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Chicago, dias atuais – aproximadamente meia-noite. - Não! Definitivamente não aceitarei o irmão de um anarquista como Primogênito Brujah. – Saga foi enfático. – Na minha cidade, não! - Meu Príncipe, Aioria foi Archon do Justicar Brujah por quase 100 anos. Só não se tornou Justicar por querer permanecer em Chicago. – Falou calmamente Shaka, o inabalável Primogênito Malkaviano. - Sem contar que ele controla praticamente todos os Brujah da América do Norte, eles o seguem como se fosse um Deus. – Completou Afrodite, o belíssimo Primogênito Toreador. - Eu compreendo as razões de Saga. – Defendeu Kamus, o Primogênito Ventrue. - Se Aioria foi aclamado pelo Clã Brujah, temos que aceita-lo. – Finalizou Mu, o Mestre das Harpias. - Saga, você precisa deixar essa disputa com Aioros de lado. Não aceitar o irmão dele pode gerar uma revolta dentro da Cidade e ameaçar a Máscara... Isso está chamando a atenção do Círculo Interno da Camarilla. – Observou Shura, o Primogênito Nosferatu. – Eu tenho informações a respeito e não são animadoras. O Nosferatu dera a cartada de misericórdia no Príncipe. E com exceção do seu sensato Primogênito Ventrue, os demais estavam favoráveis à decisão do Clã Brujah e isso inclua até mesmo o Mestre de Harpias. - Kannon, faça a cidade saber que eu, Saga, Príncipe de Chicago, aceito Aioria como Primogênito da Casa do Conhecimento. O Seneschal e braço direito do Príncipe, limitou-se a concordar com um gesto e em seguida se retirou da sala. - Por favor, Mu, use também suas harpias para espalham essa notícia pelo país. Não quero trazer problemas para Chicago, se bem que a presença de Aioria aqui já é um problema em si. Os poderosos vampiros sentados à mesa, se olharam. Embora seu regente fosse duro na queda, sabiam que ele não era um suicida político. Significaria acabar com sua regência não aceitar um dos Brujah mais conhecidos da América em seu conselho. Pelo contrário, a entrada do ex-archon Aioria mostraria para toda a América como Chicago era, sem dúvida, a cidade onde os mais poderosos e influentes vampiros do mundo residiam. - Quando Aioria se juntara a esse conselho? – Perguntou Kamus. - Imediatamente, se os senhores assim o quiserem. – Disse Mu, sacando seu celular. – Ele está lá fora com mais ou menos vinte Brujah esperando a decisão do conselho. Dessa vez os primogênitos se mexeram. Aioria era realmente ousado. - Eu não disse que ele é praticamente um anarquista? Se a resposta fosse “não” o que ele faria? Quebraria a Máscara? Nos atacaria? – Saga falou levantando-se da mesa. - Saga, você sabe que os Brujah sempre andam em grupo e até onde estou sabendo planejaram uma daquelas raves para hoje, depois da decisão do conselho. – Falou Shaka. - Liga logo pra esse infeliz, Mu. Manda-o subir. – Saga falou contrariado. Estavam no trigésimo oitavo andar do mais luxuoso prédio comercial de Chicago, bem no centro do poder do Clã Ventrue ali representado pelo Príncipe Saga, Kannon o Seneschal e o Primogênito Kamus. Mas eles eram apenas três nomes no clã mais poderoso da cidade, havia ainda outros como o magnata Julian Solo que, até onde se sabia, como Strategos dedicava-se mais aos afazeres Ventrue do que a própria Camarilla e Lady Kido, uma misteriosa Ventrue vista por muito poucos. Segundo alguns, ela fora abraçada no século VIII antes de Cristo e chegavam a dizer que ela era a própria Atena, em outras palavras, inspirara o mito da Deusa da Guerra. Boatos maldosos diziam também que Lady Kido não era uma Ventrue, mas boatos são boatos e as Harpias os adoram. Mu ligou. – Aioria, pode subir. - Vamos partir para a próxima pauta. – Falou o Príncipe. - Existem algumas crianças da noite que precisam ser apresentadas ao Príncipe. – Disse Afrodite. – Chegou de Atenas um jovem que deseja residir na cidade, seu nome é Milo, pertence a minha família embora esteja sempre andando com os Brujah e Gangrel. – Falou com um ar de evidente desaprovação. Uma batida se fez ouvir na porta. Kannon entrou. – Meu Príncipe, Aioria e outro cavaleiro pedem sua permissão para entrar no recinto. - Permissão concedida, Seneschal. – A voz de Saga era grave. A porta se abriu e uma figura que não combinava
em nada com aquele ambiente entrou. Ele usava um jeans surrado, uma camiseta
branca e uma jaqueta de couro repleta de pins. Não era possível
dar-lhe mais do que vinte e poucos anos, embora, aquele vampiro, possuísse
mais de dois milênios de existência. Seu rosto era másculo,
sua boca larga, sensual. Os olhos de um tom verde sobrenatural. Certamente
muitas esculturas da antiguidade poderiam ter sido baseadas em seu corpo.
Ele caminhou com tranqüilidade, colocando-se diante da enorme mesa
circular onde estavam sentados os vampiros mais poderosos de Chicago.
Ambos fizeram uma mesura ao conselho e Aioria se dirigiu a Saga: - Príncipe Saga, finalmente deixou de me evitar. Sinto-me lisonjeado. - Não o evitei, Aioria, apenas sou muito ocupado. - Creio que tenha tido muito tempo para pensar em me permitir ver Lady Kido, não? - Ela está em torpor há quase 300 anos, Aioria. - Pedi para vê-la há mais de 700 anos, Saga. - Você há de reconhecer que vivemos tempos difíceis nesses 700 anos. - Incrível como você não muda! Não vou perder meu tempo com você. Trouxe meu protegido pra te apresentar, assim os Algozes o deixam em paz e eu não quebro mais nenhum osso deles. - Você que andou espancando meus Algozes? - Espancando não, afastando eles do Milo, é diferente! - Aioria, creio que você poderia ter conversado com eles antes. – Falou Kamus que até então estivera calado. - Ah, francês, dá um tempo, tá? Se o seu Príncipe aí escolhesse vampiros com mais cérebro, eu até conversaria com eles, o problema é que eles estão tão condicionados a cumprirem as ordens desse aí que nem conseguem dialogar! O cérebro deles já virou pastel de feira. - Aioria, se não me engano, Milo é um Toreador, não? – Kamus olhou para Milo que o encarou, altivo e aquilo realmente incomodou o Ventrue. Olhou então para Afrodite. - Eu avisei que ele andava com os Brujah, Kamus. Ele não é da minha linhagem, pode ter certeza. – Falou também encarando Milo que demonstrava não estar nem aí para nenhum deles. - Senhores, creio que estamos perdendo o foco dessa reunião. – Falou Shaka. - Anda logo, Saga, e dá a permissão pro menino ficar na cidade. Eu me responsabilizo por ele. Nada pessoal, Afrodite. – Olhou para Afrodite e deu uma piscadinha camarada. - Seu nome é Milo, não? – Perguntou Saga olhando para o rapaz que não se intimidava com seu olhar inquisidor. – Mas é tão arrogante esse Toreadorzinho... Pensou. - Sim, Majestade. - De onde vens? - De Atenas, Majestade. - O que deseja em Chicago? - Começar uma vida nova. Permanecer em minha cidade natal era um risco para a Máscara, dado que fui abraçado há pouco mais de cinqüenta anos. - Consegue declarar perante mim e esse conselho as tradições da Camarilla, jovem Milo? - Sim, Majestade. - Comece, então. – Isso vai ser divertido. – Pensou. Milo olhou para Aioria que se limitou a sussurrar
– Vai Milo, do jeito que ensaiamos.
- A Primeira Tradição: A Máscara. Não revelarás tua verdadeira natureza àqueles que não sejam do Sangue. Ao fazer isto, renunciarás aos teus direitos de Sangue. - A Segunda Tradição: O Domínio. Teu domínio é de tua inteira responsabilidade. Todos os outros te devem respeito enquanto nele estiverem. Ninguém poderá desafiar tua palavra enquanto estiver em teu domínio. - A Terceira Tradição: A Progênie. Apenas com a permissão de teu ancião gerarás outro de tua raça. Se criares outro sem a permissão de teu ancião, tu e tua progênie sereis sacrificados. - A Quarta Tradição: A Responsabilidade. Aqueles que criares serão teus próprios filhos. Até que tua progênie seja liberada, tu os comandarás em todas as coisas. Os pecados de teus filhos recairão sobre ti. - A Quinta Tradição: A Hospitalidade. Honrarás o domínio de teu próximo. Quando chegares a uma cidade estrangeira, tu te apresentarás perante aquele que a gerir. Sem a palavra de aceitação, tu não és nada. - A Sexta Tradição: A Destruição. Tu és proibido de destruir outro de tua espécie. O direito de destruição pertence apenas ao teu Ancião. Apenas os mais Antigos entre vós convocarão a Caçada de Sangue. Enquanto recitou as Tradições, Milo manteve-se o tempo todo altivo, imponente. Muitos olhares admirados lhe foram dirigidos, pois apesar de jovem e estar na frente de vampiros tão poderosos ele não se mostrara intimidado. Saga estava realmente impressionado com a exatidão com que o rapaz recitara as tradições da Camarilla. Poucas vezes ele vira alguém fazê-lo sem gaguejar ou recorrer a ajuda de terceiros. - Seja bem vindo a Chicago, Milo. Mostrou que possui conhecimento e que seja um digno integrante da Torre de Marfim. - Saga, membros do conselho, se não tiverem nada importante a tratar tenho uma reunião de meu clã para presidir. - Chama um encontro barulhento e selvagem de reunião, Aioria? – Falou Saga em tom zombeteiro. - Se quiser participar será bem vindo à arena Brujah. – Estalou os dedos das mãos. – Você está velho e resmungão demais, Saga. - Mande lembranças minhas a Aioros e pode se retirar, não temos nada importante para tratar que exija sua presença. Isso vale para os demais membros do Conselho ao qual agradeço a presença nesta noite. – Saga se levantou da mesa e seu gesto foi imitado por todos que lentamente se retiraram do recinto. - Shaka? Mu? Vocês virão conosco? – Perguntou Aioria enquanto esperavam o elevador. - Sim, nós vamos! – Falaram juntos os Malkavianos.
– Não há lugar melhor para desenferrujar as juntas do que
a Arena de vocês. – Falou Shaka.
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