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Urbana e Champaign, Região metropolitana de Chicago, campus da Universidade de Ilinois. Shaka despertou apreensivo de seu sono amaldiçoado. Não conseguira vislumbrar as teias do futuro. Esforçou-se ao máximo para se concentrar, mas o desejo por sangue humano era maior, precisava caçar. Sentia aquela necessidade urgente por sangue e não conseguia controlá-la... Ou não queria? Era tão prazeroso beber do sangue dos humanos... Shaka assustou-se com o rumo de seus pensamentos. Havia tantas coisas por fazer, tanto para decidir... Mas naquele momento ele só pensava no doce sabor do sangue. Arrancou forças de onde não conseguia imaginar para controlar sua Besta, ao menos até o fim da reunião de Primogênitos que participaria em algumas horas. Vestiu-se sombriamente para a ocasião e deixou seus aposentos, na sala comunal Mu, Shun e Hyoga esperavam por ele. Shaka sem se esforçar muito sentira o sangue percorrendo os corpos jovens de Shun e Hyoga que demonstravam o rubor típico daqueles que haviam se alimentado há pouco tempo. Aquilo quase o descontrolou. Quase. Se não fosse a intervenção sábia de seu braço direito, Mu: - Shaka, nem pense em atacar os meninos. Eles não têm culpa de sua sede incontrolável, talvez o torpor por algumas semanas te acalme! - É tão visível assim, Mu? - Para mim, é! - Torpor não é uma opção neste momento e você sabe disso. - Boa noite, espero que o show de vocês tenha sido o que desejavam. Disse Shaka após os breves segundos em comunicação telepática com Mu. - Foi legal, o Hyoga destruiu nos vocais! Shun falou com empolgação enquanto Hyoga limitava-se a demonstrar modéstia. - Vocês viram, não viram? Mu interrompeu quase em transe. - Sim, nós vimos. Responderam ao mesmo tempo os três malkavianos. - Quem foi mais longe e viu mais? Perguntou Shaka com os olhos fechados. - Eu vi. Eu fui. Respondeu Shun completamente em transe com os olhos bem abertos e virados, completamente brancos. - O que a mãe Lilith lhe mostrou? Perguntou Shaka tocando as têmporas do jovem Malkaviano. - Uma mulher. Tudo é negro ao seu redor. Ela irá despertar o mal que dorme sob a terra. - Como ela é, Shun? Perguntou Hyoga preocupado. - Não o interrompa, Hyoga! Ele está no fundo da teia! Mu o repreendeu preocupado. Se Shun perdesse a concentração sua alma poderia não voltar das profundezas do pensamento Malkaviano poderia ficar preso nas sensações da teia para sempre. - Uma mulher, e ela vai liderar a libertação. Uma mulher, ela quer destruir tudo, quer vingança. Uma alma atormentada dorme no corpo de um artista e despertará buscando por vingança. - Ele vai morrer. Ele vai morrer. Antigo e heleno. Sua hora está chegando, ele sabe que vai morrer. - Será que é ela, Mu? Shaka iniciou o elo mental com Mu, referindo-se a Pandora. Mas quem serão as outras duas? Não consigo identificar a alma a quem ele se refere, está tudo muito escuro para mim... Heleno... Os gregos se chamavam Helenos há muitos séculos atrás... Mas qual deles iremos perder? Qual? Saga? Kannon? Julian? Aioros? Aioria? - Por Lilith, Shaka! Pode ser Pandora, mas como ela fará isso, vamos intervir? Alma... Vingança... Deve ser alguma encarnação ou algum espírito que pode possuir um vampiro, deve ser um espírito poderoso... Esse vampiro pode ser médium... Ou então... SER UM DOS NOSSOS! Mú arregalou os olhos. Podia ver que Shaka sabia algo que não compartilhara com ele. - Shun, tente ver o ataque... Quando ele virá? Shaka falou pausadamente enquanto abria seu pulso e o estendia na direção da boca de Shun. Seu sangue potente ajudaria o jovem a conseguir ver aquilo que nem ele conseguia enxergar na teia. Shun por sua vez deixou suas presas sobrenaturais à mostra e num ato de desespero bebeu daquele sangue como se sua vida dependesse daquilo, quase descontrolado, Hyoga e Mu precisaram afastá-lo de Shaka que agora se juntara a Shun no transe. Os dois malkavianos em transe andavam em circulo, falando palavras incompreensíveis em algum idioma que até mesmo Mu não conseguia compreender. Hyoga, coitado... Estava desesperado com a terrível cena que os videntes protagonizavam. Era assustador ver os dois com os olhos brancos, presas a mostra, falando desesperadamente numa língua que machucava seus ouvidos enquanto aumentavam o ritmo da caminhada circular. Os minutos se passavam e nada dos dois pararem, nada. Mu tentava captar algum sentido onde nada parecia fazer sentido. Foi então que Shaka e Shun soltaram um urro medonho caindo de costas no chão. Mu sabia o que fazer e correu na direção do vidente mais jovem: - Shun, o ataque! Fale sobre o ataque! Ele sacudia o corpo banhado em suor. Mas um suor a base de sangue. - Eles... Eles já estão aqui... Falou antes de desmaiar. - Shun! Gritou Hyoga enquanto afastava um atônito Mu de seu amigo. - Como eles entraram na cidade e nós não vimos nada, Shaka!? Mu gritou, sentindo-se inútil. Só então percebeu que Shaka ainda não havia voltado a seu corpo, estava desacordado. Shaka! Acorda! Ele correu na direção do corpo inerte, ajoelhando-se pegou o nos braços chacoalhando-o, estapeando seu rosto banhado em sangue. -o- Ruas semi-desertas na região metropolitana de Chicago. Kannon espreitava seu alimento. Um descuidado rapaz caminhava cambaleante entre os armazéns abandonados daquela região da cidade. Tolo. Mal sabia que morreria em poucos minutos. Dito e feito. Em questão de segundos, Kannon deixou seu esconderijo agarrando o pobre humano por trás. Sem nenhuma gentileza, tapou a boca dele para que não gritasse enquanto cravava as presas em seu pescoço e bebia com avidez a vida daquele homem. Quando sentiu que o coração do humano estava quase parando de bater, quebrou sem dificuldades o pescoço frágil daquele que lhe propiciara seu alimento. Era o quinto humano que matara naquela noite. O quinto! Fizera-o movido pela raiva contida na noite anterior, as palavras da neófita não o deixavam em paz e na ausência de paz ele decidira exercer sua crueldade. Certamente Saga ficaria possesso por ele ter cometido tamanha insensatez arriscando chamar a atenção para mortes tão estranhas numa mesma noite. Mas sinceramente? A ira do Príncipe era a última coisa que lhe preocupava no momento. Saga... Seu irmão, seu sangue. Eram tão iguais, mas tão diferentes. Saga sempre fora o centro de tudo, tudo! Kannon vivera sempre na sombra e com as sobras do irmão. Desde pequenos, quando mortais sempre fora assim e hoje não era diferente. Enquanto Saga era o Príncipe, ele era o Seneschal, o segundo em comando. Mas Saga... Saga era o primeiro, sempre. Saga se tornara um vampiro e odiava isso. Por que ELA escolhera Saga para abraçar e não a ele, Kannon? Por quê? A muito custo, Kannon embebedara o irmão já vampiro e o conduzira numa relação incestuosa. Kannon se lembrava dessa noite como se fosse hoje. Ao se dar conta do que fizera com o irmão, Saga ficou desesperado, sentindo-se culpado a ponto de... Quase se matar. O irmão mais velho tinha tendências suicidas quando se sentia fora do controle de sua vida, neste caso não mais uma vida, e sim uma existência como vampiro. E ele, Kannon, soubera manipular (muito bem) o irmão para que Saga também o transformasse em um vampiro. Mas... Droga. Kannon nunca teria os poderes de Saga, afinal de contas Saga fora abraçado por ELA. Ao longo dos anos, Kannon soubera manipular a culpa que o irmão sentia por terem tido aquela noite pecaminosa. Tanto que... Em poucos momentos em mais de dois mil anos eles haviam se separado por mais de dois ou três anos. Mas Kannon sempre sabia onde o mais velho estava, sempre. E agora... Quem se sentia culpado era Kannon. Tudo havia começado com as palavras da neófita na noite anterior. Não conseguiu encarar Saga depois daquilo, definitivamente não conseguira. Sabia que o irmão sempre evitava fazer qualquer coisa que o desagradasse, pois acabaria por se sentir culpado pelo incesto que cometera e Kannon sabia o que falar e como olhá-lo para despertar essa culpa que nunca o abandonaria. Mas não havia como negar. A estrela de Saga era mais brilhante que a sua própria e era hora de admitir isso e sim, ao contrário do que ela dissera, Kannon sabia o que era o amor. Era o que ele sentia por seu irmão. E se culpava por isso. Céus! Amar o próprio irmão? Desejá-lo tanto assim a ponto de induzi-lo a uma noite sem limites com seu igual? Aquilo era realmente doente e estivera guardando na parte mais intima do seu ser. Não, ele não vivera sua própria vida, vivera a vida do irmão. Vivera para controlar o irmão, sempre. O relacionamento dos dois com Verônica era apenas a ponta do iceberg. Saga amava aquela vadia e Kannon se colocara no caminho dos dois de forma nada sutil. Mostrara a Saga como era bom dominar e controlar e que nunca deveria ceder aos encantos da Lasombra e aquele jogo de poder e sedução se arrastara por tantos séculos! Saga estava a ponto de enlouquecer e... Quase se entregara ao sol da manhã na frente da biblioteca de Chicago. Kannon não se perdoaria se algo tivesse acontecido com seu irmão... Ele, em seu infinito egoísmo quase sentenciara aliada as palavras da Condessa foi a gota da água para que ele percebesse que não apenas havia errado com a pessoa que ele mais amava neste mundo, mas que, ele, Kannon, era responsável por grande parte desse sofrimento. E isso o deixava desesperado! Não, ele não conseguiria encarar Saga tão cedo, arrumaria uma desculpa e não compareceria a reunião do Conselho Primogênito. Sou uma criatura da noite. Sinistra, cruel, corrupta. Sou amaldiçoado pelo que faço, pelo que tenho, pelo que amo. Escondo minha verdadeira face em mantos densos, mas transparentes. Cada noite é parte de um ciclo de eterna maldição, de caça impiedosa a um objetivo desconhecido. E minha culpa é inegável. Sou Trevas. Alguma coisa acontecia dentro daquele coração estéril, seus pensamentos já não eram tão iguais aos de suas noites anteriores a presença de Gabrielle. -o- Chicago, Cobertura do Edifício Louis Joillet Kamus tranquilamente terminara de se vestir e seguira para seu escritório, a reunião emergencial do Conselho de Primogênitos de Chicago o obrigara a cancelar praticamente todos os compromissos da noite. Enquanto ele olhava para o vazio, ouviu uma leve batida na porta. - Entre. Falou sem esboçar nenhuma emoção. - Desculpe-me, se o interrompo, mas... Fiquei preocupada com a reunião que você terá esta noite, Duque. Falou a Condessa enquanto fechava a porta atrás de si. - Até quando me chamará de Duque, Gabrielle? Ele falou tentando ser um pouco mais simpático. - Perdoe-me, é um habito que deixarei de cultivar se o agradar, Kamus. Ela falou de modo afável. - Gabrielle, conversei com Saga, o intermediador de nossa união ontem, e apresentei-lhe os termos de nossa união. Este é o contrato que enviarei a Saga. Ele se levantou e entregou um calhamaço de papel a ela. Será registrado em nosso Diretório, gostaria de ter sua aprovação. Só precisará assinar na última página e rubricar as demais. Sente-se, por favor. Ele pediu delicadamente. Kamus sabia ser simpático quando queria. Ela se sentou e leu atentamente. Kamus a observava trabalhar como Ventrue. Neste ponto os dois eram exatamente iguais como todos daquele sangue. Kamus, os termos deste contrato estão muito acima das minhas expectativas e de certo modo lhe são prejudiciais. Por que me oferece tudo isso? Em termos Ventrue os valores eram mais do que respeitáveis, somando-se quase bilhão e meio de dólares, metade do patrimônio acumulado por Kamus ao longo de noites e noites de especulação em bolsas de valores, propriedades e obras de arte reunidas ao longo de seus mais de mil anos de vida. - Vou compensar sua mudança para Chicago e disposição em abrir mão de sua liberdade. Materialmente é o único modo pela qual posso fazê-lo, dado que, não tenho muito mais a oferecer-lhe. E de certo modo quem está ganhando sou eu, afinal de contas terei uma consorte que me ajudará a recuperar o que fui um dia. - Kamus, você espera muito de mim... Sabe que minha fortuna não é nem metade do que me oferece. Em termos Ventrue a Condessa poderia ser considerada uma investidora emergente com seus seiscentos milhões de dólares. Agregar aquele valor ao seu patrimônio pessoal a faria subir astronomicamente dentro do clã. E ela só esperava chegar naquele ponto dali a uns duzentos anos! - Seja apenas o quem é, Gabrielle. Sinto que conviver com alguém mais próximo dos humanos do que eu... Me ajudará. Não quero que se sinta ofendida, sei que minha oferta é mais do que generosa, mas sou bom em ganhar dinheiro, recuperarei essa soma investindo em novas tecnologias. Ele se aproximou dela, sentando-se a seu lado segurou sua mão quente. A Condessa usava seus poderes para realmente parecer humana e era bem sucedida nisso enquanto ele... Não fazia questão de simular uma respiração ou dar rubor a própria pele deixando-a quente como se ainda fosse vivo. Talvez fosse algo que devesse começar a fazer. - Adiantaria negar, Kamus? Ela sorriu. Até onde vi, você não gosta de ser contrariado. Só tenho uma cláusula a acrescentar e esta não pode ser colocada em contrato. - Não quer continuar a proteger o Toreador, quer? Ele falou com relativa antipatia. - Eu só queria que você não fosse tão duro com ele. Kamus, ele é um Toreador, e você sabe... Os Toreador não são como nós... Ela estava em um terreno bem delicado, como pedir a ele para não matar Milo? - Não posso garantir que nada irá acontecer a ele, realmente não posso! A voz dele era gélida e exalava ódio. - Kamus, eu te peço apenas tempo, só isso. Milo não é má pessoa... E eu... Eu tenho culpa pelo que aconteceu... Eu que dei a idéia dele te beijar e estacar, mas eu não sabia que... Kamus, me desculpe! Se você tem que odiar alguém que seja a mim e não ele! Desculpe... A voz dela quase desaparecera, mas agora se sentia mais aliviada. - Eu já imaginava que você tinha algo a ver com o ocorrido, por isso tentou de todas as formas protege-lo. Kamus jamais admitiria que soubera de todos os detalhes ao ler a mente de Gabrielle. Eu só queria entender por quê. Mas não quero falar sobre isso agora. Não nos levará a lugar algum e honestamente, Gabrielle... Você me surpreende. Confessar isso a mim? Eu poderia te matar por isso e não carregar nenhuma culpa diante de nossa sociedade, no entanto, não é o que desejo, sinto que se o fizesse carregaria mais uma culpa que não pode ser apagada de minha alma, culpa como a que sinto por não ter ouvido Ester me pedindo para não lutar... Egoísta como fui não dei atenção às palavras de minha filha e... Perdi... Perdi toda minha família! A voz começava a lhe faltar e ele sentiu os olhos ardendo, uma lágrima. Uma única e dolorida lágrima verdadeira em um canal lagrimal morto há tantos séculos. A mais rara das lágrimas nascida da mais profunda dor. - Me perdoe, Kamus... Eu não queria fazê-lo sofrer, eu não queria... Ela estava desesperada em ver aquele homem tão gélido se entregando a dor. - Você não me faz sofrer, Gabrielle... Eu sofro deste aquele dia... Sofro ao acordar a cada noite sabendo que eles não estão aqui, nunca mais estarão... Sofro ao lembrar que nunca mais sentirei o corpo de minha esposa... Nunca mais abraçarei meus filhos e lhes ensinarei a usar uma espada... Sofro ao pensar que Ester nunca se tornará uma bela mulher e uma esposa valiosa... Sofro quando penso no meu filho que nunca nasceu... Kamus estava desmoronando novamente. Era muita dor para um homem só. Eu só peço a você que me dê uma chance de recomeçar, só isso. Eu quero lembrar o que é o amor, o que é ter a ilusão de viver. - Kamus, não fale assim... Não escolhemos a quem amamos, não é uma opção que temos... Farei o possível para ajudá-lo, mas não... Não me peça algo que eu não posso te dar... - Era dolorido dizer aquilo. Eu só posso lhe mostrar o caminho, está bem? Se tiver que ser, será. Ela tocou aquela lágrima preciosa que escorria pelo rosto pálido e gelado de Kamus. Ele sorriu angustiado. Que assim seja, minha senhora. Farei o possível para que seja. Não creio que nossas existências tenham se cruzado a troco de nada. - Você chama um bilhão e meio de nada? Ela queria quebrar o clima pesado entre os dois. - Não é nada perto da sua disposição em me fazer querer ser quase humano. Ele concentrou parte de seu poder sobrenatural para simular uma respiração, aquilo era estranho. Há quanto tempo mesmo ele não fazia aquilo? Depois em dar algum tom de vida a sua pele. Aquilo era realmente revigorante, mas exigia uma boa concentração. Ele percebeu que ela o olhava incredulamente. Acho que tenho que me reacostumar com isso. Sorriu enquanto aproximava sua boca da dela iniciando um longo e demorado beijo desta vez com ambos simulando uma respiração como se fossem meros mortais. Era realmente agradável a sensação. Aqueles momentos estavam ficando cada vez mais excitantes. Uma batida na porta os interrompeu. Kamus sorriu como um adolescente quase pego em flagrante. Terminamos isso mais tarde? Falou sedutoramente. - Ah, sim. Sem dúvida! Ela respondeu ruborizada. Kamus era definitivamente uma caixa de surpresas. Ia do extremo gelo ao mais ardoroso amante em questão de... Minutos? Talvez ela devesse reconsiderar a relação dos dois. - Entre. Ele falou ajeitando o terno azul escuro. - Meu senhor, sua limusine está pronta. Disse o mordomo que percebera ter interrompido algo. - Descerei em quinze minutos, obrigado. O mordomo se retirou tão rapidamente quanto entrara. Kamus se levantou. A Condessa era realmente uma tentação e estava começando a mexer perigosamente com seus hormônios há muito inativos. Gabrielle, como metade de meus bens lhe pertencem agora, quero dizer, assim que assinar o contrato... Deixarei de participar de um jantar de negócios esta noite, se sua agenda permitir poderia comparecer a este compromisso em meu nome? Quero dizer, em nosso nome? - O farei com o maior prazer. Ela disse ajeitando os cabelos curtos enquanto ele lhe passava as coordenadas sobre os negócios que esperava realizar naquela noite. Nada muito complexo para ele, mas que a empolgara devido ao valor a ser negociado: a transferência de uma fábrica de componentes eletrônicos nos Estados Unidos para a China, uma tendência mundial. O jantar seria num bairro oriental numa cidade conturbada com Chicago. -o- Situação complicada de descrever onde acontece, Chicago. Kannon mandara seguir a primeira limusine que saiu do Edifício Louis Joillet. Perfeito. Kamus fora para a reunião do conselho primogênito. Colocara outro homem para vigiar a saída de um segundo veículo, este certamente seria da Condessa. Pouco mais de meia hora se passou até que ele recebesse a tão esperada ligação informando que outro veículo de propriedade de Kamus deixara o prédio. Mandou que o seguissem e sozinho em seu carro esporte conseguiu identificar a limusine branca na auto-estrada que levava até uma cidade satélite. Saga ligara duas vezes e Kannon não atendera. Mandara um ghoul informar ao irmão que ele tinha um compromisso naquela noite e que não poderia desmarcar, que a reunião dos primogênitos acontecesse sem sua presença. Obviamente que o irmão não gostara nenhum pouco, mas naquele momento Kannon estava mais preocupado em tentar mudar a imagem criada junto a Condessa, somente assim ele conseguiria o que realmente queria: ela. A limusine parou em frente a um requintando restaurante chinês. Parado a uma distância que não permitia que seu veículo chamasse atenção ele a viu descer usando um discreto vestido Dior, a marca preferida das poucas mulheres Ventrue que ele conhecia. Mesmo que fosse um modelo tão sóbrio parecia que em Gabrielle era algo realmente próximo do divino. Ela entrou no restaurante e sua limusine foi estacionada em uma rua próxima, ele teria alguns minutos de conversa com ela até que o carro chegasse. Kannon pacientemente abriu um laptop esperaria ela sair e enquanto isso... Iria brincar com suas bilionárias ações. Uma hora... Duas horas se passaram até que ela finalmente saiu. Ele jogou o laptop no banco ao lado e desceu do carro. Finalmente chegara o momento. Apertou o passo enquanto ela esperava o motorista chegar com a limusine. - Condessa... Que prazer encontrá-la aqui! Kannon falou tão logo ela percebeu sua aproximação. Gabrielle mal pode acreditar no que seus olhos viam. - Me seguindo novamente, Kannon? Ela falou irritada. - Desta vez, admito que sim. Ele sorriu encantadoramente. Pode me dar dois minutos de atenção? - O que posso fazer? Estou esperando meu motorista. - Quero te pedir desculpas. Ele fora direto. - Eu ouvi bem? Desculpas? Mas o que dera naquele homem? - Sim, desculpas. Não fui gentil contigo desde que nos conhecemos, desejo me retratar. - Mas o que é isso? Uma mudança de tática pra me conquistar? - Pode ser que funcione. Ele brincou. - Kannon, me desculpe, mas sou imune aos seus encantos. Mas que ele era bonito, sim, ele era. - Me desculpa ou não? - Não! Não adianta posar de arrependido, eu sou do Club e conheço essa técnica. - Você é? Olhe meu chaveiro. Nenhum nó em cânhamo. Deixei o Club antes de você. Ela olhou. Não, não podia ser. Ele fizera mesmo aquilo? Por quê? - Confesso que por essa eu não esperava. - O carro finalmente chegara e a conversa começava a ter um rumo perigoso. Tenho que ir, Kannon, mais dois compromissos me aguardam nessa noite. O motorista desceu da limusine cabisbaixo, Kannon achou estranho aquela atitude. Ao invés de se aproximar do carro, ele... Começou a correr. - CUIDADO! Ele gritou enquanto jogava seu corpo sobre o dela para protegê-la do impacto que estava por vir, o carro explodiu violentamente destruindo a frente do restaurante e arremessando Kannon agarrado a Gabrielle a quase cinco metros de distância. No momento da explosão, a única preocupação dele fora protegê-la. Como neófita uma explosão daquelas seria fatal e a levaria a morte final. Kannon ficou desesperado diante da pequena idéia dela morrer. Tão desesperado quanto ficou quando soube da loucura de Saga na frente da biblioteca de Chicago. Para ele aquela explosão não era quase nada devido a sua resistência sobrenatural avançadíssima. Uma especialidade dos Ventrue mais velhos. Gabrielle se contorcia de dor, devia ter quebrado algum osso do corpo. Não estava entendendo nada, só sentia o peso do corpo de Kannon sobre si. Sentiu um calor a envolvê-la, apesar da dor sentia-se protegida. - Você está bem? Ele murmurou. - Não... Acho que quebrei algumas costelas... Mas... Recupero-me... Ahhh... Tentou se mexer. - Minha perna... Quebrei a perna esquerda... - Não se mexa, eles, sejam lá quem forem, ainda estão por perto. Ele sussurrou em tom sério no ouvido dela. Você tem uma arma, não tem? - Tinha. Ela sussurrou nervosa. Estava na minha bolsa... - Tudo bem, eu tenho uma arma. Vou rolar pra direita e você tenta se arrastar para trás daquela parede quebrada ali, ok? Será que você consegue? Ele falou preocupado enquanto apontava um pedaço de concreto para ela se esconder. - Não sei, vou tentar... Ela murmurou tentando esconder a dor causada pelos ossos quebrados. - Você consegue, entendeu? Vou contar até três. Um, dois, três! Ele rolou para a direita em meio aos escombros da fachada do restaurante destruído, sacou duas pistolas presas ao corpo e começou a atirar na direção do beco onde a limusine estivera guardada. Como ele esperava, houve resposta, uma saraivada de balas veio em sua direção e ele avançou recebendo tiros que furavam seu terno semi-destruído, mas as balas... Elas ricocheteavam em seu corpo. Sua pele era sobrenaturalmente resistente à penetração daquelas miseras balas. Fosse quem fosse que tivesse feito aquilo, Kannon ia matar... Matar com gosto! Mas... Sua audição aguçada fez com que ele ouvisse Gabrielle gemendo ao se arrastar na direção do escombro que poderia protegê-la. Se uma explosão como aquela a tinha ferido, certamente alguma bala poderia machucá-la, ela era jovem e não tinha nem um quinto do poder que ele possuía. Droga, ele teria que deixar o acerto de contas para mais tarde. Dirigiu sua visão aguçada sobrenaturalmente para a escuridão do beco, eram oito vampiros. Oito vampiros que ele nunca vira na vida! Nem um anarquista, nenhum membro da Camarilla. Eles só poderiam ser... Sabbat. Kannon com prazer mirou no meio da testa de um deles. Pelo menos um ele tinha que pegar. Apertou o gatilho com gosto e acertou o maldito cujo cérebro espalhou-se na entrada do beco. Aquela precisão assustou os demais que trataram de recuar. Eles podiam estar em maior número, mas Kannon era mais forte. Sem pensar muito Kannon também recuou, mas tencionando buscar Gabrielle. Jogou uma das armas no chão deixando seu braço direito livre. - Segure-se no meu pescoço. Ordenou. Vamos! Assustada, obedeceu. Engoliu um gemido de dor quando ele se abaixou para pega-la no colo. Sua perna estava realmente quebrada e a fratura era exposta. Seu abdômen estava encolhido, mostrando que ela realmente fraturara mais do que algumas costelas, a pele estava queimada nos braços e pescoço. Kannon por sua vez estava inteiro, mas suas roupas... Completamente destruídas devido ao impacto da explosão e das balas que tomara no peito. Segure-se firme, Gabrielle! Ele gritou enquanto corria e apesar de recuarem, o bando Sabbat continuava atirando, desta vez pegando-o pelas costas. Foi com alívio que ele chegou até
o carro, abriu a porta do passageiro colocando-a no banco. Droga, o laptop
ali! Rapidamente atirou o equipamento no banco de trás e correu
na direção da porta do motorista. Como suas vestes estavam
destruídas ele perdera a chave do carro! Rapidamente arrancou alguns
fios do painel e fez uma ligação direta, engatou a marcha
e girou o volante enquanto o veiculo era atingido sem dó nem piedade
por mais balas. Gabrielle abaixa a cabeça! Gritou ao perceber
que os tiros estavam mais próximos. Os covardes saiam do beco para
atacar o carro e impedi-los de fugir. Kannon pisou fundo no acelerador
indo na direção dos tiros, ele era louco! Iria passar por
cima daqueles malditos. Quando perceberam que Kannon era realmente louco
e iria atropelá-los se jogaram nos escombros pelas calçadas.
O carro passou com tudo no meio do grupo, não pararam de atirar
até o carro sumir. Foi só então que Kannon notou que
uma das balas que atravessou o vidro do carro atingira a Condessa no pescoço,
o san
- Gabrielle! Fala comigo! Não dorme! Tinha que se preocupar em mantê-la acordada e dirigir o carro em velocidade para evitar uma perseguição, mas estranhamente eles não estavam sendo seguidos. Felizmente a auto-estrada estava próxima, mais alguns quarteirões e estariam a salvo. Doce ilusão. Uma barricada fora montada no acesso à auto-estrada que os conduziria a Chicago. Sim, o Sabbat estava marcando seu território. Kannon deu meia volta com o carro diante de uma nova onda de tiros. Por ali eles não conseguiriam passar. Tinha que pensar rápido. Por onde? Talvez um outro acesso um pouco mais distante ainda não estivesse tomado... Acelerou ainda mais o carro e deu meia volta. - Fodam-se os malditos, eu vou passar! Ele falou carregado de ódio. Iria destruir o carro, mas daria um jeito de passar e tinha que ser rápido, Gabrielle precisava de socorro se não iria encontrar a morte final. Aquela constatação desesperou Kannon e ao mesmo tempo deu lhe uma motivação descomunal. Ele iria passar por aquela barreira de qualquer jeito ou então seu nome não era Kannon! Parou o carro e acelerou, cantando os pneus procurando ganhar força para a arrancada. Tão logo arrancou em direção da barreira as balas de diversos calibres vieram na direção do veículo. A cerca de quinhentos metros estava a barreira feita com arame farpado e tambores que flamejavam indicando conter material inflável. Encarou a barreira como se seu olhar pudesse derretê-la tamanha era sua determinação. O impacto. A explosão. Mas seu nome ainda era Kannon e com o carro praticamente destruído passara e se ele havia dirigido como um louco, agora era a hora de mostrar que ele era mais do que isso, era insano. Não deixaria que ela morresse. Não. Não poderia perder aquela neófita teimosa, precisava entender por que ela estava mexendo tanto consigo. -o- Trigésimo Oitavo andar, prédio comercial no Centro de Chicago. Saga repassava mentalmente tudo o que diria na reunião emergencial do Conselho Primogênito. Levantou-se e caminhou até a vidraça. Aquele prédio era a última concepção em matéria de segurança e arquitetura. Era a representação perfeita do orgulho de Saga. Dali ele tomava todas as decisões relativas ao seu imenso império empresarial e principalmente à Camarilla. Sob seus olhos vislumbrou as luzes da cidade. Onde estaria Kannon? Em questão de minutos os Primogênitos começariam a chegar. O que diabos seu irmão estava aprontando? Kannon por mais indisciplinado e rebelde que fosse não costumava desaparecer na hora em que situações críticas os atingiam e o ataque Sabbat era algo mais do que crítico. Era uma luta de vida ou morte. -o- Parque de diversões, zona sul de Chicago. Acordar Shaka não fora nada fácil e Mu acabara por se atrasar ao encontro das harpias, suas harpias. Havia muito o que falar na reunião e ele mal sabia por onde começar, Chicago estava fervendo de novidades deste a have dos Brujah. Mu gostava de se reunir com suas harpias em lugares exóticos que não chamassem a atenção. Dessa vez escolhera um moderno parque de diversões para trocarem informações. Enquanto se dirigia a sala dos Espelhos, onde as harpias o aguardavam ele se questionava: Por onde começaria? Ah, sem dúvida pelos recém-chegados na cidade: os jovens que vieram de Seatle e trouxeram a humana que derrubou um Brujah na arena. Agora ela era gerente do Porão e Mu soube que ela tinha colocado uns quatro Brujah encrenqueiros para fora do lugar. Precisa saber os nomes deles, certamente uma de suas harpias saberia tais nomes. Mal educados. Precisavam de um tempo de ostracismo para aprenderem a se portar com dignidade. Ele devia comentar que percebera uma ponta de interesse de Aioria pela humana? Isso sim era algo digno de nota. Ah, sim. A Condessa. Essa neófita estava no centro de vários acontecimentos. Neófita Ventrue derruba Ancillae Brujah em arena, Mu podia até ver o nome da pauta... Não satisfeita com isso iria se unir a Kamus, numa daquelas tradições arcaicas dos Ventrue. Mu vira tais uniões poucas vezes em sua longa existência e todas elas eram por conveniência, todas, sem exceção. Não havia lugar para sentimentos entre os Ventrue, eram tão frios, tão formais, mas ultimamente... Eles estavam dando o que falar. E Mu falaria com gosto afinal de contas não era toda noite que os Ventrue tinham escândalos em seu Clã. Agora... Kamus. Ah sem dúvida boa parte da reunião seria dedicada aos comentários que seriam tecidos sobre ele. O sempre altivo e frio Ventrue fora vencido numa arena Brujah por um Toreador! Mas apesar de ter perdido, Kamus havia lutado para proteger a honra de sua consorte já que o Toreador, protegido de Aioria havia descaradamente se jogado em cima da noiva de Kamus. Como é perceptível o plano dos Ventrue deu certo e até mesmo Mu caíra nele. Um ponto a favor de Kamus, já que essa era uma demonstração de algo que os vampiros não costumavam ver nos Ventrue: sentimentos. Ficou bem claro para Mu que Kamus estava diferente ao lado da neófita e ele até arriscaria a dizer que essa união poderia ser diferente das outras poucas que ele vira entre os Ventrue. Shaka. Ikki. A briga dos dois já nem era novidade. Mas o que deveria ser severamente discutido era o fato dos dois terem entrado em um frenesi voluntário. Por mais que Mu tivesse muito respeito por Shaka ele não poderia evitar que as harpias espalhassem sua reprovação por tal comportamento. Falando em Shaka... Ele deveria estar se dirigindo à reunião dos Primogênitos naquele momento, mas antes deixaria Shun na Biblioteca Central. Shaka estava realmente perto de perder o controle e Mu não podia fazer nada a não ser... Torcer para que ele aprendesse a controlar sua Besta, para um vampiro tão velho com Shaka esse era um dilema e tanto. Na noite anterior Afrodite lhe dissera que desejava tornar público o fato de ter escolhido Milo como seu Whip. Afrodite era realmente esperto. Não poderia ter feito uma escolha que causaria mais impacto naquele momento, afinal de contas em Chicago o assunto preferido era: Quem é Milo? Quem é aquele grego que derrotou o matador de garous numa arena? Bom, agora ele seria o Whip do segundo clã mais poderoso de Chicago. Mas o que Afrodite não lhe dissera, Mu soube por um Toreador que estava doido para conquistar sua simpatia: Afrodite estava tendo um caso com Milo, ou pelo menos havia começado um caso que prometia ser motivo de muitas fofocas pela cidade. Essa era a força do clã Toreador. Estar sempre em evidência e Afrodite era ótimo em promover seu nome e sua família. Pandora. Essa mulher era um mistério e pelo menos a ele ficou claro que Ikki estava mais do que atraído pela belíssima Mestra de Harpias alemã. Mu não poderia contar as suas queridas harpias o que sentia em relação a essa mulher, simplesmente não podia, mas daria um jeito de colocar todos atentos ao mais leve passo dela em Chicago. Então era verdade que Verônica tinha mesmo um caso com Aioros? Varias pessoas lhe contaram sobre o fogoso beijo que a dona do Masquerade trocou com o Ancião Brujah em público. Verônica era mais do que esperta e se fizera isso em público era por que realmente desejava tornar notório o relacionamento com Aioros. Uma escolha um tanto quanto interessante já que no jogo de poder em Chicago, Verônica e Aioros gozavam de posições muito cômodas. Mesmo com a fama de anarquista, ninguém era besta o suficiente para se meter com aquele grego. Não. Definitivamente Mu não deveria comentar sobre o interesse que vira Kannon nutrir pela Condessa. Aquilo ainda ira gerar um problema e ele queria ver até que ponto Kannon iria para ter o que desejava. Os Ventrue realmente estavam colocando as mangas de fora. O Sabbat. Não. Não falaria a respeito do iminente ataque a cidade. Falaria apenas depois da reunião do Conselho Primogênito quando recebesse as coordenadas do Príncipe. Geralmente Mu era convidado a participar de tais reuniões, mas dessa vez o assunto era tão sério que apenas os mais velhos foram chamados. E ainda havia os eventos futuros para comentar: O grande baile de máscaras dos Toreador, a reunião do conselho mundial das Harpias e qual seria a data escolhida pelos Ventrue para a união do Duque e da Condessa? Os Ventrue conseguiriam superar o brilho do baile dos Toreador? Quem teria convidados mais importantes? Seria capaz o iminente ataque do Sabbat de alterar a rotina das celebrações da Camarilla? Mu esperava que não. -o- Trigésimo Oitavo andar, prédio comercial no Centro de Chicago. Um a um, os primogênitos adentraram a sala que costumeiramente era usada para suas reuniões. Sempre pontual e discreto, Shura foi o primeiro a chegar, seguido por Kamus, Aioria e Afrodite. Estranhamente Shaka chegara atrasado. Tão logo foi comunicado a Saga que todos estavam aguardando-o na sala de reuniões com seu passo forte e elegante, entrou no ambiente e sem delongas se dirigiu aos representantes das famílias leais a Camarilla: - Gostaria de desejar boa noite a todos, mas o motivo pela qual convoquei extraordinariamente o Conselho não é nada agradável. Seremos atacados pelo nosso maior inimigo, por aqueles que desprezam toda a ordem que a Camarilla prega. Isso já é de prévio conhecimento dos senhores. Esta noite cabe a nós trabalharmos as estratégias que serão usadas para proteger nosso território. - Os Brujah não serão usados como escudo diante deste ataque, Saga Aioria falou calmamente. Normalmente somos nós que ficamos na linha de frente, mas desta vez, será diferente. - Não se trata de uma coterie do Sabbat, Primogênito Brujah. Trata-se de um ataque em massa, como já é de seu conhecimento. Quem é leal a Camarilla irá lutar ou então pedirei que deixe a cidade. Fui claro? Saga falou sem alterar o tom de voz, mas intimamente querendo voar no pescoço de Aioria. - Colocando as coisas de tal maneira, foi claro. Acredito então que todas as famílias deverão lutar frente ao ataque, correto? Aioria não desistia. Os demais se fossem vivos estariam prendendo a respiração diante de tanta ousadia. - Sim, todas as famílias deverão lutar. Deverão disponibilizar os recursos que tiverem disponíveis para o fundo de defesa da cidade e enviarem ghouls e os mais hábeis combatentes que tiverem para a frente de batalha. Nosso inimigo não espera por isso. Ele espera que apenas um ou outro clã lute e não todos juntos de uma vez. Desde modo podemos reduzir as noites em combates usando o braço vampírico e também atacarmos refúgios durante o dia usando nossos ghouls. - Saga, minha família pode disponibilizar recursos, como por exemplo, abafarmos quaisquer quebras de Máscara que ocorram durante os combates, mas nós não somos conhecidos por sermos guerreiros. Afrodite interveio. - Não. Eu não aceitarei que os Toreador fiquem no conforto de suas mansões enquanto os demais clãs lutam. Escolha entre os de seu sangue aqueles que deverão receber treinamento para lutar, pois habilidades vocês tem sim, só não querem sujas as mãos. Saga falara tão objetivamente que Afrodite não pode retrucar. Um dos seus já demonstrou que é possível usar os dons do sangue Toreador para combater, vocês irão lutar, isso não é passível de discussão, só escolham quem irá lutar. - Muito bem, Saga. Assim será feito. Meu whip, Milo realmente possui aptidões para combates, ele irá coordenar o treinamento dos Toreador que irão combater. Mas mesmo assim, antes de tudo, somos Toreador e não guerreiros como muitos Ventrue, Brujah, Nosferatu e Malkavianos. Milo precisará de uma orientação melhor para que haja aproveitamento e não percamos vidas nos combates. - Milo? Seu whip, Afrodite? Aioria questionou surpreso. Até algumas noites atrás, você nem sabia quem ele era e agora coloca o rapaz debaixo das suas asas? Você realmente me surpreende. - Tomarei isso como um elogio, Aioria. Já que é tão próximo a Milo, por que você não o treina? - Não há necessidade. Eu o farei. Kamus interrompeu e todos os presentes não contiveram a surpresa. Por que estão surpresos? É uma demonstração de minha parte de que não nutro nenhum rancor por nosso combate na arena dos Brujah. Até onde me lembro, segundo as tradições dos Brujah, e Aioria está aqui para me corrigir, não se deve levar os resultados das arenas para fora. O que aconteceu ali, ali fica. Kamus era realmente ótimo! Saga mal conseguia acreditar na manobra de seu companheiro de Clã. Seria perfeito ter o Toreador por perto em tempos de guerra, em uma incursão de campo, Kamus poderia acidentalmente fazê-lo desaparecer. Nem ele havia pensado nisso. - Kamus está certo, Afrodite. O que aconteceu ali, ali fica. Qualquer um pode desafiar ou ser desafiado e o resultado morre no final da noite. Obviamente não podemos conter os comentários a respeito dos resultados, mas quem luta tem que ter o compromisso de deixar na arena qualquer sentimento. Se não fosse assim, nós, Brujah não existiríamos tamanhas as brigas que se estenderiam. Se você tem um problema, resolva na arena e ponto final. - Peça a seu whip para me procurar, Afrodite. E assim iniciaremos o treinamento dele. Kamus completou sem emoção alguma na voz. Eles entraram então nos detalhes a respeito da proteção da cidade. O Sabbat podia ser violento quando queria e a Camarilla precisava estar preparada para o pior. -o- Biblioteca Central de Chicago. Shaka havia deixado Shun e Hyoga na porta da biblioteca, os dois esperavam Seiya, Shiryu e Marin que possivelmente chegariam juntos. Pra variar eles estavam atrasados. Para passar o tempo, os dois se sentaram na praça da biblioteca e resolveram se distrair com um baralho. Shun adorava ir até a biblioteca. Se ele pudesse passaria mais tempo ali estudando aqueles livros estranhos sobre a História das Treze Famílias. Mas antes precisava aprender aqueles idiomas estranhos para ler sozinho os livros, dado que dependia da disponibilidade de Shaka ou Mu para ler em idiomas que ele, nem de longe havia sonhado que existiam. Embora soubesse que o lugar era seguro, Shun se sentia observado, vez ou outra olhava para os lados procurando alguém. Desde que chegara naquela cidade ele se sentia assim. Mas naquele momento sua sensação era mais forte. - Shun, é a sua vez. Falou Hyoga interrompendo seus devaneios. - Oh, desculpe! Ele sorriu. Fiz você esperar muito? Ele falou enquanto pegava uma carta no monte. - Não mais do que Seiya, Marin e Shiryu! Ele sorriu. Shun era tão distraído! - Hyoga, acho que são eles! E apontou para uma esquina onde três motos barulhentas acabavam de virar. E de fato, eram os três, absurdamente atrasados. Os dois esqueceram o carteado e correram na direção dos três que estacionavam as motos próximas a entrada lateral da biblioteca. Uma onda de tiros interrompeu a chegada de Shun e Hyoga aos três que haviam acabado de tirar os capacetes. Sem entender nada, Seiya e Shiryu foram rápidos e se colocaram atrás das motos. Mas Marin não teve a mesma sorte, ou melhor, não tinha os mesmos poderes que os dois jovens Brujah que ao perceberem os tiros usaram de sua velocidade sobrenatural para se esconderem. A humana fora atingida por várias balas nas costas e caíra como uma tábua no asfalto. Segundos se passaram, tão rápido quanto começou, acabou. As balas pararam. E antes mesmo que eles percebessem isso, Seiya já estava colado em Marin. Shiryu tentando manter a calma pediu ao desconsolado amigo que não a mexesse, os feridos eram graves. Confusos eles não conseguiam pensar no que fazer. Foi então que uma figura masculina surgiu, afastando os quatro do corpo de Marin. Aioros colocou a mão no pescoço ensangüentado de Marin. Sua pulsação estava por um fio. Estudou a gravidade dos ferimentos. Ela fora atingida em vários órgãos vitais. Quem quer que tenha atirado, atirou nela para matar. Ele não tinha muito tempo. Não podia pensar duas vezes, tinha que abraçá-la e transformá-la, caso contrário ela morreria. Mas havia um grande risco, ela talvez não suportasse a transformação, os dados eram muito extensos. Mas ele tinha ao menos que tentar, por Aioria. Sob os olhares espantados dos quatro jovens, ele se entregou a maldição e expôs seus longos e afiados caninos, os olhos adquiriram um tom ameaçador, a mácula do predador. E ele a mordeu no pescoço sugando o pouco sangue que restava no corpo dela. Com as unhas crescidas e afiadas ele cortou o pulso, abrindo a boca dela, já desacordada. Apertou o próprio pulso para que mais de seu sangue jorrasse na boca dela, mas ela não estava respondendo. Aioros rezou internamente para que desse certo. Os segundo eram ainda mais longos, Marin não respondia. Seu corpo continuava inerte. Por Deus. Ele tinha que salvá-la! Aioria não suportaria tal perda. Num dos prédios ao lado oposto de onde os
tiros vieram um solitário vampiro se deliciava com a cena a sua
frente. Máscara da Morte acendia mais um cigarro, satisfeito com
o resultado de seu plano. E agora ele torcia para que Aioros salvasse a
humana queridinha de Aioria. Assim ele mataria dois coelhos com uma cajadada
só. Era bom demais para ser verdade!
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