O Último Adeus
(fanfic baseado em Saint Seiya)
by BAN
Kimba
Parte 01 de 03
O céu está de um azul metálico,
sem uma única nuvem para macular sua perfeita superfície.
Aos meus pés o mundo é branco, refletindo de forma ofuscante
o luz do Sol que desce obliquamente, fazendo com que minha sombra atinja
o horizonte.
Finalmente estou de volta.
Foi um longo tempo, gastos em batalhas ao
lados de amigos e antigos inimigos. Tempo de alegrias e tristezas. Tempo
que levei para aprender a ser alguém melhor.
Mas agora eu estou pronto, para fazer o
que deve ser feito.
Uma voz calma e suave chega aos meus ouvidos,
uma voz perdida a muito tempo, em um dia parecido como esse.
- Prepare-se para enfrentar seu maior desafio,
a própria natureza : O Gelo!
Outra voz surge, uma voz mais poderosa e
autoritária, que pertencia a um rosto que eu nunca mais tornarei
a ver.
- Pois agora você deverá lutar
contra sua maior arma, aquela que sempre te protegeu : O Frio!
Eles têm razão. Sempre usei
o frio e o gelo como armas, mas desta vez eles serão meus únicos
inimigos nesta última jornada. Meu destino está aos meus
pés, abaixo da extensa camada de gelo que se formou desda última
vez que estive aqui, no fundo do oceano, aonde a água não
se tornou gelo apenas por causa de seu próprio peso.
Retiro minha armadura. Se devo sucumbir,
ela deve permanecer. Pois outro assumirá meu lugar nas doze casas.
O vento frio fere minha pele, mas a sensação é até
agradável, me faz lembra do início do meu treinamento, uma
época mais simples.
- Está na hora. Eleve seu cosmo!
– diz a voz suave.
- Fique uno com o universo. – diz a voz
poderosa.
Assim eu faço. A energia flui por
mim, como eletricidade, afastando o frio. Meu punho desce contra o chão
de gelo. A explosão faz meu corpo tremer. A energia se espalha pelo
gelo e, como se algo o expulsa-se de seu leito, o gelo é lanchado
em grandes blocos para longe, uma cratera se abre, mas não o suficiente.
- Não será assim que você
vencerá o gelo. Não com força sem direção
– fala o vento.
- Deve encontrar o ponto fraco, o ponto
de ruptura. – fala o trovão.
Novamente elevo meu cosmo. Mas desta vez
não o concentro em mim, deixo que ele se espalhe, que se junte ao
gelo. E o gelo me conta seus segredos. Junto as mãos e as ergo acima
da cabeça, e como um único mecanismo, meu corpo se movimenta
contra o gelo. Meus joelhos chegam ao chão, sem interromper o movimento
de curvatura do tronco e dos baços esticados, finalmente meus punhos,
unidos, atingem o gelo. E desta vez quem treme é o gelo, que ferido,
permite a abertura de uma grande fenda em seu corpo.
Ergo-me, e aguardo meu novo inimigo, o frio.
Que não demora muito para se mostrar, ele vem desde o fundo do oceano,
subindo através da fenda em seu colega, o gelo. Olho para a água
que agora preenche toda a fenda até sua borda, e sinto sua voz me
chamando, prometendo paz, descanso e alguém que eu amo.
Sinto o toque suave de uma mão em
meu ombro esquerdo.
- Lembre-se pelo que você luta ...
Sobre meu ombro direito, uma pesada mão
pousa.
- Lembre-se que única vitória
é a vida ...
- ... lembre-se dos amigos que te esperam
...
- ... lembre-se que a única derrota
é desistir da vida ...
- ... lembre-se daqueles que você
deve proteger ...
- ... lembre-se do que viveu até
hoje ...
Eram coisas que eu jamais esqueceria.
Afasto-me da borda da fenda, para pegar
a rosa vermelha, que presa dentro de um cilindro de gelo, deverá
ficar no fundo do oceano por toda a eternidade. Caminho de volta e mergulho.