Capítulo III - P-Chan
Já
havia anoitecido e Kaori ainda zanzava pela cidade a procura de Ryo e do
perseguidor da tarde, nenhum sinal dos dois. Ele nunca havia sumido
por tanto tempo sem dar notícias... Ele poderia estar preso,
sendo torturado ou... morto! Kaori já estava muito nervosa,
suas mão tremiam ao volante a cada esquina que dobrava e não
via Saeba. O carro que há tinha perseguido também não
deixou rastros; depois de conseguir despistá-la, Kaori não
conseguiu achá-lo.
Um
trovão corta o céu anunciando a tempestade que estava chegando,
ou melhor, que chegou. A melhor coisa a ser feita era voltar para
casa, Kaori estava cansada e um banho poderia ajudar a relaxar, e esperar.
-
Droga, um congestionamento a esta hora... O que será que aconteceu
aí na frente? - Kaori desceu do carro e tentou atravessar a longa
linha de carros que buzinavam sem parar.
...
Ranma
estava encharcado, ou melhor, encharcada. P-chan estava sobre sua
cabeça, o que atrapalhava um pouco as tentativas de fugir do bastão
de Kodachi.
-
Por que você tinha que inventar de brigar logo agora, debaixo dessa
chuva?
-
Você quem pediu! Vamos, pra onde meu Ranma foi, sua ladra de
namorados.
-
Eu não sou seu namorado, Kodachi!
-
Claro que não é... Só meu Saotome... Agora,
saia do meu caminho, ele é meu!
Finalmente
Kaori tinha conseguido chegar até o motivo que impedia o trânsito,
duas garotas brigando; A confusão fez com que uma multidão
enorme se aproximasse do local piorando um pouco mais a situação.
Kaori não sabia muito bem o que fazer - nunca havia apartado uma
briga entre duas garotas, no meio da rua, sob a chuva, sendo que uma delas
tinha um porco na cabeça e a outra usava um maiô...
-
Ei, vocês duas... Parem ou estarão presas!
-
Oh ho ho ho ho ho ho! Presa? Kodachi Kuno nunca será pega. Garota
de tranças, nós vamos acabar com isso depois!
Com
um salto de honras olímpicas, Kodachi se esquiva de uma investida
de Ranma e parte por entre os carros. Kaori estava extremamente confusa,
meio apalermada até... Ranma resolveu aproveitar a distração
dela e também pulou no meio do trânsito caótico.
Só não percebeu que o pequeno P-Chan havia caído de
sua cabeça e bateu de cara no chão.
-
Buiii, buí!
-
Coitado desse porquinho! Além de tumultuarem o trânsito ainda
deixam esse bichinho pra trás. Melhor eu levar ele senão
ele acaba pegando um resfriado ou virando lamen.
Depois
de liberar o trânsito, Kaori pegou o porquinho e o pôs no carro.
P-Chan estava agitado, não queria ficar quieto... Arranhava o vidro
do carro tentando sair.
-
Ei porquinho, você quer sair, é? Se você for lá
pra fora acaba morrendo. É melhor eu te levar pro meu apartamento
e tomar um banho bem quentinho!
Nesse
momento P-Chan ficou ainda mais agitado, seus olhos pareciam que iriam
saltar e continuava a grunhir cada vez mais alto.
Alguns
minutos depois Kaori chegou no seu apartamento. Tirou a blusa molhada
e jogou num canto do quarto. Abriu a torneira da banheira até
completá-la com água bem quente - o banheiro já estava
todo enfumaçado. Terminou de tirar as roupas e foi até
a sala pegar o porquinho.
P-Chan
estava encolhido sob uma almofada: - Que graça, até parece
que está tentando se esconder. Vem cá, bichinho.
Os
olhos de P-Chan se abriram ainda mais quando viu aquela linda mulher nua,
aproximando-o de seus seios. Pelo jeito não era tal ruim assim
ser porco, talvez fosse até melhor!
Kaori
abriu a porta do enfumaçado banheiro e sentou dentro da banheira,
mergulhando seu corpo até o colo.
-
Porquinho, vem cá... Hora de tomar um banho quente. - P-Chan até
tentou se esconder, mas não conseguiu. Kaori o pegou, levantou
os braços e... Mergulhou o porquinho no fundo da banheira.
A
água da banheira começou a borbulhar e se iluminar.
Algo estava emergindo e não era um porquinho. Era algo...
humano.