Capítulo II - Mokori-Sama
Yui
não conseguia entender nada. Onde estava Miaka? Num
piscar de olhos Miaka havia sumido, sem deixar rastros ou pistas.
Quando voltou os olhos para onde estava Miaka não havia mais nada
lá. Talvez tivesse seguido algum vendedor de guloseimas ou
tivesse visto alguma máquina de suco ou chá, ela com certeza
estaria bem; Yui estava atrasada e resolveu entrar logo na biblioteca.
O
sinal fechou. Os carros pararam e agora Yui poderia passar...
Mas parecia que o vento estava meio forte, fazendo com que sua saia levantasse
e quase batesse em seu rosto.
-
Olá pequena dama... Acho que não se importaria em liberar
um mokori pro papai aqui, não é?
Tenho
certeza que aquele tapa doeu muito... Com a marca de cinco dedos
ainda no rosto, ele nem percebeu quando Yui simplesmente deu de costas
e seguiu seu caminho; e também não conseguiu ver uma marreta
enorme de madeira se aproximando da sua cabeça.
PAAAF!
-
Ryo, seu cretino... Não é hora de você ficar correndo
atrás de rabo de saia... Vamos, que ainda precisamos proteger
a filha do governador!
-
Filha!!!!!! - Os olhos de Ryo se iluminaram só de imaginar uma jovem
mulher, linda, perfumada e sensual.
Uma
marretada mais, e ele seguia sua companheira como um cachorrinho de madame.
Entraram no carro e partiram em disparada para a sede do governo, na verdade,
já deveriam estar lá. Kaori já começa
a explicar o caso quando uma rajada de tiros quase acerta o carro.
Um carro negro está a frente, deixando-os pra trás.
Forçando um pouco mais o motor, Kaori tenta inutilmente alcançar
o carro para descobrir quem é o autor dos disparos.
-
Ryo, atire no pneu, ráp...
Ao
virar para o banco de passageiros percebeu que Ryo não estava lá
- Maldito, deve ter ficado lá, atrás de alguma garota...
...
A
frente de Ryo, lindos cabelos longos e cacheados escorriam sobre o ombro
de uma jovem de corpo esguio e delicado; Seu rosto ainda estava oculto
pelos cachos, mas Ryo não resistia.
-
Olá, será que a dama está ocupada?
Ao
virar, Ryo percebe que nem sempre está certo: - Desculpe, mas eu
não sou mulher...
A
primeiro momento, o rosto de traços simples e delicados poderia
enganar qualquer um; até mesmo a voz era levemente suave.
-
Er... Desculpe, quer dizer, foi só um mal entendido...
-
Tudo bem, isso sempre acontece comigo. Bom, deixe eu me apresentar:
Meu nome é Shun, e o seu?
-
Ryo... Mas agora eu tenho que ir... Adeus! - Meio atordoado ainda pelo
engano fatal que tinha feito, acaba tropeçando num buraco que estava
ao seu lado. Pelo jeito Ryo veria as obras do esgoto bem de perto,
mas não foi exatamente o que aconteceu.
Caiu,
mas não parou em lugar algum. A escuridão não
permitia que Ryo visse qualquer coisa e cada vez mais o buraco parecia
não ter fim: Nem chão, paredes ou gente, só caía
como se estivesse indo ao centro da Terra. De repente tudo se iluminou.
Ryo continuava sem enxergar coisa alguma, a não ser uma mulher com
três pares de braços que vinha em sua direção.