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Capítulo 37: Tiro de Precisão
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No dia seguinte, na sala do conselho do castelo, Bart estava sentado à
cabeceira da mesa e cercado pelos retratos dos antigos reis, tendo Citan,
Fei, Elly e Chu-Chu sentados na fileira da direita e Sigurd, Billy, Maria
e Rico à esquerda, com Maison servindo a todos seu famoso chá.
E Bart agradeceu.
_ Graças a vocês, Aveh foi recuperada de Shakhan e da Gebler. Muito obrigado. Todos inclinaram as cabeças, sorrindo. Alguns tinham comentários pessoais como Rico, que sem dúvida não estava acostumado a tamanha pompa e consideração, mas também ele estava satisfeito por dentro que Bart fosse tão generoso na fortuna quanto tinha sido no infortúnio. E embora ainda fosse o mesmo de sempre, havia algo de mais sério nos modos do rapaz, parecendo-se mais com um rei do que nunca ao prosseguir. _ Agora, a fim de libertar outras terras de Gebler e Solaris... temos que destruir os outros dois portões e trazer Solaris abaixo. Descobrimos, pelas anotações de Shakhan, que os portões formam as pontas de um triângulo. Uma ponta era o Grande Mausoléu. Duas outras permanecem, mas nós só sabemos onde uma está. _ Sim, aquela sob o quartel general do 'Ethos' – concordou Citan – No entanto... _ Não estava lá quando seguimos Stone sob o quartel general do 'Ethos' – Billy abanou a cabeça – Se está mesmo lá... deve estar enterrado muito abaixo da terra... _ Então, como vamos destruí-lo? – perguntou Rico. Por um instante fez-se silêncio e então Chu-Chu opinou: _ Combinando o poder dos Gears de todo mundo. _ E o que vamos fazer com os Gears de todo mundo, cavar um buraco gigante no solo? – Rico exasperou-se, e Chu-Chu deu de ombros. _ O que há de errado com ichu? A maioria da mesa acenou que não, e Sigurd explicou pacientemente. _ Isso levaria anos. _ ... E se nós usássemos o canhão de Shevat... – ponderou Fei, mas Maria rejeitou a idéia de pronto. _ Se isso funcionasse, já teríamos tentado. _ Então – Citan considerou, após um curto silêncio – tem que ser algo mais poderoso do que o canhão de Shevat. _ E não temos uma nave de batalha da Gebler – Elly lembrou, ao que se seguiu outro curto silêncio interrompido por Fei. _ ... Existe alguma arma tão poderosa assim nesse mundo? _ As naves de batalha da Gebler e o canhão de Shevat são as armas mais poderosas já produzidas pelo homem – Citan esclareceu, e Bart moveu-se inquieto em sua cadeira. _ ... mas... parece que me lembro de ver alguma coisa... _ O quê? – perguntou Sigurd, e Bart continuou perdido em pensamentos, se concentrando muito. _ Uma arma com poder de fogo igual ao dessas duas... Ah, eu já sei! Tamanha foi sua exaltação que ele bateu na mesa e derramou o próprio chá, ao que Maison silenciosamente apanhou a xícara caída e a substituiu com outra, devidamente cheia. _ O Forte Jasper! – Bart exclamou animado – O canhão dele pode derrubar uma montanha! Que tal essa? Os demais pareceram admirados, começando a seguir a empolgação de Bart, mas Citan abanou a cabeça novamente, chamando a atenção de Bart. _ Citan, o que foi? _ Por poderosa que seja a arma do Forte Jasper, como vamos apontá-la para o quartel-general do 'Ethos'? Para danificar algo tão sob o solo, teríamos que atacar diretamente de cima. Mas a arma do Jasper... _ Sim, é claro – Sigurd concordou, e Rico olhou de um para o outro sem querer entender. _ O quê, estão dizendo que devíamos colocar o Forte Jasper em cima de Babel? _ Agora que você mencionou – Billy concordou pensativamente – Babel realmente faz sombra sobre o quartel-general deles. Se dispararmos lá de cima, poderia realmente ser possível alcançar tão profundamente sob o solo. _ Mas como poderíamos mover o Forte Jasper? – quis saber Sigurd, e Elly abanou a cabeça. _ É impossivel. Uma coisa tão pesada... _ Mas, esperem um pouco! – Fei lembrou – Não havia uma sala de controles em Babel que movia um canhão, ou algo do tipo? Não, esperem... Acho que ela movia o espelho gigante do lado de fora. Elly e Bart concordaram. Havia mesmo uma sala de controle pouco depois do ponto onde haviam lutado contra Ramsus e Miang, e aquilo parecera sem propósito na ocasião. Mas talvez... _ Maria, você sabe algo a respeito disso? – perguntou Bart. _ Nunca ouvi nada sobre essa sala, mas... _ Mas pode valer a pena tentar – Fei murmurou – Devíamos checar isso. _ Tá certo... _ Esperem um momento – Citan interrompeu Bart – Um espelho gigante e um canhão gigante, ambos combinando em ruínas antigas? Deve haver algum propósito nisso... _ Como o quê? _ Ah... Resolvi a charada... – Citan murmurou e Sigurd, conhecedor de longa data dos momentos de contemplação do amigo, perguntou: _ Charada? Mas, que charada? _ A Torre de Babel e o Forte Jasper são da mesma civilização, uma muito mais avançada do que a nossa própria... As duas estruturas não parecem similares a vocês? Eu acredito que ambas tenham sido construídas com Gears, e com um poderoso adversário em mente. _ ... É, acho que percebi – Fei concordou com a cabeça – Mas o que isso tudo significa? _ Significa, que as pessoas que construíram o espelho gigante na Torre de Babel sabiam sobre a arma gigante em Jasper! _ E...? – perguntou Bart – Aonde você quer chegar? _ Podemos provavelmente deduzir que o espelho foi construído para refletir algo... Esse algo seria um feixe de energia. Um feixe disparado pela arma de Jasper! _ Refletir? – Fei perguntou com admiração – Quer dizer que aquele espelho pode refletir um ataque de energia? _ Sim. _ Há muito tempo, então – Rico ponderou – Babel e Jasper devem ter estado em guerra. _ Não exatamente – Citan discordou – O espelho de Babel e a arma de Jasper foram combinados para fazer uma arma. _ O que cê quer dizer? _ Mas, aquelas coisas estão tão distantes uma da outra – objetou Elly – Como poderiam ser uma só arma? _ Bem, os Portões podem estar afastados, mas não são ainda assim um só aparelho? _ ... Sim, eu entendo o que quer dizer, mas... – Elly concordou, ainda em dúvida, mas Billy a interrompeu. _ Para que eles utilizaram essa arma, então? _ Isso, eu não sei dizer. _ Tanto faz! – Bart se animou, batendo as mãos uma na outra – A questão é; como fazemos pra usar as duas armas como uma só? _ Aponte a arma do Forte Jasper para o espelho, e dispare. O espelho vai refletir o feixe de energia sobre o Portão. A surpresa geral na mesa foi resumida num único 'Putz!' de Bart, e Maria foi a primeira a perguntar: _ Você acha que isso vai funcionar? _ Teoricamente – Citan acenou com a cabeça – Vai requerer alguns ajustes menores... _ Ajustar o espelho será algo difícil, e tanto quanto tedioso – lembrou Sigurd, mas Citan negou outra vez. _ Se as duas armas são uma só, então não deve ser tão difícil. Eu espero... _ Parece perigoso – comentou Rico – Eu acho que foi feito pra refletir disparos de volta no inimigo. Se você estiver errado, o disparo vai voltar e te atingir. _ Sim – concordou Citan – É por isso que vai ser mais difícil para a equipe do forte. O espelho deve ser atingido com precisão. Precisaremos nos dividir em dois grupos. Um irá disparar a arma enquanto a outra vai ajustar o ângulo do espelho para certificar-se de que o disparo atinja o quartel-general do 'Ethos'. Já que a idéia foi minha, eu assumirei a parte perigosa de ajustar o espelho. _ Muito bem, Hyuga, deixaremos que cuide disso – concordou Sigurd – Parece o seu tipo de trabalho. _ Eu vou também – Fei se prontificou – O Doc pode precisar de ajuda. _ Pode ser pouca gente se forem só Citan e Fei – Elly comentou – Eu estive lá, então é melhor que eu vá também. _ Muito bem, então vocês três ficam com Babel – Sigurd concordou – Agora, e quanto à arma? _ Eu faço isso – Billy se prontificou – Parece ser o meu tipo de trabalho. Não se preocupem, eu não vou errar. Não uso uma pistola há tanto tempo por nada. _ Bom, provavelmente é melhor eu ir pro Jasper – Bart esfregou as mãos. _ Eu também! – Chu-Chu se ofereceu – Chu-Chu quer ir também! _ Então, está decidido – Bart se levantou – Fei e Elly, vocês vão com o Citan e apontem o espelho pro quartel-general do 'Ethos'. Nós vamos mirar o canhão de Jasper no espelho. Todo mundo pra Yggdrasil, e mãos à obra! -o-
Em outra parte, Kahran Ramsus e Miang estavam diante do SOL-9000, e o Ministério
Gazel. A imediato olhava para o grande computador tentando esconder seu
aborrecimento; os tolos existiam havia mais tempo do que o correto, tendo
alcançado um modo de sobreviver muito além de sua verdadeira
época. No entanto, continuavam sendo os mesmos tolos de quando ainda
possuíam seus verdadeiros corpos, preocupados apenas com a própria
existência.
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