É claro que essa preocupação não tinha apenas o fundo humanista do imperador, a presença sempre preocupante dos reinos vizinhos, e em especial com o reino de Kutou, obrigava o imperador a estar ciente da quantidade de homens de que poderia dispor para a formação de um exército.
Mais funcionários públicos são funcionários públicos em qualquer lugar ou época, ainda mais numa monarquia, aonde a palavra nepotismo não faz sentido. Peguemos por exemplo o primeiro-ministro do imperador, sua família vem servindo fielmente ao trono por varias gerações, e ele mesmo foi amigo de infância do próprio imperador, mas nada disso teria valor se não fosse o seu profundo conhecimento de administração do reino, dos protocolos de estado e das tramas palacianas.
Desta forma, ninguém estranhou quando ele indicou vários familiares para ocuparem cargos públicos na cidade de Juso que ficava próxima às terras pertencentes à sua família. Mas diga-se em sua defesa que ele escolheu as pessoas mais indicadas para cada tarefa e quando elas não correspondiam as suas expectativas eram sumariamente substituídas.
Um destes cargos foi o de notário, que consiste em registrar todos os nascimentos, casamentos e falecimentos. Este cargo de altíssimo prestígio foi entregue ao tio-avô do primeiro-ministro, que o executava com dedicação e orgulho, mesmo já estando com 102 anos. Mas não se deixe enganar pelos parcos fios brancos que saem de sobre seu barrete, sua mente e sua escrita continuam afiadas como sempre, apesar da visão e da audição já não serem os mesmos de 50 anos atrás.
Além da cidade de Juso, sua jurisdição se estendia as vilas próximas, como a vila de Hakuko. E foi nesta vila que Tamahome nasceu.
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