Ranma e Ryoga precisavam encontrar aquele bendito mapa que Kuno havia falado:  Se ele estivesse certo aquela pedra sagrada Num-sei-Q-lá poderia transformá-los definitivamente em homem e homem, não mais em mulher e porco.
       Ambos corriam, tinham de se apressar para chegar ao templo que Kuno disse antes da Kodachi.  Por que o Kuno tinha de dizer que aquela pedra também resolve problemas amorosos!!!
       O tempo também não estava muito bonito: Nuvens acinzentadas cobriam o céu, logo um pé d'água daqueles ia lavar a cidade.
       - Meu Ranma querido!!!
       - Droga... Kodachi! Vamos Ryoga, melhor a gente se apressar!
       - Ranma, onde você vai... Eu estou aqui!
       Kodachi só conseguiu vê-los dobrando a esquina.  E então, começou a chover.

Capítulo III - P-Chan

       Já havia anoitecido e Kaori ainda zanzava pela cidade a procura de Ryo e do perseguidor da tarde, nenhum sinal dos dois.  Ele nunca havia sumido por tanto tempo sem dar notícias...  Ele poderia estar preso, sendo torturado ou... morto!  Kaori já estava muito nervosa, suas mão tremiam ao volante a cada esquina que dobrava e não via Saeba.  O carro que há tinha perseguido também não deixou rastros; depois de conseguir despistá-la, Kaori não conseguiu achá-lo.
       Um trovão corta o céu anunciando a tempestade que estava chegando, ou melhor, que chegou.  A melhor coisa a ser feita era voltar para casa, Kaori estava cansada e um banho poderia ajudar a relaxar, e esperar.
       - Droga, um congestionamento a esta hora... O que será que aconteceu aí na frente? - Kaori desceu do carro e tentou atravessar a longa linha de carros que buzinavam sem parar.
       ...
       Ranma estava encharcado, ou melhor, encharcada.  P-chan estava sobre sua cabeça, o que atrapalhava um pouco as tentativas de fugir do bastão de Kodachi.
       - Por que você tinha que inventar de brigar logo agora, debaixo dessa chuva?
       - Você quem pediu!  Vamos, pra onde meu Ranma foi, sua ladra de namorados.
       - Eu não sou seu namorado, Kodachi!
       - Claro que não é... Só meu Saotome...  Agora, saia do meu caminho, ele é meu!
       Finalmente Kaori tinha conseguido chegar até o motivo que impedia o trânsito, duas garotas brigando; A confusão fez com que uma multidão enorme se aproximasse do local piorando um pouco mais a situação. Kaori não sabia muito bem o que fazer - nunca havia apartado uma briga entre duas garotas, no meio da rua, sob a chuva, sendo que uma delas tinha um porco na cabeça e a outra usava um maiô...
       - Ei, vocês duas... Parem ou estarão presas!
       - Oh ho ho ho ho ho ho! Presa? Kodachi Kuno nunca será pega. Garota de tranças, nós vamos acabar com isso depois!
       Com um salto de honras olímpicas, Kodachi se esquiva de uma investida de Ranma e parte por entre os carros.  Kaori estava extremamente confusa, meio apalermada até...  Ranma resolveu aproveitar a distração dela e também pulou no meio do trânsito caótico.  Só não percebeu que o pequeno P-Chan havia caído de sua cabeça e bateu de cara no chão.
       - Buiii, buí!
       - Coitado desse porquinho! Além de tumultuarem o trânsito ainda deixam esse bichinho pra trás.  Melhor eu levar ele senão ele acaba pegando um resfriado ou virando lamen.
       Depois de liberar o trânsito, Kaori pegou o porquinho e o pôs no carro.  P-Chan estava agitado, não queria ficar quieto... Arranhava o vidro do carro tentando sair.
       - Ei porquinho, você quer sair, é?  Se você for lá pra fora acaba morrendo.  É melhor eu te levar pro meu apartamento e tomar um banho bem quentinho!
       Nesse momento P-Chan ficou ainda mais agitado, seus olhos pareciam que iriam saltar e continuava a grunhir cada vez mais alto.
       Alguns minutos depois Kaori chegou no seu apartamento.  Tirou a blusa molhada e jogou num canto do quarto.  Abriu a torneira da banheira até completá-la com água bem quente - o banheiro já estava todo enfumaçado.  Terminou de tirar as roupas e foi até a sala pegar o porquinho.
       P-Chan estava encolhido sob uma almofada: - Que graça, até parece que está tentando se esconder. Vem cá, bichinho.
       Os olhos de P-Chan se abriram ainda mais quando viu aquela linda mulher nua, aproximando-o de seus seios.  Pelo jeito não era tal ruim assim ser porco, talvez fosse até melhor!
       Kaori abriu a porta do enfumaçado banheiro e sentou dentro da banheira, mergulhando seu corpo até o colo.
       - Porquinho, vem cá... Hora de tomar um banho quente. - P-Chan até tentou se esconder, mas não conseguiu.  Kaori o pegou, levantou os braços e... Mergulhou o porquinho no fundo da banheira.
       A água da banheira começou a borbulhar e se iluminar.  Algo estava emergindo e não era um porquinho.  Era algo... humano.

VOLTAR