menos até o julgamento de meu irmão. Mas não estou disposto a ceder. – Encarou Verônica.

- Uma noite destas, Aioria, ainda irá me agradecer por isso. – Verônica sussurrou deixando o ambiente. Aquela luz toda a incomodava demais!

- Aioria, mantenha a calma. A situação é difícil, sabemos disso. – Shaka falou.

- Eu entendo como você se sente, quando vê uma pessoa que ama sendo levada por alguém que... Não merece nenhuma consideração. – Falou Ikki dirigindo um olhar ameaçador para Shaka.

- Ikki... – Pronunciou Shun em desaprovação. – Você prometeu!

- Não me importo com as provocações de teu irmão, Shun. Vou me retirar, acompanha-me ou deseja permanecer?

- Irei contigo, acho que Aioria e Ikki terão muito o que conversar com meus amigos e não quero atrapalhar. – Os Malkavianos deixaram os dois Brujah e o Toreador a sós.

- Caramba... Que clima! – Milo falou enquanto se jogava numa poltrona. – Aioria, eu sei que nada do que eu diga vai ajudar a aliviar o que está sentindo, e tipo, me desculpe por ter sumido é que... Eu acho que fiz as pazes com meu clã, mas não pretendo dar as costas aos meus amigos.

- Sei bem como é que você fez as pazes em seu clã, seu Toreador safado! – Falou Ikki tentando descontrair o ambiente. – E ainda me arrastou junto! – Quanto a Aioria nenhuma reação.

- Honestamente rapazes, creio que demorarei uma eternidade para me recuperar disso, é o meu irmão e a mulher que amo que... Irei perder...

- Aioria... Acho que o fato de Marin ser ghoul de Verônica pode salvá-la. – Pronunciou Milo.

- Mas pode ter sido isso também que a tenha condenado e ao Aioros. – Ikki completou.

Aioria não falou nada, em sua mente só se preocupava com o irmão e Marin. Por que Aioros não fugira? Por quê?

-o-

Motel na auto-estrada, Chicago.

- Condessa, imaginei que precisaria disto. – Shura estendeu-lhe um embrulho. – Espero que tenhamos acertado na escolha.

- Obrigada, é muito gentil, Primogênito. – Gabrielle abriu o embrulho: um vestido. Poderia ao menos se vestir decentemente, seria muito constrangedor aparecer na frente de uma terceira pessoa, leia-se Kamus, naquele roupão barato. – Com licença. – Saiu rumo ao banheiro para se vestir.

- Melhor sermos rápidos. – Kannon falou secamente. – Vieram mais rápido do que imaginei.

- Me encarreguei pessoalmente da segurança de vocês, Kannon. Se não o tivesse feito, certamente correriam mais riscos. As coisas estão se complicando em Chicago e não podemos nos dar ao luxo de termos membros em posições de comando se preocupado com algo que pode ser rapidamente resolvido, em suma, não deixarmos para amanhã o que podemos fazer hoje à noite, mesmo estando há menos de duas horas do nascer do sol.

- Pelo visto algo mais aconteceu, não é mesmo Shura?

- Sim, aconteceu. É grave e não foi previsto por nosso serviço de inteligência.

- Isso é preocupante. Algo que possa surpreender um Nosferatu não é uma boa notícia. Conte-me, mas depois que eu me vestir decentemente, vestido assim, não me sinto um Ventrue.

Gabrielle saiu do banheiro, não deixando de reparar que a expressão dos dois homens estava mais séria do que anteriormente. Kannon mal olhou para ela e se trancou no banheiro, Shura por sua vez limitou-se a conduzi-la para fora do quarto, notou que havia sido gravemente ferida e andava com dificuldade, esforçando-se para não expressar a dor física que sentia ao realizar a curta caminhada até o carro. Deu uma ordem ao motorista que logo arrancou rumo a Chicago.

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Pandora finalmente conseguira se livrar daquela Toreador. Finalmente depois de noites e noites fingindo adorar ser uma vampira fútil conseguira ter um momento de paz. Serviu-se de uma taça de vinho. Não que não gostasse de tudo aquilo, mas se controlar para não mostrar seu lado destruidor a consumia por dentro.

Conseguira atingir um dos membros cruciais do plano: Ikki, e poderia dizer que eventualmente até poderia poupá-lo depois que o plano fosse executado, algo naquele Brujah chamara sua atenção. Precisava ser cautelosa. Qualquer movimento em falso e poderia ser descoberta.

Seu celular tocou e atendeu prontamente. Não gostou nada do que ouviu. Arremessou o aparelho em uma parede e com a outra mão quebrou a taça onde a pouco tomava um caríssimo vinho: a cilada para minar um dos Ventrue falhara. Precisavam desesperadamente desestruturar este clã. Se os Ventrue enfraquecessem Chicago seria um alvo fácil de se atingir, mas enquanto aquela tríade: Saga, Kannon e Kamus estivessem unidos, a dificuldade seria maior. Agora a Camarilla estaria alerta para um avanço. Hora de mudar de estratégia.

Uma leve batida na porta de sua suíte. Quem seria tão ousado? Não recebera nenhum aviso da recepção do hotel. Cautelosa aproximou-se da porta: somente Máscara da Morte seria tão cara de pau. Abriu a porta sem se preocupar em encará-lo.

- Você realmente gosta de se fazer de difícil, sua vadia. – Ele falou fechando a porta atrás de si.

- E você, mal educado como é, não sabe quando é inconveniente. – Falou enquanto se sentava no sofá da gigantesca suíte.

Ele se ajoelhou e tirou suas sandálias iniciando uma relaxante massagem em seus pés. – Pelo visto algo não deu muito certo para você, Pandora. – Falou ao ver os restos do aparelho celular e os cacos da taça de vinho.

- Nada que seja de sua conta, isso tenha certeza. Hoje eu conheci e bem aquele teu filho. Aquele que te odeia. – Sorriu relaxando no sofá.

- Todos me odeiam, querida. – Falou beijando sensualmente o delicado pé da belíssima morena.

- Eles sabem que você massageia pés assim? Ainda não tive tempo de descobrir se tua progênie faz isso tão bem quanto você, mas descobri que ele faz outras coisas até melhores que você. É impressão minha ou algo deu muito certo para você?

- Melhores do que eu? Impossível. Ensinei a ele tudo o que sabe, querida. Posso e vou refrescar sua memória... Ahhh sim, fiquei sabendo de algo muito interessante... Digamos que a desgraça alheia me tornou um homem mais feliz.

- Hummmm... Isso parece ser... Interessante. Bem, por via das dúvidas, quero ter o pai e o filho na mesma noite, pena que não posso tê-los juntos. – Falou enquanto ele cobria de beijos suas pernas.

- Não sou ciumento, não com você, não merece esse tipo de consideração é uma vadia com um vestido bonito, só isso. – Falou depois de se ajoelhar entre as pernas dela levantando seu vestido, beijando-lhe as coxas. – Bonita lingerie... Mas prefiro tirá-la...

- Você não presta! – Gemeu quanto ele começou a tirar sua lingerie com a boca.

- Nem você! Poderia ao menos ter tomado um banho para tirar o cheiro de Ikki do seu corpo.

- Isso é um problema para você? – Ela sussurrou ironicamente, se torturando de prazer com os beijos dele no interior de suas coxas.

- Não! Mas para ele... Pode ser. Chega de conversa, não estou aqui por sua inteligência ou por que gosto de você, só quero me divertir um pouco.

- Procurou a pessoa certa, ahhhhhhhhh. – Céus o que aquele homem era capaz de fazer com a língua?

-o-

- Notícias de Pandora?

- Nenhuma, meu senhor.

- Envie uma mensagem a ela, diga que espero respostas.

O serviçal deixou o ambiente o mais rapidamente que podia. A falta de notícias de Pandora começara a irritar seu senhor e quando ele se irritava... Alguém morria. Quanto ele se irritava muito alguns morriam, quando ele perdia o controle muitos morriam.

A invasão e conquista de Chicago seria mais do que uma vitória para o Sabbat, seria uma vitória pessoal para seu senhor, havia muito mais do que uma conquista territorial em jogo, era uma questão de família: uma questão Lasombra mal resolvida na qual os mais poderosos Lasombra haviam deixado suas rivalidades de lado para finalmente agirem em conjunto e até mesmo conquistando a simpatia de alguns Tzmisce como “Pandora” para a causa. O real nome de Pandora? Para eles era irrelevante, eles a fizeram Pandora.

Oh, sim, ela conseguia se passar facilmente por uma Toreador, foram décadas e décadas espionando a Mestre das Harpias alemã, a verdadeira Pandora até capturarem-na e “Pandora”, leal seguidora de Hades, moldou a própria carne para se tornar idêntica fisicamente a Pandora original, de tanto observá-la, tornou-se a própria: os gestos, os trejeitos, os gostos, os afetos e desafetos. Nada que o altíssimo controle sobre a manipulação da mente que ele possuía não resolvesse.

Ela se tornou literalmente uma arma do Sabbat nos salões da Camarilla, um plano ousado e sem dúvida alguma não levantara nenhuma suspeita. Para garantir o funcionamento do plano, a mente de Pandora fora alterada, modificada, ao ponto de fazê-la crer ser até mesmo irmã mortal dele, um vampiro muito mais antigo do que ela mesma. Tola Pandora. Apenas uma ferramenta para que ele realizasse seu desejo de vingança. Tola Pandora. Apenas um peão em meio ao complexo e secular jogo de poder entre os Lasombra leais ao Sabbat e os dissidentes da Camarilla. Tola Pandora. Apenas um ser descartável em uma disputa entre Lasombra e Ventrue.

-o-

Chicago, Cobertura do Edifício Louis Joillet 

Gabrielle finalmente sentia-se segura: finalmente chegara em casa, melhor dizendo, no refúgio de Kamus. Segura por estar próxima de Kamus ou por estar longe de Kannon? De qualquer forma precisaria evitar ao máximo a presença do seneschal, começara a ficar perigoso demais esse jogo com Kannon. Ele não poderia ter falado sério quando disse estar apaixonado. Anciões Ventrue como ele não se apaixonam, somente tolas neófitas como ela poderiam acreditar numa piada dessas, mas como não era tola... Não acreditaria.

- Gabrielle! – Ouviu a voz de Kamus pronunciar seu nome com alivio, tirando-a de seu devaneio, tão logo o mordomo abriu a porta. – Nunca me perdoaria se algo tivesse acontecido a você. – Seguiu em sua direção, parando muito próximo a ela, examinando-a como se quisesse medir a extensão dos danos que ela sofrera e não foram poucos. – Precisará repousar para se recuperar desta fratura na perna...

- Eu não me perdoaria se você não se perdoasse, por isso, estou aqui! E não me diga que irá bancar o enfermeiro. – Brincou ao ver que ele estava realmente falando sério.

- Se isso ajudar em sua recuperação, o farei. Venha, não pode caminhar sozinha, a levarei até seu quarto. – Sob inúteis protestos da parte dela, ele a envolveu nos braços, carregando-a com todo o cuidado possível até o aposento, com muito zelo colocou-a sobre a cama. – Senti medo, não por mim, mas em pensar na possibilidade de perdê-la.

- Kamus, assim, ficarei ruborizada. – Sorriu. – Foi... Horrível. Mas no pior momento, quando a dor estava muito forte perdi a consciência, Kannon me trouxe de volta e agora devo minha vida a ele. – Falou cabisbaixa.

- Sei que não é nada agradável uma dívida como essa, mas irei conversar com Kannon e como seu consorte assumirei tua dívida, eu deveria estar lá, não você. Fui imprudente, em meio a uma situação tão complicada que Chicago vive...

- Sempre se punindo e se culpando pelo imponderável, existem coisas que nos acontecem e que simplesmente fogem ao nosso controle, precisamos aprender a lidar com elas. Não me venha dizendo que como Ventrue precisa controlar tudo! – Sorriu. – Estou cansada... Preciso... Dormir um pouco, essa noite foi... Muito... Desgastante.

- Ficarei contigo até que durma, Gabrielle. – Beijou-lhe levemente a testa. – Não permitirei que nenhum mal a toque, tenho muito carinho por você.

Ela não ouviu as ultimas palavras de Kamus, o sono a tocara profundamente, por algum tempo ele permaneceu no quarto, observando-a. Realmente sentia muito carinho por aquela jovem que em tão pouco tempo lhe mostrara uma perspectiva de vida que ele julgava ter perdido, após tantos séculos sentia vontade de recomeçar, lembrar-se do quão bom era se sentir vivo mesmo em um corpo morto.

Tão logo saiu ligou para Afrodite para ter certeza de que o Toreador tinha conseguido abafar o tiroteio em frente a Biblioteca Central e para confirmar o treinamento de Milo que seria iniciado na noite seguinte. Um sorriso de satisfação diante de sua vingança próxima tomou seu rosto, guardou o celular e estalou os dedos, aquele Toreador começaria a pagar por ter ferido seu orgulho, não o mataria, mas o faria sofrer e muito.

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Chicago, Biblioteca Central. 

Ikki deixara Milo e Aioria meia hora antes do sol nascer. O Toreador não sabia o que fazer diante do Brujah completamente apático a sua frente. Nada do que falava parecia interessar Aioria, mas ele não desistia e contava todos os detalhes das últimas noites na mansão de Afrodite, vez ou outra Aioria parecia se interessar, mas logo se amuava e deixava seu olhar percorrer o vazio.

- Falando em Afrodite... Ele está me ligando, com licença, Aioria. – O Brujah apenas fez um aceno com a cabeça e o Toreador atendeu a ligação. Educadamente no começo, mas logo em seguida, não conteve uma expressão de surpresa, não havia muito o que dizer, os argumentos de Afrodite foram tácitos não deixando margem a recusa. Milo pegou um bloco de anotações e uma caneta, rabiscou um endereço. – Estarei lá amanhã à noite, mas se ele fizer qualquer gracinha não respondo por mim.

Só então Aioria se lembrou do que Kamus propusera na mesa do Conselho. – Milo, tenha cuidado com Kamus, mesmo sendo um cara legal, ele é Ventrue e nada me tira da cabeça que ele vai aprontar alguma contigo. – Seu tom de voz era anormalmente sério.

- Poxa, se era pra treinar, por que não posso permanecer com vocês?

- Muito simples: eu e Ikki teremos dezenas de Brujah pra treinar e você só serviria de saco de pancada para eles. Sem contar que Afrodite realmente aprecia mais os Ventrue do que nós, Brujah, meio natural essa escolha.

- Natural? Não há muita naturalidade em salões de festas da alta sociedade.

- Pois é, meu amigo. Agora assuma o seu lugar nos salões, por que nós ficaremos eternamente à margem da sociedade aporrinhando vocês, em breve será mais atrativo a você a companhia dos seus e dos Ventrue e não irei culpá-lo por isso.

- Não sei se é isso que eu desejo para mim, está tudo muito estranho nessa história toda, as coisas estão fáceis demais.

- Também acho, Milo. Algo não se encaixa na sua súbita ascensão, preocupe-se primeiro com os puxões de tapete que virão de dentro do seu clã, tenho certeza de que Sorento e Mime não vão engolir o fato de você ter roubado a posição que seria de um deles... Depois com Kamus que certamente não está bancando o bom moço.

- Acho que devo me preocupar com Kamus, primeiro. Afinal de contas, estou sendo coagido por Afrodite a encontrá-lo amanhã à noite. Droga.

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Chicago, refúgio do Príncipe, localização desconhecida. 

Kannon se dirigiu ao refúgio de Saga. O sol não tardaria a nascer, possuía seu próprio refúgio, contudo necessitava urgentemente conversar com seu irmão, nada poderia ser deixado para a noite seguinte, precisava se inteirar de todos os assuntos e discutir a estratégia de defesa da cidade, Shura contara todos os detalhes a Kannon, mas certamente havia aquelas coisas que somente Saga tinha conhecimento.

Tudo ali representava os gostos de seu irmão, tudo. Saga possuía uma personalidade e tanto, ao longo de tantos séculos sempre manteve os mesmos interesses: o poder e a força. Tudo o que inspirava poder e força nos mais sutis detalhes, a paixão do irmão pela estratégia militar, pela guerra, norteavam os corredores daquela mansão que Kannon conhecia tão bem, no entanto não se sentia tão à vontade, mesmo sabendo que poderia considerar aquele local como sua segunda casa.

Saga fazia questão de sempre dizer ao irmão: à medida que os humanos criaram formas mais eficientes de matar, as guerras nunca mais foram as mesmas, perderam sua honra, seu propósito. Enquanto Saga se desinteressava pelas armas mais potentes, Kannon as adorava. Enquanto o irmão colecionava espadas e lanças, Kannon colecionava armas de fogo que Saga dizia não possuírem nenhuma honra, nenhum desafio real, era definitivamente um Ventrue à moda antiga, mas jamais admitiria isso. No entanto Saga tinha que dar o braço a torcer, elas eram um tanto quanto úteis e naquela noite foram responsáveis por salvar a vida do irmão.

Kannon poderia afirmar em qual ponto exato da mansão o irmão poderia estar, e apesar de saber que Saga não aprovava sua presença naquele local, dada às circunstâncias, não daria atenção aquela restrição, dirigiu-se para o elevador que o levaria ao andar no subsolo onde ficava o mausoléu de Atena.

Dois seguranças do irmão guardavam a porta do mausoléu e pelo visto não estavam muito dispostos a deixá-lo seguir adiante, as ordem de Saga eram claras: ninguém, a não ser ele deveria entrar naquele lugar. Sem dificuldade, Kannon os dominou e passou. Seus passos ecoavam pelo mármore frio imaculadamente branco. Algumas tochas iluminavam o ambiente, lançando sobre as pilastras redondas, tipicamente gregas, imagens fantasmagóricas que pareciam vivas. Era fato tratar-se de um feitiço feito pelo irmão para proteger o mausoléu e qualquer pessoa que porventura tivesse intenções hostis contra a matusalém, quase uma antediluviana que ali dormia seu sono profundo, milenar.

- Kannon. – A voz do irmão ecoou através das pilastras, distante. – Não se aproxime mais.

- Sabe que somente entrei aqui pela gravidade da situação, irmão. – Respondeu após dar um último passo, ouvindo o eco de sua voz. Podia ouvir os passos do irmão ao longe caminhando em sua direção.

- Não deveria ter eliminado tantos mortais em tão pouco tempo esta noite. Minha equipe cobriu seus rastros. – Nenhum tom amigável em sua voz.

- Eu estava com sede.

- E raiva, imagino.

- Sim, muita.

- De quem?

- Verônica.

- Mentira.

- Isso não vem ao caso agora, irmão.

- Sempre esguio. Pode mentir para qualquer um, mas para mim? Por que, Kannon? Se não confiarmos um no outro, sabe que cairemos. Chegamos tão longe e vivemos tanto porque sempre estivemos juntos.

- Estivemos sim... Até Verônica aparecer. – Respondeu finalmente encarando o irmão.

- Kannon, não me diga que vai desistir agora. Sabe que ela é importante para mim.

- O ataque de hoje era para Kamus, irmão. E não eram simples neófitos, melhor dizendo, gado do Sabbat. Algo me diz que tem o dedo do irmão de Verônica nisto.

- Imaginei que Hades estivesse envolvido. Mas você os derrotou, não? Na hora em que disse estar atrás de um bando Sabbat não questionei por estar com o Conselho, agora espero a verdade. Quanto a Hades... Não falei e nem pretendo falar com Kamus a respeito. Como não conseguem nos atingir diretamente, tentaram derrubar Kamus, mas não era Kamus que estava lá... – Saga enfatizou as últimas palavras estudando a reação do irmão. Bingo! Ele estava seguindo a Condessa, tudo em Kannon parecia diferente após esta nada sutil indireta, ok, tinha que admitir fora bem direto.

- Derrotei, mas acredite, não foi fácil. Mas as armas que uso me ajudaram. Sei que não as aprova, mas as usei.

- Não foi? Mas você conseguiu derrotá-los, isso é o que me importa, no entanto uma explosão como a que descreveu ao telefone... Não me diga que... A neófita... – Ah sim, ele iria forçar Kannon a falar a respeito! Como o irmão podia pensar que ele não perceberia esse interesse? Se havia algo que Kannon adorava tanto quanto ele era um desafio. E a garota o desafiara desde o primeiro momento.

- Não sei, irmão. – Desviou o olhar. Saga era realmente astuto, onde foi que ele baixara a guarda ao ponto do irmão perceber que seu interesse por Gabrielle era maior do que qualquer coisa que sentira no passado?

- Kannon, não sei como as coisas ficarão no futuro, estou aguardando uma represália da família de Verônica há muito tempo e pode ser que ... Finalmente a minha estrada chegue ao fim. Vamos, admita: você está mais do que interessado na neófita, você finalmente está amando? E esse amor... – Parou e estudou a posição defensiva do irmão. – É tão grande quanto o meu por Verônica.

- Não estou gostando do rumo dessa conversa! Sabe que desejo possuir aquela Lasombra teimosa tanto quanto você deseja. – Bom, isso era verdade. Depois de tantos séculos naquele jogo de sedução. O desafio era tão instigante... E todo o ciúme que ele tinha por Saga...

- Eu sei, mas você não a ama como eu amo. – Saga sentiu um peso gigantesco deixá-lo ao falar algo que deveria ter sido conversado há muito, muito tempo.

- Como você pode afirmar isso? – Kannon não escondeu a surpresa.

- Eu te conheço. Consigo ver a chama do desejo em seus olhos, quando a vê, mas não vejo amor. Amor, Kannon. Não falei nada em todos esses anos, porque acredito que para você fosse mais confortável pensar que eu ignorava isso. O jogo para você é mais interessante do que o sentimento, sempre foi assim, mas parece que isso está prestes a mudar... – Sim, ele tinha que insistir no assunto, agora que a conversa tinha começado, precisariam ir até o fim.

- Saga, você sempre me surpreende. Quer dizer que você sabia o tempo todo que eu estava... Fingindo? Bem, não totalmente... Mas... Estava...

- Claro que sim. E não o culpo por isso, você é assim, dissimulado. É uma defesa sua para com todos, até mesmo comigo... E eu... Entendo, mas irmão... – Tocou em seu ombro. – Vejo além, vejo sua alma, somos iguais e diferentes ao mesmo tempo e são exatamente essas diferenças que nos completam. – Puxou-o abraçando-o fortemente.

- Saga... Me perdoe... Eu não tinha o direito de fazer... Tudo o que fiz... – Falou com a voz fraca sentindo os olhos ardendo, estava prestes a chorar.

- Vamos, pare com isso. Sabe o quanto te amo, é meu irmão, meu sangue. – Afastou-se um pouco e pegou o queixo do irmão com a mão direita. – Se uma noite acontecer, se eu realmente ficar com Verônica, se sobrevivermos a essa luta, sabe que nunca deixarei de amá-lo, Kannon. – Puxou o rosto de Kannon dando-lhe um carinhoso beijo na testa. – Você nunca vai me perder, mesmo se eu morrer ainda estarei ao seu lado, e você precisa ser forte. Mas pelo visto encontrou alguém para amar e lhe dar forças e meu coração está em júbilo por isso, sua felicidade me faz feliz, Kannon.

- E a sua felicidade, me fazia sentir inveja, ciúme. Me perdoe por isso, sou egoísta demais. Isso tudo é muito novo para mim, Saga. Não consigo entender nada, não consigo controlar nada quando penso em... Gabrielle. É diferente. Muito diferente e eu nem a conheço direito, mas não sei por que, quero estar ao lado dela.

- Entendo, irmão. Acredite, entendo. Mas... Não é recíproco? – Kannon, se retraiu nos braços do irmão, pelo visto não. – Kannon, tenha calma. Algo tão grande não pode ser sentido apenas de um lado.

- Eu a beijei enquanto aguardávamos o resgate, mas ela não correspondeu. Disse que era uma mulher comprometida. Nunca, nunca uma mulher se mostrou indiferente a mim! E acho que ela está mesmo se envolvendo com Kamus.

- Valores morais. Ela está mais próxima de um humano com seus valores morais do que nós.

- Mas acho que é exatamente por ela ser tão humana que me interessei por ela. A situação é complicada, Saga. E fomos nós que a criamos!

- Sim, criamos. Entendo o seu sentimento e o apoio, mas sabemos que essa união tem que acontecer. É o nome do nosso clã, a honra de um dos nossos que está em cheque, são esses sacrifícios que nos tornam os guias da Camarilla, por isso somos reis, porque sacrificamos nossa felicidade pessoal em nome daqueles a quem governamos. Não somos vampiros comuns, estamos bem acima de todos eles, não demonstramos nossos sentimentos, somos a Camarilla, somos a Lei e a nós não compete demonstrar fraqueza, caso contrário como eles poderiam ter a certeza de que podem confiar em seus líderes?

- Droga! Nessas horas eu não queria ser o que somos. Você nunca poderá ficar com Verônica, ela é Lasombra, inadmissível. Eu nunca poderei ficar com Gabrielle por que ela e Kamus vão se unir e por um momento eu fraquejei e pedi a ela que desistisse, mas ela é como nós, sabe tudo o que está em jogo, não esmaeceu.

- Publicamente não podemos mesmo. – Saga completou com tristeza. – Mas precisamos ser fortes, é isso que esperam de nós, não podemos decepcioná-los.

- Mas longe dos olhos dos outros... Quem sabe? – Kannon falou com esperança. – Esse fardo é pesado demais, Saga. Pensei até mesmo em fugir, abandonar tudo, até mesmo deixar você, foi apenas uma idéia, mas pensei...

- Quem sabe, irmão? Não podemos demonstrar fraqueza para os outros, mas confesso que existem momentos em que também pensei em desistir de tudo, mas não podemos. Governar é o nosso destino.

- Acho que eles não têm idéia de como sofremos para dar um mundo melhor para que possam viver, Saga. E nem falo somente da Camarilla e daquele bando de vampiros que não valem o sangue que bebem, mas de todos os mortais que cuidamos e dependem de nós.

- Quando olho para os mortais, vejo que estamos no caminho certo. Assim como precisamos sacrificar alguns para que muitos possam viver, nos sacrificamos para servir como exemplo para os vampiros que governamos diretamente e não posso permitir que Hades vença essa batalha, por Verônica, não posso. Por tudo o que lutamos não permitirei.

- Não permitiremos, irmão. Não permitiremos. Quanto a Verônica, seria muito egoísta de minha parte continuar com toda essa brincadeira, divirta-se você e claro, quero todos os detalhes depois. – Kannon sentiu-se aliviado. Era realmente a hora de mudar, deixar Saga viver sua vida e preocupar-se com a sua própria.

- Kannon, tem certeza disso? Não desejo excluí-lo de nada em minha existência. – Estava realmente surpreso, em tantos séculos Kannon nunca agira daquela forma, estava realmente abrindo mão de Verônica?

- Você nunca me excluiu, irmão. Eu é que dificultei as coisas para você... Não mais. Sei o que faço neste momento. Foram séculos fazendo a coisa errada e em todo esse tempo foste paciente comigo, não desistiu de mim. Tente viver sua vida, distante dos olhos dos outros, mas tente. Ninguém merece isso mais do que você, Saga.

- Não sei o que dizer, deixou-me sem palavras... – Saga sentiu uma leve ardência nos olhos, não conseguiu conter uma dolorida lágrima. – Obrigado, Kannon, eu... Eu... Não sei o que dizer.

- Não diga nada, não é preciso. – Foi a vez de Kannon o abraçar. Estaria ele no caminho certo? Ao menos dera a oportunidade para que Saga tentasse ser feliz, afinal de contas, ele merecia. Culpara Saga por tempo demais, por coisas que o outro não tinha culpa alguma, tudo o que fizera deveria fazer com que o irmão o odiasse, mas ao contrário, sempre se mostrava paciente com os caprichos de Kannon. Sempre.

Kannon pousou um leve beijo nos lábios do irmão, com carinho foi correspondido, permaneceram um bom tempo apreciando aquele momento até que ao mesmo tempo, afastaram-se. Kannon limpou as lágrimas de sangue que corriam na face do irmão e o outro executou o mesmo gesto em Kannon. Há muito tempo não se sentiam tão bem na companhia um do outro.

- Vamos, sinto que o dia nasceu e a próxima noite será longa... Aliás, as próximas noites serão longas. Quero lhe mostrar como planejo defender a cidade, se bem conheço Hades, ele irá recuar após o ataque frustrado a Kamus, temos algum tempo para preparar tudo. – Colocaram-se lado a lado, caminhando rumo à saída do mausoléu. Saga voltou para o interior fazendo uma reverência – Continue a dormir, minha Deusa...

Kannon sorriu diante da devoção fervorosa do irmão. Sempre fiel a Atena, sempre. – Por que não a chama pelo nome real?

- Sabe que ela não gosta, Kannon. Aliás, nem temos certeza de quem está naquele corpo...

- Saga, o que faremos em relação à Aioros? Shura contou-me todos os detalhes.

- Não há muito o que fazer por ele. Sentirei falta dele, foi um adversário e tanto ao longo destes séculos. Se não estivéssemos lutando por ideologias diferentes, sem dúvidas teríamos sido bons amigos e em alguns momentos até posso arriscar dizer que... Fomos.

- Não queria admitir isso, mas realmente ele é admirável, é o ser mais inteligente que já conheci. Ainda me lembro quando lutamos contra os persas... Éramos tão jovens, não?

- Éramos... – Entraram no elevador. – Não domine meus seguranças de novo. – Falou em leve tom de reprovação. - Não posso poupá-lo, caso contrário perderia toda a moral por deixá-lo viver após um ato tão grave, e adeus ao meu Principado!

- Mas, Saga, podemos poupá-lo... Se ele fugir.

- Não é má idéia! Posso declarar uma caçada de sangue sobre ele, mas ao menos ele ficaria vivo. Longe, mas vivo. Seria menos doloroso para Aioria, também. Creio que conseguiremos salvar aquela mortal que Aioros abraçou, ela era ghoul de Verônica, e nossa amiga já reclamou sua posse.

- Vamos então falar com Aioros, Saga. Você o colocou onde imagino?

- Sim, coloquei. Pensei nunca precisar usar tal lugar de meu refúgio para abrigar Aioros, Aquele lugar está guardado para Hades. – Seguiram por longos corredores bem iluminados e assépticos. Mais uma parte da verdadeira fortaleza sob a mansão logo acima deles.

- Acho que Aioros ignora o fato de que está tão próximo de Atena. – Kannon sorriu quando o irmão parou diante de um painel de segurança, digitando alguns números, uma gigantesca porta de metal se abriu ao fundo. Aiorios estava deitando com as mãos cruzadas sob a cabeça olhando para o vazio, tão logo o movimento foi sentido, ele se sentou na cama e procurou seus óculos.

- Aioros. – Saga pronunciou secamente.

- Saga. Kannon. – Respondeu, colocando os óculos. – A que devo a honra?

- Você será removido daqui e espero que seja capaz de fugir.

- Saga, ouvi bem ou você tenciona me libertar? – Aioros não escondeu sua surpresa, seria realmente fácil fugir daquele lugar. Aliás, se quisesse, teria fugido muito antes de ser colocado naquela cela de segurança máxima.

- Sim, exatamente isso. Agradeça a Kannon, a idéia foi dele e concordei.

- Mas por quê? – Ainda surpreso.

- Porque apesar de nossas diferenças, já lutamos juntos. Você foi um excelente adversário, Aioros, não seria justo me livrar de você de um modo tão fácil. – Tentou ser sarcástico.

- Você ainda se lembra disso? Pensei que nunca me perdoaria por Roma, mas se lembrou dos persas... Possui boa memória, Saga.

- Você nunca vai me perdoar por Cartago, Aioros. Sinto-me vingado. – Sorriu.

- Existem muitas coisas que não perdoamos um no outro, Saga.

- Isso não vem ao caso agora. Amanhã a noite esteja preparado para fugir. Sabe que precisarei decretar uma caçada de sangue sobre você, mas até aí, já possui a fama de anarquista, quebrou as tradições, não será nem um pouco difícil inserir seu nome na Red List mundial.

- Saga, Kannon, agradeço pela intenção, mas não devo fugir de meu destino. Minha hora chegou e desejo encará-la de frente, como sempre fiz em toda minha existência. – Saga e Kannon se entreolharam, perplexos. Aioros queria morrer? Como assim? – Isso mesmo. Minha hora chegou.

- Aioros, creio que deva refletir a respeito. Ninguém nunca suspeitaria que eu, logo eu, notoriamente seu inimigo declarado permitiria sua fuga, não seja tolo. Pense no seu irmão, homem.

- Aioria ficará bem. Sabemos que a intervenção de Verônica salvará Marin, meu irmão a ama, por isso não permitirá que ela morra.

- Atacaram-na por ser ghoul de Verônica, Hades certamente está envolvido. – Kannon, falou sem disfarçar o desprezo na voz.

- Não, Kannon. Aí que você se engana. Marin nunca foi ghoul de Verônica. Pedi que ela mentisse a respeito, era a única chance de Marin sobrevivesse. Sabemos que pelas nossas leis o direito de posse sobre um ghoul é sagrado. Como diz aquele velho ditado medieval: destrua meu reino, queime meu castelo, mate minhas progênies, mas não toque em meus ghouls.

- Verônica mente muito bem. – Saga falou surpreso. Conseguira enganar até a ele com toda a representação na biblioteca. – Aioria nem suspeita disso, nem eu suspeitei.

- Proteja-a, Saga. Deixo Verônica em suas mãos, é a você que ela ama.

- Mas é com você que ela esteve nestes últimos séculos, Aioros.

- Fisicamente sim, mas o coração dela... É seu. Demorei para compreender isso. Quanto a Aioria, conversarei com ele para que meu irmão cabeça dura não se volte contra Verônica culpando-a pelo ataque a Marin.

- Você me deixa em uma posição difícil, para variar. Fuja, por favor. – Saga falou com peso no coração.

- Não posso, Saga. É minha hora. Não tente compreender minha decisão, nada mais me prende neste mundo, já vivi demais e antes que eu me perca novamente... Quero partir. Alcancei a paz em meu coração e não quero correr o risco de me entregar a Besta novamente. Me permito ao menos uma vez ser egoísta, este é o meu desejo.

- Se é o que deseja... Assim será feito. – Saga falou cabisbaixo. – Sobre aquilo que você vem me pedido há alguns séculos, poderá vê-la antes de partir.

- Saga... Isso é bem mais do que desejei, obrigado. – Pronunciou emocionado.

- Aioros, se mudar de idéia...

- Não mudarei, Saga.

- Nos veremos em breve. Adeus.

-o-

Chicago, Clube Masquerade.

Verônica sentia todo o peso do mundo em suas costas. Céus, mentir para Saga era realmente difícil, mas devia isso a Aioros, por todos aqueles anos em que o usara descaradamente para causar ciúmes no Ventrue. Certamente teria problemas com Aioria, mas Aioros prometera conversar com o irmão antes do... Inevitável.

Deveria se preocupar agora com a confusa mortal recém abraçada. Prometera a Aioros cuidar de Marin e o faria. Se não fosse a gravidade da situação teria dado altas gargalhadas do plano amador dos jovens Brujah e do Malkaviano que tentaram tirar Marin da biblioteca. Não fora difícil dissuadi-los para que deixassem de lado a idéia estapafúrdia de fugir de Chicago, o loirinho Malkaviano fora o primeiro a concordar, não estava a fim de deixar a cidade. Com sua presença sobrenatural, Verônica conseguira convencer também os dois Brujah. O baixinho de camisa vermelha fora o mais arredio, mas nada que ela não fosse capaz de resolver.

Quando Marin acordasse na noite seguinte iniciaria uma nova vida e, por Aioros, ela a ajudaria a aceitar sua nova essência. Marin não tinha idéia do quanto ficaria marcada por ser progênie, mesmo que involuntária, de um vampiro tão secular quanto Aioros: poder demais num corpo ainda tão... Mortal. Se bem direcionada dentro da Camarilla, poderia se tornar uma notória figura. E como Aioros dissera, Aioria realmente a amava, percebeu isso nos olhos dele. Isso era realmente único e ela compreendia os sentimentos dele, sem dúvida compreendia. Estranhou o fato de Kannon não estar ao lado de Saga na biblioteca, certamente fora cuidar do ataque Sabbat. Mas até aí , nem Shura, nem Kamus, nem Afrodite estavam presentes. Estariam todos envolvidos nos assuntos referentes ao ataque? Se fosse isso, a coisa era realmente muito mais séria do que parecia.

-o-

Chicago, Biblioteca Central. 

Tão logo Aioria acordou na noite seguinte foi se encontrar com os dois Brujah encrenqueiros.

- O que é que vocês têm na cabeça? Merda? – Aioria falou com cara de poucos amigos para os dois Brujah a sua frente.

- Marin é muito importante para nós, então pensamos em... Fugir. – Falou Seiya.

- Não passou por sua cabeça que fugir seria arrumar ainda mais confusão pra ela?

- Bem. Eu até pensei nisto, mas na hora me pareceu uma boa idéia.

- E você, Shiryu?

- Sempre vou aonde meus amigos vão.

- E eu ainda pensei que você fosse o mais ajuizado de todos... – Reprovou Aioria. – Agora preciso dar um castigo aos dois, podem cancelar os shows da banda, vocês vão treinar até cansar com Aldebaran e lutarão na primeira fila contra o Sabbat.

- Poxa, Aioria.

- Nada de “poxa, Aioria”, fiquem felizes por suas cabeças estarem em seus devidos lugares. Se Saga quisesse poderia ter pedido a cabeça de vocês. Vão logo, antes que eu mude de idéia!

Fora excessivamente duro com os meninos, mas eles precisavam de um belo corretivo e não eram assim tão fracos a ponto de não lutar bem na primeira linha de batalha. Os dois deixaram Aioria a sós com seus pensamentos. Precisava falar com Aioros, com Verônica e ver Marin, saber como ela estava depois de toda aquela confusão.

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Urbana e Champaign, Região metropolitana de Chicago, campus da Universidade de Ilinois.

- Shaka, se não ouvisse isto diretamente de sua boca, teria dificuldades em acreditar.

- Aconteceu o que prevíamos, mesmo sem sabermos exatamente qual dos gregos viria a sucumbir. E agora temos que cuidar para que a passagem de Aioros seja tranqüila, Mú.

- Farei o melhor que puder, Shaka. E o que faremos com Hyoga?

- Deixe-o sem ver Shun até o dia do julgamento de Aioros para ele não haverá castigo maior.

- Sem dúvida. O irmão de Shun estava lá, não?

- Estava.

- Vocês discutiram de novo?

- Não, embora ele estivesse disposto a isso e, aliás, bem disposto depois de trocar vitae com alguém.

- Como?

- Isso mesmo. Parece que ele finalmente superou a morte de Esmeralda.

- Shaka, vai continuar a ser orgulhoso e não irá falar com ele? Vai deixá-lo pensar que se aproximou dele só por causa de Shun?

- É melhor assim, meu amigo. Se ele não enxerga a verdade diante de seu próprio nariz, não serei eu a guiá-lo. Tenho algo maior para me preocupar. Aliás, temos.

- Temos nossa missão, Shaka, mas não é justo que você continue a se fechar e negar o que sente por ele, age como um Ventrue!

- Só me pergunto: quem é essa pessoa?.

- Eu também e pode ter certeza de que vou descobrir ou não serei mais o Mestre das Harpias deste Domínio.

Mú tirou o celular do bolso, começou a realizar várias ligações. Várias. Shaka estava a ponto de deixar a sala quando Mú fez um gesto pedindo que ficasse, logo em seguida desligou o celular.

- Ontem, Ikki foi visto numa lanchonete, aquela que fica perto da oficina de motos onde os Brujah passam tanto tempo. Estava com Milo, Tétis e Pandora. Depois foi visto na porta da oficina dando um beijo nada inocente em Pandora e saiu às presas com Milo numa moto.

- Aquela da aura negra?

- Sim, ela mesma.

- Não pode ser. O que será que ela quer com Ikki?

- Shaka, acho que é meio claro o que ela quer com ele...

- Não digo neste sentido. – Doía parecer não se importar, mas ele se importava sim. Precisava meditar muito para afastar os sentimentos nem um pouco nobres que o acometiam.

- Já sabíamos que teríamos que observá-la mais de perto. Como é uma visitante importante não podemos colocar alguém atrás dela, mas podemos nos aproximar para estudá-la melhor.

- Seria realmente arriscado segui-la. Ela é harpia como você. Boa sorte, Mú.

- Tudo bem, já imaginava que sobraria para mim, mas o faço por você, deixo bem claro. – Sorriu tentando encorajar o amigo e deixou-o com seus próprios pensamentos enquanto mais uma vez pegava o celular para espalhar a notícia a respeito do julgamento de Aioros, uma de suas harpias Toreador sem dúvida adoraria preparar tudo, naquele momento estava mais preocupado com a mulher da aura negra.

-o-

Chicago, Cobertura do Edifício Louis Joillet 

Assim que despertou na noite seguinte, Kamus fora ver Gabrielle. Ela ainda dormia pesadamente, pediu a um serviçal que permanecesse no aposento e o comunicasse na sala de armas sobre qualquer mudança no estado de saúde dela, e se acordasse, atendesse todos os seus pedidos, exceto um: se levantar. Não poderia em hipótese alguma se esforçar.

Passou em seu escritório para verificar o andamento dos negócios, deu algumas ordens a outro serviçal, pedindo para ser avisado a respeito de qualquer queda repentina nas ações dos laboratórios farmacêuticos que estava monitorando há algum tempo e dirigiu-se a sala de armas. Lá, encontrou Milo entretido examinando um machado medieval, estava tão absorto no estudo da arma que não percebeu a presença do outro. Kamus fechou a porta abruptamente assustando o Toreador que lhe dirigiu um olhar faiscante de raiva.

Ignorando completamente aquela demonstração de hostilidade, Kamus pôs-se a tirar o terno e a gravata, arregaçou as mangas da camisa e prendeu os cabelos como se o Toreador não estivesse ali. Milo por seu lado não conseguia esconder o quanto aqueles gestos esnobes o irritavam. – Você é sempre tão irritante assim?

- Sempre. Ainda mais com aqueles que não aprecio. – Falou enquanto analisava as armas na parede, pensando por qual delas começaria o treinamento do outro.

- Eu não queria estar aqui, mas fui literalmente obrigado por meu Primogênito.

- Precisa aprender a lutar justamente, sem subterfúgios, rapaz.

- Entendi. Disse que me treinaria para poder ter o prazer de me deixar algumas cicatrizes, certo? Não conseguiu aceitar o fato de que o derrotei.

- A idéia que fez com que você me derrotasse foi um subterfúgio pensado por Gabrielle, portanto nem o mérito da vitória é seu. Você é apenas um... Plebeu que segue, não está apto a conduzir. Por isso, até considero que a vitória é dela.

- Como você descobriu? – Milo quase entrou em pânico. – Onde ela está? Se você levantou a mão sobre ela...

- Tenho meus métodos, e ela está bem, afinal de contas será minha futura consorte. Ela soube manipulá-lo bem para chegar até minha pessoa. E por toda essa sagacidade achei um tanto quanto adequado mantê-la ao meu lado.

- Está mentindo! Posso ver que você está preocupado com a Condessa. Fale logo, o que aconteceu?

- Isso não é da sua conta, rapaz. – Finalmente escolheu um jogo de espadas. Entregou uma a Milo. – Quanto tudo mais falha, uma espada bem utilizada será sempre sua melhor amiga.

- Já começamos? – Perguntou surpreso ao sentir o peso da lâmina em suas mãos. – Responda minha pergunta.

- Mantenha a espada sempre inclinada a sua frente, ao centro de seu tórax, assim poderá movimentá-la tanto para a direita quanto esquerda com a mesma velocidade. Vejo que sua preocupação é honesta, Gabrielle sofreu um atentado a mim direcionado, está se recuperando.

- Quando?

- Ontem à noite.

- Então ela não está tão bem assim.

- Pare de falar e se concentre. – E Kamus desferiu um golpe que arrancou a espada das mãos do outro. – O segredo não é a força com que você segura a espada e sim o jeito, vamos, faça igual a mim. – Milo viu que o Ventrue não estava para brincadeira, pegou a espada no chão e tentou segurá-la como o outro também fazia. Um branco imenso veio a sua mente. Aquilo lhe parecia repentinamente familiar, era como se alguém tomasse seu corpo, mostrando-lhe exatamente como fazer aquilo. Desferiu um golpe contra Kamus, pegando-o de surpresa, rasgando de leve a manga de sua camisa dobrada.

- Até parece que você está acostumado com isso. – E desferiu um golpe pela esquerda de Milo que bloqueou numa manobra avançada, surpreso, Kamus recuou colocando-se em posição defensiva, o que diabos estava acontecendo? O Toreador veio para cima dele com os olhos vermelhos, atacando-o com toda força, se não estivesse tão acostumado a lidar com aquela espada, teria sido fatiado pela habilidade do Toreador. Defendeu-se e atacou como pode, mas Milo estava totalmente fora de controle e sabia exatamente o que estava fazendo até acuá-lo contra uma parede limitando os movimentos de Kamus.

A lâmina afiada atingiu o braço do Ventrue que soltou um urro de dor. Milo não recuou parecia ter sentido prazer diante da expressão de dor do outro. Milo acertou o outro braço de Kamus que a essa altura só se preocupava mesmo em se defender dos ataques, mas em meio a essa preocupação e sem poder se movimentar devido a parede próxima, teve sua espada arrancada das mãos.

Milo parou e sorriu cinicamente diante do outro, hora do golpe de misericórdia: levantou a espada, pronto para desferir um golpe no pescoço de Kamus quando, repentinamente largou a espada colocando as duas mãos na cabeça como se estivesse sentindo uma dor insuportável, falava palavras incompreensíveis enquanto caia de joelhos. Sem entender nada Kamus se aproximou, vendo os olhos do outro perder aquele horrível tom vermelho voltando ao tom de azul intenso que tanto o perturbava.

Milo não se moveu, permaneceu estático, ainda ajoelhado, olhando para o vazio. Kamus o chamou várias vezes, em vão. Tocou em seu ombro, sacudindo-o, nada. Por fim, ajoelhou-se a sua frente, obrigando-o a encará-lo, nada, nenhuma reação. Mas o que estava acontecendo com aquele Toreador? Kamus nunca tinha visto uma coisa como aquela acontecer, exceto com... Malkavianos.

Finalmente um movimento, Milo piscou os olhos tentando reconhecer o ambiente. – O que aconteceu?

- Eu é que deveria perguntar: o que aconteceu? – Falou lendo em sua aura que a confusão do Toreador era legítima.

- Eu... Só me lembro de abaixar para pegar a espada no chão... Por que você está machucado?

- Acredite, foi você que fez isso comigo.

- Eu? Impossível. Não sei nem usar uma faca para cortar carne, imagine uma espada.

- Não se lembra de nada? Absolutamente nada? Tem certeza?

- Tenho. Não me lembro de nada.

- Quem é você, rapaz?

- Vivo fazendo essa pergunta. – Sorriu se levantando.

- Creio que Afrodite ignora sua habilidade com uma espada e se é capaz de arrancar a minha, creio que não precise ser treinado por mim, não neste tipo de arma, amanhã à noite vamos treinar com armas de fogo, são úteis para matar em quantidade e acredite, teremos muitos membros do Sabbat para derrubar com elas.

- Sei atirar bem. Não será necessário.

- Atirar bem não é o suficiente. Ainda mais quando lidamos com vampiros.

- Droga. Tudo bem, que seja então. Posso ir?

- Pode.

- Adeus.

- Adeus. – Milo deixou o ambiente como se estivesse fugindo de algo. Não conseguia acreditar que aquilo tinha acontecido de novo! Ainda mais na frente daquele cara. Céus... Por quê? Por que aquilo acontecia?

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