Capítulo IV - Deuses [ as ]
Kaori
não sabia o que fazer. O que era aquilo? Os cabelos pretos contornavam
o rosto angelical da garota que acabava de emergir das águas.
-
Ahhhhhhh!!! Bug! Bug! Bug! - PAFF! - O taco que a garota carregava conseguiu
fazer mais estrago que a marreta de Kaori contra Ryo.
-
Está louca, garota? E o que você está fazendo na minha
banheira e cadê meu porquinho e..
-
Belldandy... Onde você está??? - A garota saltou da banheira
e começou a correr feito louca por todo o apartamento. - Bell-sama,
eu estou aqui...
Kaori
não conseguia entender aquela cena... inusitada. Uma garota com
roupas estranhas, um tacape muito duro e chamando por uma tal de Belldandy:
-
Ei menina... Pode parar! Quem é que você está procurando?
Sem
achar a irmã que viajou tanto para ver, Skuld vê de uma janela
toda Tóquio reluzindo. Ali não era uma casa, mas sim um prédio.
Com certeza ela não estava no lugar certo.
-
Espera um pouquinho... Essa não é a casa da minha maninha
e eu tenho certeza que fiz as contas certinhas para chegar até lá.
Algo muito estranho está acontecendo. Será que força
máxima está com problemas por causa da falta da Urd?
...
A lua
era confidente do rubor que saltava do rosto de Hitomi; De rosto cabisbaixo,
sem coragem de levantar um milímetro sequer os olhos. Aqueles segundos,
milésimos de segundos... que eternidade parecia a espera.
Uma
leve brisa veio afagar o rosto da garota que de braços estendidos
oferecia o pingente que contaria os derradeiros segundos.
A
mão aveludada de Amano foi ao encontro do pingente.
-
Sim.
Hitomi
estava atônita, ele aceitara sua proposta. Tirou o agasalho e ficou
a postos na raia que decidiria seus desejos contidos.
-
Hitomi...
-
Hai!
-
Ganbare, e pise na frente!
Agora
Hitomi estava pronta. O que ambos não haviam percebido era que algo
de estranho estava acontecendo: Próximo as grades que circundavam
o ginásio alguns carros negros se aproximavam mansamente, com o
mínimo de ruídos possíveis.
Policiais
com óculos especiais de visão noturna já cercavam
toda a extensão do colégio e do complexo de atletismo.
-
Ichi... ni... san... Hajime!
O
pingente balançou uma vez.
As
pernas de Hitomi tomavam vida própria: Não sentia cansaço,
não pensava em nada mais, nem mesmo em Amano.
O
pingente balançou pela segunda vez.
Sentia
a pista em seu sangue, a sede da vitória, a garra de quem não
admite derrotas ou desilusões.
O
pingente balançou pela terceira vez.
As
nuvens acinzentadas confabulavam contra Hitomi, e escureceram a lua que
dantes era o luzeiro de Hitomi.
O
pingente balançou pela quarta vez.
Coriscos
luminosos trovoaram todos os céus, fazendo com que os olhos de Amano
se voltassem para a lua enegrecida.
O
pingente balançou pela quinta vez.
Os
policiais começaram a invadir a quadra, e de prontidão, tinham
todas suas armas apontadas para Amano.
O
pingente balançou pela sexta vez.
Mais
um raio sucedeu nos céus e rasgou os ares, correndo em direção
de Amano.
O
pingente balançou pela sétima vez.
Os
olhos de Hitomi não enxergavam nada além de um ponto longínquo,
negro onde formas rebuscadas perdiam-se no infinito.
O
pingente balançou pela oitava vez.
Um
pequeno objeto esférico caía pouca a frente de Hitomi, tirando
sua atenção.
O
pingente balançou pela nona vez.
Ao
bater contra o chão, raios luminosos inundaram as linhas da pista
e a própria Hitomi.
O
pingente balançou pela décima vez.
O
trovão encontrou seu destino, ouviram-se tiros e todas as luzes
se apagaram.