| |
Estavam de volta a Shevat, um dos últimos refúgios do mundo
contra os Seraphs, ainda que o lugar não fosse mais o mesmo que
já fora. Recentemente atacada pelos anjos que, como dissera Sigurd,
tinham poder equivalente ao dos Omnigears, a cidade flutuante caíra.
Embora ainda fosse um abrigo para muitos que tinham se unido para resistir,
ela nunca mais voaria, protegida por seu campo de força.
As condições não eram das melhores. Era o máximo
que se poderia esperar naquela situação, com Deus à
solta, mas os suprimentos não durariam para sempre e o tempo urgia.
Os diversos grupos de nações agora se reuniam ali para a
última resistência. Caminhando pelo lugar, Fei acabou sorrindo
ao ouvir do responsável pelo seu congelamento em carbonita quanto
ao que Dan pensara.
_ Seu irmãozinho ficou muito zangado comigo. Ele nos perguntou se
tínhamos corações ou não. Te invejo, por ter
um irmão com coragem o bastante pra ser honesto.
Além de líderes militares e políticos havia sobreviventes
das populações, cada um com sua própria opinião
sobre a calamidade. Para alguns, o fim do mundo era um julgamento divino
prestes a cair sobre todos. Havia os que faziam o que podiam para ajudar,
havia crianças encontrando diversão mesmo ali, já
que havia espaço para brincar na neve, havia adultos esperançosos
e desesperançados e outros que apenas reclamavam. Em suas andanças
entre eles, Fei também encontrou Dan e Midori numa sala à
parte, onde o menino olhou para ele seriamente e disse, depois de um momento
de hesitação:
_ Na prisão, quando eu vi você se tornar em um monstro, entendi
tudo. Vivendo dentro de você, Fei, existe um monstro que não
é você... Ele é o cara mau... Ele é quem tem
culpa. Então, – ele baixou os olhos – perdoar ou não perdoar
você... Bem... Não é esse o problema! Não é
como se fosse fazer as coisas voltarem ao que eram... mas... é só
que... Eu não sei como dizer isso direito, mas eu sinto muito...
Eu, errm... eu...!
_ Está tudo bem, Dan... Já chega. Eu entendo. É culpa
minha. Me desculpe por ter te causado tanta dor.
Dan apenas sacudiu a cabeça sem dizer nada, e Fei sorriu.
_ Eu só estou feliz de finalmente poder fazer as pazes com você.
Se cuida, garoto.
Mais surpreendente foi descer até um dos andares inferiores com
Bart e, na metade da descida, escutar a voz de uma criança gritar:
_ Você não é o meu pai!!
_ Lance!
Um menino pingüim passou correndo por eles e, ao chegar lá
embaixo, Fei e Bart reconheceram um rosto familiar.
_ Hans! É você?
_ Vocês...! – murmurou o imediato da Thames – Vocês estão
vivos?
_ É, e você – e então Fei se deu conta – Mas, se você
está aqui, significa que a Thames foi...
_ A Thames... naufragou – Hans baixou a cabeça – Os 'Anjos' atacaram...
A Thames resistiu ao massacre dos Ceifadores, mas estava indefesa contra
aqueles 'Anjos'.
As lembranças pareceram desfilar diante dos olhos do imediato, acenando
com a cabeça com ar perdido.
_ Quase ninguém saiu a tempo... eles afundaram junto com a Thames...
_ O qu... Espera um minuto! – exclamou Bart – E quanto ao Capitão?
Ele está bem, certo?
Hans deu as costas a Bart e ficou em silêncio por um momento, antes
de responder:
_ O Capitão... disse... Ele disse que veria o fim da Thames com
seus próprios olhos...
_ V-você... tá brincando, certo? Aquele velhote morreu...
Sem essa...
_ Não! – Hans voltou-se para ele, o rosto triste e orgulhoso, a
voz alta agora – O Capitão está vivo. Ele é do tipo
que nunca cai de joelhos...!
Não havia o que Fei pudesse dizer, e Hans pareceu ler algo na expressão
dele, pois afastou o rosto. Tentando desfazer a impressão, ele perguntou:
_ Então, o que aconteceu com você ultimamente? Eu não
sabia que tinha um filho. O menino que saiu... parecia zangado com alguma
coisa.
_ Estou embaraçado que tenha visto isso – Hans baixou a cabeça
e remexeu as nadadeiras nervosamente – Eu me casei pouco antes da Thames
naufragar.
Ele voltou-se para a jovem pingüim ao seu lado e fez as apresentações.
_ O nome dela é Anna. É a minha esposa. Ela foi salva pela
Thames quando os navios foram atacados pelos Ceifadores. Infelizmente,
foi quando ela perdeu o marido... Não me entenda mal. Não
foi por sentir pena dela ou algo do tipo... Ou... Bem, talvez fosse – ele
sacudiu a cabeça – Eu só queria protegê-la, foi só.
Se chama isso de sentir pena, então suponho que eu não ligue.
"O Capitão vivia rindo de mim – ele sorriu levemente, lembrando
– Ele dizia... 'O quê! Um sujeito frio feito você, seduzindo
uma viúva? Só tome cuidado pro guri não odiar você...'"
_ Ha, ha... Acho que o Capitão tinha razão. Meu enteado não
gosta de mim, ainda. Mas estou esperando que algum dia...
_ Entendo – Fei sorriu, parecendo admirado – Rapaz, você mudou!
_ Ha, ha. Você mudou também, Fei. Eu não sei como explicar,
mas... – deu de ombros – Quanto a mim... Bem, eu não sei o que é...
Acho que eu sempre tive alguém me protegendo...
_ Hans...
_ Fei, eu acredito... – o olhar de Hans voltou-se para a porta de entrada,
parecendo enxergar a imagem do Capitão que apenas ele podia ver
– Acredito que, um dia, o Capitão vai descer essa escadaria... Aquela
bengala dele batendo, 'tap, tap'... E vai dizer, 'Haaans! Parece que vamos
pôr nossas mãos em um tesouro sem preço!'.
Até Bart sorriu. As palavras de Hans eram muito convincentes, ele
mesmo quase juraria ter ouvido o mesmo som familiar da bengala batendo
no chão.
_ 'Que espécie de cara é essa? Não acredita em mim,
hein? Dessa vez é pra valer... Sério!' ... Talvez algum dia...
_ Haaans! Parece que vamos pôr as mãos num tesouro sem preço!
Bart, Fei, Anna e todos no aposento se voltaram para a entrada. Hans sacudiu
a cabeça, e percebeu que sua visão não desaparecia.
Sua boca escancarou-se e seus olhos ficaram arregalados... Mas não
podia ser...!
_ Que cara é essa?
_ Ca... Cap... Capitão...!!
Hans correu até o Capitão da Thames e o abraçou, e
apesar do sorriso no rosto, a voz do velho homem do mar continuava superior
como de costume.
_ Que gritaria é essa de 'Ca, cap, capitão...!!'?? Corta
essa, seu idiota!
_ S-sabe o quanto eu fiquei preocupado com você? – choramingou Hans,
e o Capitão riu.
_ Hah! Eu tenho dito o tempo todo. Será que não entende?
Agora preste atenção...
_ Homens!
_ Do Mar...!
_ Nunca admitem a morte!
Após a pausa dramática costumeira e do momento de silêncio
de todos, o Capitão gargalhou, para total indignação
de Hans.
_ Gha, ha ha ha ha ha-a-a-a-a-a!!
_ Você... é um grandessíssimo...
_ Hans! Desta vez é pra valer! Uma ilha com tesouro enterrado. É
chamada 'Ilha dos Homens das Dunas'. Um antigo herói derrotou um
monstro naquele lugar e agora, diz a lenda, sua fabulosa espada jaz por
lá.
_ Que informação você tem...? Sabe onde fica o lugar?
E quanto a um navio?
_ Não sei onde é! Não tenho navio! – o Capitão
acenou com pouco caso – Não se preocupe com detalhes! Não
sabe que é por essa sua atitude que o garoto não te suporta?
_ Ah, isso não é da sua conta!
_ Bom, até aquele guri decidir gostar mesmo de você – o Capitão
riu – eu vou ter arranjado um novo navio. Até lá, dê
tudo de si pela sua família, rapaz!! Dê à sua família
o amor de que precisam enquanto ainda tem oportunidade. Ghar, har, har!!
Longe de Hans e da família, Bart perguntou ao Capitão como
ele sobrevivera, mas o velho homem do mar apenas acenou com pouco caso.
_ Nah, não se preocupe com esses detalhes sem importância.
Se ficar se preocupando com coisas como essa, os guris vão detestar
você, assim como odeiam o Hans, hah!
_ Ele está me ensinando sobre como ser um homem do mar – Lance,
o enteado de Hans, disse animadamente – Eu queria que você fosse
meu pai. Posso te chamar de pai?
_ Ghar, har, har! Essa vai ser ótima... Um leão marinho com
um pingüim como filho! Ghar, har, har!
_ Eu não sou um pingüim! Sou um golfinho!
_ Ah? – o Capitão pareceu admirado – Hans é um pingüim.
_ Meu pai é um golfinho também! – retrucou o menino, antes
de se dar conta e gaguejar – Oops... Esquece o que eu acabei de dizer.
Eu não quis chamar ele de pai! Quem ia querer um pai como ele!
_ Ghar, har har ha-a-a-a-a!!
Foi certamente com espíritos mais leves que os amigos seguiram pelo
abrigo, rumo à antiga torre de observação de Shevat,
onde Zephyr observava a neve que caía. Os dois estavam incertos
quanto a perturbá-la, mas antes que dissessem qualquer coisa, a
Rainha disse, ainda sem se voltar:
_ A neve continua a cair... Cobrindo suavemente a tudo neste mundo. Nossa
angústia, nossa profanação, nossos enganos... Se ao
menos pudéssemos apagar essas coisas tão facilmente assim...
O que nós... O que eu... estive fazendo... Estive perseguindo...
ao longo destes últimos anos?
_ Majestade...
Citan acabara de se unir a eles, e a Rainha pareceu sair de sua contemplação.
_ A propósito, como está a pessoa que foi resgatada da Merkava?
Ouvi dizer que ele recuperou a consciência.
_ Sim, bem – Citan ajeitou os óculos, também voltando os
olhos para o campo nevado que se estendia por toda a volta – A princípio,
ele tinha perdido a fé em si mesmo, mas agora está melhor.
Kahr reviveu a si mesmo, e descobriu verdadeiro significado em sua vida.
Se ele decidir lutar ao nosso lado, então nosso poder total de batalha
será grandemente ampliado.
Horas antes, Sigurd e Citan estavam na enfermaria onde Kahran Ramsus despertara,
ainda parecendo desolado, e estavam em vão tentando chamá-lo
de volta à razão.
_ Kahr... Por favor, me ouça! Neste momento, devemos esquecer quanto
a amigo ou adversário. Todos nós devemos apoiar um ao outro,
da forma que pudermos... Neste momento, precisamos de sua ajuda!
Ramsus não respondeu de pronto, sentado onde estivera e de olhos
baixos, fixos no chão. Quando parecia que ele não daria resposta,
sua voz veio num murmúrio rouco:
_ ... Eu... sou... apenas lixo... Um dejeto...
_ Pare de sentir pena de si mesmo e se recomponha, homem!!
Citan avançou até Ramsus num único passo e deu-lhe
uma bofetada, surpreendendo Sigurd com uma reação tão
incomum.
_ Hyuga?! O que você...
Citan ergueu a mão, silenciando-o. Após um instante, em que
Ramsus não erguera os olhos, ele continuou:
_ Lixo... Dejeto... Pode ficar com pena e chamar a si mesmo de tudo o que
quiser, mas e quanto a elas?!
Ramsus ergueu os olhos, percebendo finalmente que não estavam apenas
os três ali. Dominia, Kelvena, Tolone e Seraphita estavam lado a
lado diante dele e sem dizer palavra. E Citan perguntou:
_ Por acaso essas mulheres são estúpidas, ou lixo, ou dejetos,
também, por acreditarem em você?
Ramsus não disse palavra, olhos fixos nas mãos juntas.
_ As razões pelas quais você ajudou as garotas, que não
tinham ninguém a quem se voltar, podem não ter sido tão
nobres, mas ainda assim, elas permaneceram com você. Sabe por quê?
"Elas o conhecem melhor do que qualquer outra pessoa. Elas conhecem a verdadeira
bondade que existe dentro do seu coração. Elas sabem por
quem querem ser amadas. É por isso que elas não vão
abandoná-lo. Kahr... Não as torne no lixo, ou dejetos, de
que fala."
_ Comandante...
_ Todas vocês... – Ramsus murmurou, finalmente erguendo os olhos
ao ouvir a voz de Dominia. E Citan deu-lhes as costas, ajeitando os próprios
óculos.
_ Desnecessário dizer, você não é um lixo ou
dejeto... Nós sabemos disso melhor do que qualquer um.
_ Eu... não percebi que o que estive procurando... estava tão
perto de mim... Eu peço desculpas... por não perceber antes!
_ Ah, Comandante...!!
Fei também estava olhando para o campo nevado, perdido em pensamentos.
Desde a entrada intempestiva pela janela do palácio em Bledavik,
quando ele chegara em cima da hora para salvar Bart de Ramsus, até
aquele momento ali, de pé, depois de tanto tempo.
_ Tanta coisa aconteceu entre ele e eu... Quando esta batalha acabar, eu
quero enfrentar Ramsus homem a homem por esporte, não guerra, como
um artista marcial.
_ Eu tenho certeza de que ele deseja a mesma coisa também – Zephyr
respondeu, e Fei acenou distraidamente, a princípio sem reparar
de que a Rainha o estava observando.
_ Fei... Posso perguntar uma coisa? Sobre Elly... E se, mesmo que quebremos
o feitiço de Zohar, ela não voltar ao normal...
_ Elly vai voltar a ser como costumava! – Fei replicou sem se voltar –
Vou seguir adiante acreditando nisso. Mas, mesmo que isso não aconteça...
eu ainda vou... Bem, digamos apenas que estou preparado pra isso também!
_ Você não tem que fazer isso se não quiser, sabe –
Zephyr respondeu, sem olhar para ele – Seu oponente é a pessoa a
quem você ama... Se decidir desistir agora, ninguém vai culpá-lo.
_ Desistir seria sem sentido. Tudo pelo que eu lutei, e tudo pelo qual
eu vivo, ficariam sem sentido algum. As pessoas deveriam ser livres. Sem
ninguém preso pelos outros, sem ninguém prendendo os outros...
Dentro de mim, há uma parte de mim deseja essa liberdade, e uma
parte de mim que me dá esperança. Então, eu lutarei
para conquistar a verdadeira liberdade! Pois nós ainda estamos vivos!
Nós lutamos para viver. Essa é a razão pela qual eu
luto. É a prova de que eu sou humano. Eu prometi ao meu pai, e pra
mim mesmo também, que eu libertaria Elly dos laços de Deus,
que eu a salvaria.
_ Eu entendo... Então, vamos continuar acreditando... e esperemos
por um milagre...
_ Er, com licença? Fei?
Eles se voltaram. Um dos auxiliares da tripulação da Yggdrasil
III viera até eles.
_ Pode não ser nada, mas... a Madre Marguerite pediu que os avisasse...
Chu-Chu parece ter desaparecido.
_ Mais essa – Bart resmungou – Procuraram por aí? Ela pode só
ter ido visitar os outros Chu-Chus de Shevat, oras!
_ Bem, ninguém parece tê-la vista saindo da nave, jovem mestre...
_ Tch! E vocês não conseguiram encontrá-la sozinhos?
_ Ande, Bart, não custa dar uma olhada – Fei replicou, e perguntou
– Faz muito tempo?
_ Parece que não, a Madre Marguerite acabou de nos avisar...
_ Então ela não pode estar longe. Vamos!
Após uma busca curta próxima ao quarto de Margie, os três
a encontraram no hangar de Gears, em sua forma gigante, parada onde antes
costumava ficar Vierge, e levando uma bronca do encarregado.
_ Chu-Chu! O que raios está fazendo aqui! Você não
precisa de manutenção!! E está no caminho! Vai comer
alguma coisa e tirar uma soneca, ou sei lá o que!
_ Eu echutou exausta também! Já que está aqui... eu
gochutaria de uma massagem!
Diante do riso do trio e da surpresa do encarregado, ela acenou.
_ Só echutou brincando... É que... Elly... Ela era tão
gentil... Sei que não chou a única que sente falta dela.
Sei que Bart, Margie, Billy, Citan, Rico, Maria, Emeralda e Fei, todos
sentem também. Mesmo que não digam, eu pochu sentir... De
pé aqui, eu lembro do sorriso gentil e bondochu dela. A Elly vai
voltar, não vai?
_ ... Obrigado, Chu-Chu – Fei respondeu, depois de um instante de silêncio
– Obrigado por tentar reduzir toda essa tensão no ar por mim. Eu
vou me lembrar disso... De qualquer modo... Elly tem que estar viva! Certo?
_ Fei...
_ Vamos voltar para o quarto. Acho que Margie está preocupada.
_ Tá. Eu vou juntchu!
O quarto de Margie, Primera e Chu-Chu ficava próximo à entrada
do hangar de Gears. Lá entregaram Chu-Chu a Margie, aliviada em
saber que a outra estava bem.
_ Não faça isso de novo, tá bem? Me deixou preocupada!
_ Dechuculpe...
_ Bom, agora que tá tudo certo – Bart comentou – e já que
estamos a bordo, é melhor nos mexermos, não? Quanto mais
tempo dermos, melhor vai ser pra Deus.
_ Não podemos atacar até todos estarem prontos, Bart – Fei
lembrou.
_ Eu sei. Só tô dizendo pra irmos dar uma olhada...
_ Jovem mestre...
Bart deteve-se à porta, surpreso com o tom de voz e as palavras
de Margie, incomumente séria.
_ É melhor que você não morra! Me prometa!!
_ Ah... É lógico! Eu não vou morrer! Ih, vê
se pára de ficar falando essas coisas estranhas!
_ Desculpe... – ela escondeu o rosto – É... Você tem razão...
Vai conseguir voltar... E quando você voltar, eu vou... Bem... Eu
só pensei... que talvez eu pudesse... ficar mais próxima
a você... sabe...
_ Ei, whoa, corta essa! Sabe o que está dizendo?!
_ Heh, só estava brincando – ela sorriu, voltando-se para Bart –
Jovem mestre, você ficou todo assustado!
Bart murmurou algo inaudível em resposta, e os três foram
para a ponte de comando, onde Sigurd os esperava.
_ Deus integrou-se com Zohar e despertou... mas descobrimos que Deus está
no centro da estrutura gigantesca criada da Merkava caída. O único
meio em que podemos pensar para destruir Deus é penetrar por lá
e abrir caminho até o centro. Aquela estrutura costumava ser a própria
Merkava, mas devemos assumir que o interior mudou significativamente. Não
sabemos que perigos aguardam lá dentro. Por favor, sejam muito cuidadosos.
_ Certo, obrigado Sigurd. Deixe que eu cuide disso – Fei apertou os punhos
– Eu vou destruir Deus. Mesmo que me custe tudo o que tenho...
_ Fei... você tem certeza disso?
_ Bart... ?
_ Sei no que você deve estar pensando agora – Bart continuou, de
rosto baixo – Se você destruir Deus... a proliferação
das nanomáquinas que estão pra transformar o próprio
planeta numa arma vai parar... Mas, se você terminar perdendo Elly,
que foi unida a Deus pra esse mesmo propósito, então de que
vai adiantar?
_ Mas...
_ É verdade, Fei – concordou Sigurd – Ela é nossa amiga,
que passou por muita coisa conosco, também. Eu penso que salvar
uma amiga querida é tão importante quanto proteger nosso
planeta ou salvar o mundo. Que melhor razão existe para lutar? Se
não se pode nem salvar seus amigos, então como se poderia
salvar o mundo? Não concorda?
_ É, o Sig tem razão – Bart apoiou – Nunca, jamais desista,
Fei. Não importa o que aconteça! Você é o único
que pode libertar Elly do feitiço de Deus. Mas nós vamos
te dar tanto apoio quanto pudermos. Então...
_ Muito obrigado... Bart, Sigurd. Eu não vou desistir.
_ Você se voluntariou a lutar pelo jovem mestre e o resto de nós
– Sigurd acenou em cumprimento – Então, é a nossa vez de
lutar por você e Elly. Vamos, Fei... Conseguir a verdadeira liberdade!!
Lançamos a Yggdrasil?
_ Vai nessa, Sig! Fei, Citan, vamos pros Gears! Quando chegarmos na área
da queda da Merkava, saímos e fazemos um reconhecimento, e ainda
testamos aqueles desmontadores do Taura!
_ Chamando...
Os quatro se voltaram, e só então perceberam Emeralda parada
de pé atrás deles, olhando fixamente para Fei. Havia algo
muito sério em seu rosto e Fei, estranhamente, sentiu que podia
entender.
_ Chamando...? O que você...
_ Chamando... No farol... Chamando. |
|