World of Darkness by Nuriko Riki Alexiel
CAPÍTULO VIII - Segredos Sombrios

Chicago, Clube Masquerade, 01:40 da madrugada.

Os dois entraram na sala vip em silêncio absoluto, o clima de tensão pairava no ar. Enquanto Aioros esboçava um singular ar de felicidade, Saga estava impassível se controlando. Ele se sentou e indicou um lugar para o Brujah que ainda não escondia seu ar de satisfação. – Você me paga, Aioros. – Pensou, enquanto lançava seu típico sorriso educado, diplomático.

- Os Nosferatu não quiseram entrar em detalhes, Aioros. Houve ataques de coteries do Sabbat no território anarquista, não é?

- Sim. Já há algum tempo temos sofrido ataques. Mas não é por isso que vim. Podemos lidar muito bem com um ou outro ataque. – Ele respondeu mostrando que o assunto realmente não o preocupava.

- Mas então... Se não é por isso... Por que veio? – Saga estava começando a se preocupar.

- Vamos sofrer uma invasão em massa. É por isso que vim.

- O QUÊ? – Saga se levantou e passou as mãos nos cabelos. – Eles não teriam coragem de me desafiar! Todos sabem que Chicago é uma cidade onde a Camarilla é inabalável, um ataque do Sabbat estaria fadado ao fracasso! Que absurdo! Não me faça rir, Aioros.

- Exatamente por você ser o Príncipe é que o Sabbat vai invadir. Dessa vez, não enviarão somente neófitos. Virão com o que têm de melhor: anciões Tzimisce e Lasombra. Querem a sua cabeça por ter matado Monçada, porém... Não é só isso. Não sei como... Mas eles descobriram que você só conseguiu matá-lo por que Verônica o ajudou. Entendeu a gravidade da situação?

- Como eles poderiam ter descoberto isso?

- Como descobriram? Eu não sei dizer. Mas me pediram a cabeça de Verônica e a sua, claro. Assim, eles não atacariam a cidade.

- E por que você não faz o que eles pediram, Aioros? – Saga perguntou com ironia.

Aioros tocou a armação de metal dos óculos. Tirou-os. Levantou-se ficando a poucos centímetros de Saga.

- Existe um equilíbrio delicado nessa cidade. Não concordo com a ideologia do Sabbat, nem tão pouco da Camarilla, mas se em algum momento eu tivesse que escolher, escolheria o lado que ao menos não deixa esse lugar ser tão miserável como muitas cidades dominadas pela bestialidade do Sabbat. Esse é meu lado racional falando, Saga... Mas ainda existe Verônica. Enquanto eu estiver "vivo" não vou deixar ninguém, absolutamente ninguém fazer mal a ela. – Ele colocou os óculos novamente, mantendo sua postura firme, decidida.

Saga ouvia sem acreditar. Preferira ao longo de sua existência odiar do fundo do seu coração aquele Brujah bem a sua frente. Mas aquilo realmente lhe quebrara as pernas. Se Aioros quisesse poderia tê-lo apunhalado e cedido ao apelo do inimigo. Mas, ao contrário, estava ali na sua frente entregando o plano do adversário. Por essa ele realmente não esperava.

- Creio que terei que convocar uma reunião do Conselho Primogênito, Aioros. Esse assunto é sério demais para que eu tome uma decisão sozinho. Apenas peço a você que omita o detalhe referente à Verônica. Se necessário for, vou abdicar do Principado.

- Você? Abdicar? Abrir mão do controle da cidade? Não. Não acredito nisso. E também não acredito que o Sabbat deixe de atacar só por que você deixou o controle da cidade. Saga, eles querem você e Verônica. Não vão descansar enquanto não matá-los, entende? Todos sabem que Chicago é a SUA cidade e nada me tira da cabeça de que eles vão causar danos irreparáveis à estrutura física de Chicago.

- Às vezes o anonimato pode ser melhor do que a fama de ser o Príncipe. – Falou de modo reticente como se não tivesse ouvido o discurso de Aioros. – Mas... Diga-me, como eles chegaram até você? Como ficou sabendo disso tudo?

Saga... Sempre escorregadio... – Pensou o Brujah.

- Fiz algumas videoconferências com algumas lideranças de peso do Sabbat. Eles querem saber de que lado os anarquistas ficariam. Mas já os fiz saber que não haverá lado, nem acordo. Se invadirem como prometeram, vamos lutar, defender o que é nosso. Mas não vamos morrer pela sua Camarilla, deixo bem claro.

- Faz sentido. Veio apenas por causa de Verônica, não é? Mas que pergunta tola. É óbvio que sim. E eu que pensei que você tinha criado juízo nessa cabeça! Por que você não para com essas bobagens e não se junta a Camarilla, Aioros?

- Já discutimos isso tantas vezes... Preciso repetir que a Camarilla é uma forma de opressão, de controle? Não concordo com isso. Nunca concordei. Também não concordo que me chamem de anarquista, pois sou apenas um homem que tem seus ideais, não sou mais um soldado manipulado lutando por uma causa. Causas não existem. Existem formas de controle! Não sou líder de anarquistas como você tanto faz questão de repetir. Sou apenas Aioros. E isso me basta!

- Não me faça rir, Aioros. Os anarquistas te veneram, te seguem! E isso não é controle? – Saga sabia que esse assunto irritava profundamente o Brujah.

- Eles fazem o que acreditam. O que acham que está certo. Eu nunca dei ordens a eles, nunca. Se me pedem conselhos, eu dou, apenas isso. Se quiserem que eu os represente junto a você, o faço. Mas eles decidem, e não eu.

- Não adianta. Você não me convence. – Saga sentou-se sem esconder o sorriso. Contrariar Aioros era divertido.

- Você é mais teimoso que uma mula, Saga! Bem, se eu vou entrar nas suas provocações não sairei daqui hoje. Existe mais um detalhe... Sendo o mais delicado de todos... O Sabbat está em busca de alguém que, segundo o livro de Nod carrega o símbolo da Gehenna, e ao que tudo indica... A estrela vermelha aponta para Chicago.

Saga arregalou os olhos, irritadíssimo.

- Isso já é demais! Não me diga que até você acredita nessas superstições idiotas! Isso por si só já seria motivo para você ser morto pela Camarilla, Aioros!

- Por isso eu nunca vou seguir sua seita idiota, Saga! Lendas são lendas, mas até aí, você ou eu somos considerados lendas e existimos! Não é algo passível de dúvida? Tenho sérias questões a respeito do que você chama de superstição. – Aioros falava com convicção. Era incrível. Eles nunca ficavam sem discutir!

- Tudo bem, Aioros. Nunca vamos chegar a um acordo mesmo! – Simulou uma respiração funda, ressentida. – Tenho sua palavra de que não irão se aliar ao Sabbat então?

- Sim, sem dúvida. Nenhum anarquista concordou em se aliar ao Sabbat. Mas também não iremos morrer em nome da Camarilla. – Aioros parou de falar, tocou a armação dos óculos. – Saga, eu poderia lutar ao lado da Camarilla, se você me entregar o corpo da minha senhora.

- Ela não é sua senhora! Ela é uma Ventrue! – Saga quase perdeu o controle. Eles iam se atracar, estavam realmente a um passo disso.

- O corpo dela é Brujah, homem do céu! Sabemos que ela diablerizou sua senhora!

- Mas minha senhora sempre ocupa o corpo daquela mulherzinha, ela venceu a disputa pelo controle do corpo, Aioros!

- Mentira! Tenho certeza de que é Saori que manda naquele corpo e não aquela carniceira!

- Isso nós só iremos saber quando "Elas" acordarem... – Saga falou tentando encerrar aquela discussão. Antes que partissem para agressões físicas.

- Vejo que não há um acordo. Lamento muito, Saga. Lamento mesmo. Principalmente por que você vai precisar de mim e o que te peço é um direito meu. – Apontou a mão para o peito, mostrando-se convicto. – Vou cuidar de Verônica e você cuide de sua cidade, de sua Camarilla e de sua política idiota.

- Adeus, Aioros. Se não nos encontrarmos mais, cuide mesmo de Verônica. – Saga falou deixando transparecer um leve peso que sentia em seu coração. A situação não era boa, talvez finalmente sua hora houvesse chego.

- Adeus, Saga. - Aioros estava quase perdendo a calma, virou-se abruptamente deixando o Ventrue na sala olhando para o vazio.

-o-

Chicago, Cobertura do Edifício Louis Joillet, 05:30 da madrugada

Gabrielle estava concentrada trabalhando em seu laptop quando sua paz foi interrompida pelo barulho incessante de seu celular tocando. Quem poderia ser? Já havia tratado tudo o que era necessário em sua mudança para Chicago... Olhou o celular: um número desconhecido. Atendia ou não?

- Alô!? – Falou com a voz seca.

- Condessa? É você? – Alguém perguntou do outro lado.

- Sim, eu mesma. Com quem falo? – Perguntou, ainda mais seca mostrando que não estava gostando daquela ligação.

- Bem, desculpa incomodar a essa hora, mas é que eu precisava falar com você. É o Milo, lembra de mim?

- MILO? – Ela colocou a mão na boca para conter seu próprio grito. Estaria em maus lençóis se Kamus desconfiasse que estava falando com o Toreador.

- Milo! Que bom que você ligou, estava desesperada atrás de notícias suas... – Ela se aproximou da porta para ter certeza de que ninguém a estava ouvindo do outro lado.

- Preciso falar com você, Condessa! Mas amanhã tenho uma reunião chata do meu clã para ir... Pode me encontrar antes dela? E... Como está o Kamus?

- Temos muito que conversar, Milo. Encontro-te sim, onde? – Pense rápido, Gabrielle... – Você precisa se preparar para a reunião. Encontro-te no shopping do centro, assim você experimenta alguns modelitos que eu escolher pra arrasar na reunião, o quê acha?

- Tudo bem, às oito e meia na entrada do shopping. Mas me diga, como está o Kamus?

- Está... Como estaria qualquer ancião Ventrue derrotado, Milo. – A voz dela soou pesada, não soube disfarçar a preocupação.

-o-

Chicago, Mansão Oresund, 20:00, noite seguinte.

Afrodite havia despertado muito antes do sol se pôr. Já naquela hora estava pronto para recepcionar a elite do Clã Toreador no grande Salão das Rosas.

Checou mais uma vez sua imagem no espelho. Nunca havia se acostumado com sua imagem sobrenatural, já era um homem bonito em vida, mas após seu abraço sua beleza... Tornou-se um fardo a ser carregado, e cada vez mais... Era pesado e desagradável.

Suas vestes eram bem cortadas em um veludo verde musgo, sua camisa branca repleta de perfeitos babados mostravam sua predileção pelas roupas vitorianas típicas do século dezenove. Um tempo em que ele fora muito feliz, mas cujas noites pertenciam ao passado, não voltavam mais. – Não vou me lamentar mais. – Sussurrou enquanto borrifava um pouco da uma de suas exóticas fragrâncias.

Olhou novamente no espelho ajeitando uma mecha rebelde de seu cabelo, finalmente pronto, resolveu conferir o trabalho dos lacaios no Salão das Rosas. Pegou seu leque e caminhou pelos longos corredores do subsolo da mansão que ele mesmo havia projetado e construído.

Em vida fora um talentoso engenheiro a serviço da coroa sueca. Sua habilidade em transformar simples construções em lugares quase vivos haviam atraído os olhos de um Toreador. Como se o seu talento não fosse o suficiente havia sua beleza, rara, única. Se ele soubesse o que iria viver, preferiria ter morrido naquela época.

Seus passos tranqüilos e divagações foram interrompidos por gritos ao longe. Afrodite já conseguia imaginar o que estava acontecendo. Aguçou ainda mais sua audição. Sim, era ELE. Depois de algumas semanas deixando-o em paz, ELE voltara para atormentá-lo e pelo visto mataria um ou dois criados antes de chegar a seus aposentos. Irritou-se.

Afrodite estava realmente cansado daquela situação. E o pior... É que ele mesmo havia criado todo aquele problema para si. Nunca deveria ter confiado naquele homem, nunca. Tudo bem que ele cumprira todas as ordens de Afrodite, mas... Não havia se livrado das provas que, se usadas contra o Toreador... Seria o seu fim: morte final. Estava fácil demais... Deveria ter desconfiado! Mas estava quase apaixonando por Ele. Em sua vida, Afrodite nunca havia se envolvido com homens, mas após tornar-se um vampiro... Não via mais diferença entre homens e mulheres. Desde que fossem belos, misteriosos, enigmáticos... Imaginativos. E Ele era assim, no começo.

- AFRODITE! – Ouviu Ele gritar enquanto se aproximava com aquele andar bandido, aquelas feições canalhas, belas, porém hoje lhe eram odiáveis.

Embora parado na frente do homem, Afrodite não se dignou a responder. Olhou-o com ar de superioridade e abriu seu leque virando o rosto para o outro lado. Sabia que aquilo iria irritá-lo profundamente.

- Olhe para mim, agora! – Ele disse, incomodado com o sempre presente ar esnobe do Toreador. – Se não olhar, vou destruir sua estufa de rosas! – Ameaçou, pois que aquele metido Toreador não olhava para ele?

- Destrua. Você o faria mesmo que eu atendesse seu "pedido". – Falou desafiante enquanto, contrariado, atendida a ordem do outro.

- Maldito! Você merece uma lição! – Ele deu um tapa no rosto de Afrodite, arremessando-o no chão. – Se continuar a me desafiar vou entregar todas as provas de que você "causou" o incêndio em Chicago! É isso que você quer? – E ele se jogou em cima do corpo de Afrodite, segurando-o pelos cabelos enquanto dava-lhe um tapa que dessa vez arrancou-lhe sangue do nariz.

Afrodite estava sentindo muita dor. Máscara da Morte era muito forte, um dos Brujah mais fortes de Chicago, seria o mais forte se não fosse pelos irmãos Aioros e Aioria. – Faça logo o que veio fazer e me deixe em paz, maldito! Eu te odeio! – Falou entre os dentes demonstrando todo o asco que sentia por aquele ser.

Máscara da Morte limitou-se a gargalhar, sarcástico como sempre. O Toreador era um de seus brinquedos favoritos. E pensar que tudo havia começado pouco antes do verão de 1871... Até então Máscara era o líder dos Brujah em Chicago e Afrodite havia chegado recentemente à cidade. Afrodite era exótico, diferente. Ele não soube explicar por que, mas algo no Toreador mexeu com ele quando percebeu estava fazendo todas as vontades daquela criatura tão linda.

Deitou sem delicadeza alguma o Toreador no chão gelado, segurando com apenas uma das mãos os pulsos do belo homem. Com a outra mão rasgou com sua força sobrenatural as vestes impecáveis de Afrodite, desnudado seu tórax. Máscara da Morte pegou-se admirando a perfeição andrógena daquele corpo, aquilo o excitava. Sentiu suas presas crescerem e deixou-se dominar pela fome, a necessidade de possuir aquele corpo, de beber aquele sangue doce.

Com pressa tirou a calça de veludo de Afrodite que mantinha seu rosto virado, fixado nalgum ponto na parede ao lado. Intimamente ele tentava pensar em outras coisas enquanto o Brujah preparava-o para a penetração. Ele sabia que iria doer e muito. Já antevia o sofrimento... Necessitaria de algum tempo para conseguir se regenerar antes da reunião de seu clã.

Não conseguiu conter um grito quando sentiu Máscara da Morte dar-lhe a primeira estocada, invadindo-o. Lágrimas de sangue escorriam fartamente de seus olhos, a dor física era incomensurável, mas a dor psicológica de ser submetido àquela chantagem era ainda maior.

Os gritos de Afrodite só o deixavam mais excitado. Estava com saudades de seu bibelô. Adorava penetrá-lo até dilacerar totalmente aquela entrada, essa era a vantagem de currar um vampiro. Máscara da Morte forçou o rosto de Afrodite. Queria ver sua expressão de dor, de vergonha, sua humilhação, ele resistiu, mas o Brujah era mais forte.

Sentiu que iria gozar, tornou os movimentos mais fortes, rápidos, intensos, Afrodite gritava, os olhos arregalados tamanha a dor que sentia, foi então que o Brujah explodiu dentro do corpo fragilizado do Toreador, suas feições animalescas e medonhas, voltaram a dar lugar aquele belo e másculo rosto italiano acompanhado de um semi-sorriso de prazer e contentamento em ver o pobre Afrodite se arrastar pelo chão tentando recolher os restos de suas vestes rasgadas.

Máscara chutou um pedaço de tecido na direção do Toreador que se encolhia em um canto, procurando uma posição confortável já que seu corpo estava tão machucado. – Você não presta, Afrodite! Por sua causa me tornei o que sou hoje! Não faça essa cara de vítima, por que a idéia de incendiar Chicago foi sua! Nunca vou te perdoar! – Falou terminando de vestir a calça. Nem se dera ao trabalho de tirar toda sua roupa.

Máscara da Morte em vida havia servido nas bases de uma família de mafiosos na Sicília. Não era mais do que um leva e trás, garoto de recados. Com isso conseguia dinheiro para sustentar sua mãe, já que seu pai, também um lacaio do baixo escalão da máfia havia morrido em uma emboscada.

Esperto, ambicioso, mas ainda assim, munido de senso de justiça e lealdade para com seus companheiros, ele ascendeu na hierarquia da família. Logo era responsável pelo contrabando de bebidas em toda a porção sul da Sicília. Foi então que ele começou a chamar a atenção dos vampiros. Um vampiro transformou Máscara da Morte em seu lacaio.

No começo ele achou tudo muito divertido, mas bastou encontrar sua mãe, uma mulher extremamente religiosa para que as coisas mudassem. Ela percebeu que o filho estava diferente, e achando que ele havia vendido a alma para o demônio morreu de desgosto. Isso balançou o rapaz que começou a odiar o vampiro a quem servia. Isso não passou despercebido a outro vampiro que com doces palavras soube cutucar exatamente onde machucava o mafioso para que ele traísse seu senhor.

Máscara ainda ghoul, mesmo sob laço de sangue e lealdade traiu seu senhor, sua vontade era de ferro. Como recompensa o Brujah a quem o ajudara o abraçou, mas Máscara da Morte sentia que não podia confiar naquele homem e armou um plano para matá-lo, e o fez. Mas... Deixou pistas e precisou abandonar a sua amada terra. Partiu para os Estados Unidos a fim de começar uma nova vida.

Perambulou durante um longo tempo pela costa leste até que resolveu se fixar em Chicago, um entreposto comercial em ascensão naquela época. Usou toda a sua experiência na máfia para organizar pequenos contrabandos, em pouco mais de 20 anos tornou-se o chefe da ilegalidade na Chicago na primeira metade do século dezenove. Apesar de lidar com coisas ilegais, ele era conhecido por ser um chefe justo, às vezes, bondoso com os que eram leais a ele. Com seus inimigos ou traidores ele era implacável.

Não havia nada nesse mundo que o fizesse confiar em vampiros. Suas experiências com vampiros haviam sido horríveis e ele evitava todo e qualquer contato com os de sua própria espécie. Mas os vampiros começaram a achar Chicago um lugar interessante e começaram a chegar e a formar sua própria sociedade, a Camarilla. Máscara da Morte começou a fazer negócios com eles, mas evitava maiores aproximações.

Foi então que pela primeira vez sentiu algo quente quase fazer seu coração bater: um Toreador sueco que chegara à cidade e vinha ter com ele atrás de trabalhadores para construírem seu refúgio. Ele perdeu o chão diante da beleza daquele sueco e quando se deu conta estava vivendo em função dos caprichos do Toreador.

Não teria se importado, se não tivesse descoberto que o sueco estava a traí-lo com uma mulherzinha qualquer, melhor dizendo, uma malkaviana que Máscara da Morte fez, silenciosamente, desaparecer. No mesmo período Afrodite veio com a idéia do incêndio... Ele estava tão cego pelo ódio que sem pensar duas vezes executou o pedido de Afrodite, mas não antes de... Reunir as provas que incriminariam o Toreador e o condenariam a morte.

De tudo o que ele havia feito como criminoso, nada lhe tirara o sono até o incêndio. Milhares de pessoas queimadas, mortas, por sua causa. Apesar de nem pouco correto, ele ainda tinha alguma honra, que perdeu completamente após esse evento. Por mais que se arrependesse, sentia a voz das pessoas que morreram queimadas em sua mente, vez ou outra tinha alucinações que mostravam os corpos decompostos de crianças chorando e tentando escapar do fogo. Não havia volta e ele tornou-se um mostro.

Deixou de lado coisas ilegais como o contrabando de bebidas e partiu para coisas mais pesadas e lucrativas ao longo dos anos: traficar armas, drogas e recentemente órgãos humanos. Tornou-se o rei do submundo e da violência de Chicago, um dos maiores responsável pela degradação e miséria da cidade. Ninguém, absolutamente ninguém tinha culhões para desafiá-lo e todos, sem exceção, queriam ser seu aliado. Inimigos declarados de Máscara da Morte não viviam, era um fato.

Ele estava de saco cheio dos irmãos Brujah que lhe tomaram o posto de Brujah mais poderoso da cidade, só que, precisava ter muita cautela para acabar com os dois, eram realmente fortes, e por isso, se juntou a Kannon e Saga, apesar de odiar os dois Ventrue com todas as suas forças. Primeiro se livraria de Aioros e Aioria, depois de Saga e Kannon, e tudo indicava que seu plano junto ao Sabbat estava dando certo, conseguiria riscar os quatro da face da terra!

Sorriu ante suas lembranças. Era difícil definir se o que sentia por Afrodite era mesmo ódio ou amor. Mas isso não importava. O Toreador pertencia a ele, seria seu até que ele enjoasse de seu brinquedo. Jogou um embrulho na direção de Afrodite.

- Tome, aí está a arma que me pediu. – Falou, completamente seco. – Não estou gostando dos seus encontros com aquela Ventrue brasileira, melhor você parar agora antes que eu resolva arrancar a cabeça dela.

- Se fizer isso, eu o mato com minhas próprias mãos. – Afrodite murmurou ameaçador tentando conter um gemido de dor ao tentar se sentar no chão.

- Então minhas fontes estão corretas... – Ele riu. – Pode esquecê-la, as aventuras da loirinha com você vão acabar por que além de te proibir de se deitar com ela, fiquei sabendo que veio para Chicago para se unir a Kamus, uma daquelas tradições frescas dos almofadinhas! – Ele se abaixou e pegou Afrodite pelo pescoço, erguendo-o contra a parede. – Se eu souber que ela o tocou de novo, ela morre, entendeu?

- S...i...m... – murmurou sentindo que seu pescoço poderia ser partido a qualquer momento. – Me sol...ta... – Máscara largou-o e novamente Afrodite encontrou o chão.

- Não me desafie, Afrodite. Nem pense nisso, capisco?

Afrodite ficou em silêncio, queria que o Brujah fosse embora logo. A dor que sentia era insuportável e sinceramente não agüentaria muito mais tempo na frente daquele monstro. Tudo sua culpa! Se não fosse tão ambicioso não teria usado o Brujah para incendiar Chicago... Mas sem isso... Não teria conseguido sua posição e fama como arquiteto ao reconstruir a cidade...

Finalmente Máscara da Morte virou-se para ir embora. Afrodite se arrastou rumo a seus aposentos, jogando-se na cama e se concentrado para se curar dos ferimentos causados pelo uso da força sobrenatural que o Brujah usara ao violentá-lo. Ele já havia perdido as contas de quantas vezes aquilo havia acontecido, mas ultimamente estava ficando mais difícil suportar aquelas cenas. Precisava realmente ir embora da cidade ou... Livrar-se de Máscara da Morte.

Já estava preparando seu sucessor: Milo. Apesar de haver outros Toreador mais capacitados e poderosos em Chicago, Afrodite não era tolo o suficiente para entregar de bandeja o poder a alguém que ele não pudesse influenciar mesmo que à distância. Sem contar que... Ele realmente gostava do rapaz. Era tão arrogante como Afrodite fora (e continuava sendo) um dia. Precisava encontrar uma forma de unir o útil ao agradável e seu plano já começara a ser executado pela Condessa junto ao Toreador, seu trabalho agora seria... Conquistar o afeto do jovem, mas tinha que ser cauteloso para não criar um impasse como criara com Máscara da Morte, era jovem na época... Cometera um erro.

Quanto a Condessa... Tinha ficado balançado com a humanidade da Ventrue. Fizera bem em se afastar dela antes que aquele sentimento evoluísse para algo que ele não pudesse controlar, e algo que ele odiava era perder o controle da situação, de seus sentimentos.

Aquela história sobre a Condessa e Kamus, só poderia ser um boato, uma mentira. Havia algo por trás, sem dúvida. Talvez fosse a solução encontrada pelos Ventrue para atenuar a derrota de Kamus, bem, com isso eles conseguiriam, sem dúvida. Sorriu consigo mesmo. Mas não tirariam os louros da vitória de Milo!

-o-

Chicago, Shopping Center na região central 20:30.

Milo chegara mais cedo que o combinado, estava ansioso. A Condessa chegara no horário marcado, fizeram festa sem serem nenhum pouco discretos na entrada do Shopping. Não havia vampiros lá (não que eles conhecessem) e poderiam conversar a vontade.

Falavam pelos cotovelos comentando sobre a vitória de Milo, e os acontecimentos da noite anterior. Milo arregalava os olhos a cada revelação da confusão que eles haviam causado. Nesta altura já haviam entrado numa loja de roupas masculinas e Milo experimentava alguns trajes.

Ninguém diria que os dois se conheciam a tão pouco tempo, tamanha era a sintonia entre eles. Gabrielle discursava sobre normas de etiqueta que ele deveria usar na reunião dos Toreador e mostrava caras de paisagem e tédio que ele deveria fazer enquanto estivesse na reunião de seu clã. Milo quase se contorcia de rir e a imitava.

Os dois evitaram falar diretamente sobre Kamus. O pouco que foi dito sobre o Ventrue era suficiente para se sentirem culpados. Gabrielle não teve coragem de contar a Milo, por respeito a Kamus que realmente haviam tocado em algo no fundo da alma do ancião. Apenas pediu a Milo que tivesse cuidado, pois Kamus iria revidar.

Já o Toreador... Sabia que os Ventrue eram reservados e caso se encontrasse com Kamus em algum evento social, iria se desculpar.

Foi então que Milo finalmente encontrou uma roupa que lhe agradou, e sua amiga ao vê-lo não conteve um longo assovio: ele vestia uma calça social em tom pastel e uma camisa num tecido sintético puxado para o dourado, mas ainda sim, sem ser berrante e sim suave, o suficiente para chamar a atenção para o corpo bem esculpido do grego. Por cima da camisa, um blazer no mesmo tom da calça, bem acinturado e justo com a gola da camisa a se sobressair.

- Agora só precisamos cuidar do seu cabelo e dos acessórios, querido! – Gabrielle falou empolgada enquanto Milo fazia caras e bocas para o espelho.

- Vou estourar meu cartão de crédito, Condessa! – Milo ria. Mas era verdade. Não tinha muitos recursos em Chicago, o que tinha eram suas economias que trouxe da Grécia e estavam acabando... – Sentiu um flash estourando em seu rosto. – Hei! Você está louca, mulher!? – Falou brincando.

- Só estou guardando uma recordação! – Ela riu, guardando a máquina digital. Mandaria a foto para um contato seu que faria com que ela chegasse a uma agência de modelos. Certamente Milo ganharia uma fortuna posando para fotos e influência. Se for para ficar no lugar de Afrodite ele precisava ser influente na alta sociedade... E nada melhor do que abrir as portas para esse mundo do que uma carreira de modelo!

Uma hora e meia depois deixaram o shopping. Milo estava deslumbrante em seu visual final, cabelos presos e escovados, usava um par de sapatos e cinto italiano, um relógio caríssimo que a Condessa fizera questão de presenteá-lo e o sobretudo preto para protegê-lo do frio.

Despediram-se e ela entrou em sua limusine enquanto ele pegou um táxi rumo à mansão de Afrodite.

- Seja o que Deus quiser, murmurou ao entrar no táxi.

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Chicago, Clube Masquerade, 10:00

Marin estava quase indo a loucura. Passara o dia todo no Porão colocando ordem no lugar. Pelo visto iria demorar muito para colocar ordem na casa.

Não iria abrir naquela noite, ainda tinha muito o quê arrumar para finalmente colocar o Porão para funcionar a todo vapor.

Seu trabalho teria sido mais fácil se ela não tivesse seus pensamentos vez ou outra tocados pela lembrança daquele vampiro. Tinha que reconhecer, ele era lindo e... Inteligente. Talvez um pouco arrogante, mas ainda assim, interessante.

- Droga, maldito vampiro! Deixa-me em paz, preciso trabalhar. – Repetia para si mesma ao longo de quase quatorze horas de trabalho consecutivo. Estava a beira de uma pane cerebral. Esticou-se na cadeira nenhum pouco confortável do cubículo que estava usando como escritório.

- Preciso de uma cerveja! – E se levantou rumo ao bar, deserto, escuro. Procurou no freezer uma latinha, havia poucas. Nota mental: fazer estoque de cerveja. Abriu e virou praticamente metade do conteúdo, respirando em seguida, feliz e satisfeita. Foi então que se sentiu observada. Fixou os olhos numa pilastra.

- Seja quem for você, saía daí agora. – Disse, já pegando a arma presa sob sua jaqueta jeans.

- Desculpe, vim ver se precisava de ajuda. – Disse uma voz que fez seu coração palpitar. Era ele! Estava realmente interessado nela.

- Você é um abusado, senhor vampiro. – Falou com desprezo evidente a última palavra. – Pode ir dando área que não preciso de você para organizar o meu Porão. – E seu coração ainda estava acelerado, bem que poderia deixá-lo ficar pra dar uns beijos nele. Mas ela sabia como eram os vampiros, ela ia acabar virando refeição dele, ainda mais se as histórias que ouviu a respeito de Aioria fossem verdadeiras...

- Uhhhhh tomei um fora. Ok. Um a zero pra você. Estou falando sério. Sem segundas intenções, só quero te ajudar. Num vou te transformar num saco de suco, te dou minha palavra. Desculpa entrar sem ser convidado... Eu ando por todo o Masquerade, num me impedem nem de entrar na sala vip.

- No dia em que eu puder acreditar num vampiro, mudo o meu nome. Deixe-me, saia por onde veio. Quando o Porão estiver funcionando você pode vir com seus amigos vampiros, e se brigarem aqui, coloco todos pra fora! Vai logo que tenho muito o quê fazer. – Finalizou sem delicadeza nenhuma enquanto arremessava a latinha de cerveja num cesto de lixo dirigindo um olhar intimidador para o vampiro.

Aioria queria mesmo ficar, mas a mocinha estava fazendo jogo duro. Ok, ele foi precipitado em demonstrar seu interesse por ela. Mas... Quem disse que ele estava conseguindo raciocinar com clareza?

- Tudo bem, você venceu. Mas eu volto. Vai me ver todas as noites nesse Porão. E se precisar de ajuda... – Ele saiu da escuridão e a olhou profundamente, ela estava realmente brava! – É só me ligar... – Deixou um cartão sobre o balcão e virou-se seguindo rumo à entrada que levava até a Elite.

Marin ficou um bom tempo parada vendo aquele homem maravilhoso se afastar. Repetia mentalmente para si que ele era um vampiro, e vampiros são sujos. Vampiros não prestam. Vampiros não têm sentimentos. Mas não estava adiantando muito.

Voltou pra seu cubículo escritório e mergulhou no trabalho.

Na Elite, um decepcionado Aioria se encostava ao bar, sendo logo em seguida abordado por um irritado Brujah.

- Fala Ikki.

- Aioria, quero ter uma conversa muito séria com Afrodite.

- Com quem você bateu boca dessa vez, Ikki?

- Com uma arrogante Toreador alemã que me deu uma bela fechada quando eu estava vindo pra cá.

- Ikki, você num tem mais nada a fazer? Bater boca com o Primogênito por causa de uma mulher que não sabe dirigir?

- Num é assim, Aioria. Ela me chamou pra um racha, e eu fui. Só que ela roubou e me fechou!

- Como é que é? – Aioria se fazia de sério, mas queria rir.

- Isso mesmo. Ela que veio atrás de mim, me desafiou, roubou e foi embora. Isso não pode ficar assim.

Aioria deu um safanão na cabeça do outro. – Resolve isso com a mulher, Ikki. Num vou levar birra sua pras futuras reuniões de primogênitos.

- Eu sabia que você ia dizer isso, seu velho chato do inferno! – Disse Ikki recuperando o bom humor. – De qualquer forma você já sabe... Essa Toreca é um perigo, num tem nada de delicada ou fresca!

- Qual o nome dela? – Perguntou Aioria, já sacando o interesse do amigo.

- Pandora. – Disse Ikki, tentando não mostrar que estava interessando. Tentando, mas sem sucesso.

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Chicago, Restaurante italiano na zona nobre da cidade, 10:30

Gabrielle finalmente havia chego a seu destino. Naquela noite ela jantaria com vários empresários americanos interessados em investir em suas empresas. Ela estava divinamente bem humorada apesar de todas as preocupações que a cercavam.

Sentia que Milo iria arrasar na reunião dos Toreador e aquilo era gratificante. Quanto a Kamus... Devia estar fazendo o mesmo que ela: negócios. Ventrue tinham isso em comum: trabalho e mais trabalho, um pouco mais de trabalho... E estavam felizes com muito trabalho!

Desceu na porta do restaurante, como era de costume todos os seres humanos olharam em sua direção, medindo-a de cima a baixo. Ela sorriu e caminhou para a recepção, sendo prontamente encaminhada a uma mesa num salão reservado nos fundos do restaurante. Mas em meio à caminhada ouviu uma voz arrogante logo atrás:

- Condessa... Mas que coincidência! Acabei de vê-la no shopping.

Gabrielle sentiu seu corpo estremecer levemente. Voltou-se na direção da voz: assim como ela, Kannon estava impecavelmente vestido. Era obvio que ele a havia seguido.

- De fato, senhor. É realmente agradável encontrá-lo aqui. Vieste também a negócios? – Disse estendendo a mão que ele sensualmente beijou. – Só essa que faltava. Esse Ventrue Maldito está dando em cima de mim! Não vou ser mais uma de suas conquistas, não vou! – Pensou enquanto ele a fitava com interesse.

- Sim, tenho negócios a tratar com a senhorita. Mas creio que podem esperar já que... Aqueles cavaleiros a aguardam na área privada de meu restaurante favorito. – E ele demonstrava claramente que estava no controle da situação.

- Gostaria de acompanhar-me? Isso se o senhor não se entediar em ouvir a respeito de meus negócios, que, acredito serem de seu total conhecimento. – Droga, malditas regras de etiqueta que a fariam passar a noite ao lado do Seneschal.

Maldita cidade! Por que ela tinha o dom de se meter em encrenca? Se ele a havia visto no shopping... Vira que estava com Milo... Kamus não poderia nem sonhar, ou melhor, ter pesadelos com aquilo! Pronto. Chantagem a vista.

- Ficaria lisonjeado em permanecer ao seu lado, senhorita. Principalmente para ter certeza de que está realmente em boa companhia, acredito que seu futuro consorte pense como eu. – Ele falou dando a braço a ela enquanto caminhavam para a sala reservada.

- É muito cavaleiro em se preocupar com minhas companhias, senhor. Mas acredite, eu as escolho muito bem e sei que meu futuro consorte concorda comigo. – Ela sorriu ao final da frase.

- Quer dizer que Kamus sabe que você anda com o homem que a desonrou e que ele enfrentou para defender sua honra? – Disse ele fazendo de conta que estava chocado. – Sabe também que você o presenteia? – Kannon realmente a havia seguido! Não, ele não a seguira... Ohhh não... Ele poderia usar o corpo de um mortal para saber de tantos detalhes!

- Sabe sim, Kannon. – Ela blefou. – Kamus me deu a palavra de não tocaria em Milo enquanto eu estivesse em Chicago, apenas encontrei Milo para dizer-lhe isso, por favor, sabemos a verdade por detrás dos panos... Sem ironias. Agora... Seria muito indelicado que meu futuro consorte soubesse que o senhor anda a me seguir... Isso realmente poderia deixá-lo aborrecido.

- Não era minha intenção aborrecê-la, senhorita... Apenas me concentrei nos fatos. Quanto a Kamus estar ciente... Desconhecia esse fato, desculpe-me pelo inconveniente, mas acredite, foi coincidência encontrá-la em MEU shopping center.

Finalmente a ficha dela caiu. Deveria imaginar que o mais luxuoso complexo de lojas de Chicago pertenceria a um Ventrue. Como fora tola! Será que tinha conseguido convencer Kannon?

- Eu é que lhe peço desculpas por acusá-lo injustamente. – Ela finalizou enquanto os empresários se levantam para cumprimentá-los.

-o-

Chicago, Cobertura do Edifício Louis Joillet, 10:40

- Onde ela está agora? – Perguntou com a voz inabalada.

- No restaurante italiano conforme a agenda, senhor Kamus.

- Mantenha-me informado. – Falou com voz de poucos amigos. O homem do outro lado da linha sabia que tinha que completar o que acabara de dizer. Às vezes sentia um medo irracional de Kamus.

- Há apenas um detalhe, senhor. – Falou, reticente.

- Diga. – Foi curto, quase grosso.

- O senhor Kannon chegou alguns minutos depois que a Condessa entrou no restaurante e se juntou a ela e aos convidados. Pela expressão dela... Não esperava por ele...

- Obrigado. Apenas observe, não se deixe notar. – E desligou o telefone, visivelmente irritado.

Ela teria que se explicar.

POR QUE havia se encontrado com Milo?

Apesar de promissora na Camarilla, a Condessa ainda era muito ingênua. Pensou que Kamus não iria colocar alguém no seu encalço para ter certeza de que ela estava cumprindo sua agenda?

E pelo visto... Saga e Kannon também estavam no encalço da garota. Precisava controlá-la para que um outro escândalo não viesse à tona. Já dera ordens a respeito dos preparativos para a união dos dois, o contrato estaria pronto para ser assinado em uma, no máximo duas noites. Depois deveria encenar durante a união, tudo muito simples, indolor, prático.

Quanto ao Toreador, não iria mantê-lo vivo. Precisava terminar com a vida dele, e logo. Talvez a solução mais imediata fosse contratar um assassino de aluguel. Teria que falar com Máscara da Morte.

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