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XENOGEARS
(Compilado e Adaptado por Louco)

Capítulo 32: Alerta de Intrusos!

            Seguindo Maria, Fei, Bart e Elly tomaram o rumo do Palácio Real de Shevat, uma torre imensa na forma de uma estátua de anjo, que lembrou a Fei a figura na caixa de música consertada por Citan tanto tempo atrás, ainda em Lahan. Um elevador cilíndrico os levou para cima, seguindo um poço que os conduziu até um andar circular onde várias pessoas e alguns jovens Chu-Chus caminhavam.
          _ Por aqui, por favor.
          Maria os conduziu rumo ao norte, para a sala do trono, e Fei ficou particularmente surpreso ao encontrar um velho conhecido parado à direita das portas do salão real.
          _ Sábio!
          _ Finalmente chegou até aqui... Onde foi que esteve?
          _ Como assim? E você... Por quê está aqui?!
          _ Eu já disse antes; aprendi artes marciais com seu pai em Shevat – indicou a porta para a sala do trono com um movimento da cabeça – A Rainha está aguardando. Vão em frente.
Rainha Zephyr          A sala do trono do Palácio de Shevat parecia estender-se sobre uma plataforma sobre uma sala cilíndrica, de fundo feito de vidro. Duas plataformas menores moveram-se para garantir acesso ao trono, escondido dos visitantes por um véu de material semitransparente. Quando se aproximaram, o véu moveu-se sozinho para revelar uma figura solene, de olhos verdes calmos e aparência triste, vestida de uma forma que lembraria antes uma freira do que uma governante. A Rainha.
          _ Obrigada por terem vindo por um caminho tão longo. Eu sou a Rainha de Shevat, Zephyr.
          _ ‘Obrigada por terem...’? – Bart não podia acreditar em seus olhos. A governante de Shevat não parecia muito mais velha do que Maria – Que é isso? Ela é só uma criança!
          _ Eu posso aparentar isso, mas na verdade tenho 522 anos de idade.
          _ Quinhentos e vinte e dois...?! – Fei admirou-se, sacudindo a cabeça – Isso é mesmo possível...?
          _ Sim – Zephyr baixou sua cabeça – Eu e um pequeno grupo de vassalos seletos nos submetemos a alguns tratamentos especiais para expansão da vida. Nos foi necessário continuar vivendo... Até que aquele dia final se aproxime. Por causa de um homem... – e a Rainha pareceu ainda mais entristecida, enquanto sua voz também ficava mais baixa e ela parecia falar consigo mesma – Continuar vivendo... Esta é a nossa penitência.... por aquela tragédia, há 500 anos atrás...
          Ela então pareceu lembrar-se de que não estava sozinha ali, sacudindo sua cabeça como que para afastar as memórias.
          _ Devemos... interromper esta discussão do passado. Eu ouvi muitas coisas sobre todos vocês através do Sábio. O Sábio tem conduzido suas operações na superfície sob minhas ordens, para manter vigília sobre as atividades daquele homem. E também, ele recebeu ordens de trazer qualquer pessoa da superfície que pudesse ser de ajuda a nós, de Shevat. Há 500 anos atrás, nós lutamos contra Solaris pela liberdade dos habitantes da terra. Mesmo depois daquilo, continuamos a resistir a Solaris, embora tenhamos falta de qualquer poder verdadeiro.
          E ela colocou-se de pé então, seu olhar parecendo ao mesmo tempo analisar e suplicar aos três. Ela não era, realmente, mais alta do que Maria.
          _ Habitantes da terra, podem encontrar em seu coração a força ou o desejo para nos ajudar? Devemos libertar a humanidade do alcance de Solaris... Devemos conquistar a verdadeira liberdade e construir um mundo pacífico no qual viver. 
          _ Tch – fez Bart, sacudindo a cabeça em negativa – Tem alguma coisa que não tá certa. Essa ‘luta por independência contra um tirano’. A ‘batalha pela liberdade’. Sei; você faz parecer que suas intenções são nobres. Na realidade, no entanto, talvez vocês não sejam diferentes de Solaris?
          Elly e Fei voltaram-se para o amigo, mas Bart se mantinha olhando fixamente para Zephyr. Embora por vezes fosse difícil lembrar-se disso, Bart era um rei, descendente de uma linhagem de reis. Ele não aceitaria aliança com quem quer que fosse enquanto não estivesse certo das intenções deles. E novamente sacudiu a cabeça em negativa.
          _ Seja lá como for, eu estou ocupado demais tentando recuperar Aveh daquele bastardo, Shakhan. Odeio ter que te dizer isso, mas eu não tenho tempo!
          Embora um tanto surpreendente, a postura de Bart não era realmente inesperada para Fei, ou Elly, que se voltaram para a Rainha. Zephyr novamente baixara seus olhos, embora desta vez algo como um sorriso ameaçasse dançar em seu rosto.
          _ Hmm... Você aparentemente não lembra nada o calmo e quieto Roni Fatima, Bart. E, ao mesmo tempo, é tão parecido com ele... Há lógica por trás do que diz, no entanto.
          Bart deixou oculta a sua surpresa ao ouvir o nome de seu antepassado. A Rainha conhecera o fundador da Dinastia Fatima? Se fosse verdade, ela poderia responder muitas de suas perguntas... mas não era hora para aquilo. Ao invés, ele aguardou que ela prosseguisse.
          _ No entanto, eu não digo mentira alguma... quando digo que estamos fazendo isso puramente pelo futuro dos habitantes da terra. Se ainda não puder acreditar em nós, então derrote Solaris, recupere a independência dos habitantes da terra, e então observe se ainda abraçamos juntos os céus. Os pretextos do passado, a discórdia entre as nações. Por quê preocupar-se com uma escala tão pequena? Você deve olhar para a figura maior!
          Para isso, Bart não tinha resposta, e Zephyr novamente acenou afirmativamente.
          _ Deve fazer algum bem a vocês descansarem no palácio e pensar a respeito disso. Devem pensar sobre o que devem fazer. Mas lembrem-se, Solaris tem estado muito ativo ultimamente. Então, não temos muito tempo para o lazer. Quanto a você, Elly – voltou-se para a moça ao lado de Fei – Sua família e amigos... Deve entender que todos eles terão que ser seus inimigos. Sem este entendimento claro... você pode estar colocando seus companheiros numa situação que pode custar a eles suas vidas.
          Elly baixou seus olhos, também. Intimamente, ela já considerara aquilo, mas costumava evitar pensar a respeito. Quando encarou a Rainha, no entanto, sua decisão parecia tomada.
          _ ... Sim... Eu entendo.
          _ Muito bem então. Agora vão, e descansem um pouco.
          Deixando a sala do trono, os três decidiram conhecer um pouco mais do palácio, como antes tinham feito com a cidade. Elly era a única de fato que não parecia muito impressionada com a tecnologia de Shevat, já que eles aparentemente mantinham o mesmo nível de quinhentos anos antes, e quase pareciam antiquados diante dos feitos de Solaris. Para Fei e Bart, no entanto, tudo era novidade.
Maria          Chegaram a uma escadaria que conduzia a uma torre acima do palácio. Como quase tudo em Shevat, a torre tinha plantas e algo de vegetação, e ficaram admirados ao encontrar a pequena Maria lá em cima, parecendo contemplar toda a cidade aérea.
          _ Já terminaram de falar com a Rainha? O que todos vocês planejam fazer...? Vão lutar junto ao povo de Shevat contra Solaris?
          Parecia um pouco estranho ver uma garotinha de aparência tão jovem falando daquele jeito. Ela podia ter pouca idade, era fácil notar, mas já parecia muito experiente nos esforços de guerra, e nas conseqüências que podiam ter. Olhando novamente para a cidade, ela prosseguiu falando:
          _ Todos estão procurando por uma razão para viver, uma razão para lutar. Para entender melhor o significado da morte... – como Zephyr, ela parecia estar falando consigo mesma, embora Fei achasse aquilo muito semelhante ao que ele próprio se perguntara, quando Bart e Sigurd tinham pedido que os ajudasse a libertar Margie – No entanto, isso é uma coisa que devemos descobrir por nós mesmos, e faze-lo por nós mesmos... Isso é o que meu avô dizia. Embora eu não entenda o quê ele queria dizer com isso...
          _ Já faz cinco anos desde que meu avô me trouxe a Shevat – ela prosseguiu, voltando-se para eles – Vovô e a Rainha sempre me disseram para não deixar Shevat. É por isso que eu não devo ir sozinha a Solaris. Não há como eu perder para qualquer outro Gear com o meu Seibzehn... Nenhum jeito mesmo...! – e pareceu mais determinada, olhando para o próprio punho direito – Eu vou pisar em todos aqueles solarianos com Seibzehn... Acabar com eles, acabar com todos eles!!
          Elly desviou os olhos, mas nenhum deles disse nada. De acordo com o que o espião de Shevat no ‘Ethos’ dissera, e pelas investigações de Jessie, era de se imaginar os motivos de Maria para querer um confronto com Solaris. Seu pai ainda devia estar prisioneiro do inimigo, e se lhe diziam para não ir, ela não iria. Mas não era obrigada a aceitar isso.
          _  Por quê o avô e a Rainha me impedem? Será que não ligam para o que acontece com meu pai...? Vão ficar só parados esperando e assistindo enquanto ele morre? Eu não posso perdoar aquelas pessoas que torturaram meu pai, e nem aqueles que ficam quietos, esperando e assistindo...! Mesmo enquanto nós conversamos, meu pai em Solaris pode ser...
          Bart acenou silenciosamente com a cabeça. Sim, ele podia entender a frustração da menina. Outra vez ele lembrou-se de quando Margie estivera aprisionada. Sem a ajuda de Fei, ele tivera que aguardar e aguardar, e embora não gostasse disso, ao menos podia entender as razões; não tinham força suficiente, nem como invadir Bledavik sem chamar atenção ou precipitar a execução dela. Mas provavelmente, ninguém esclarecera Maria.
          _ Nah, não é assim. Você não pode pensar nele desse jeito, ou não vai servir pra nada.
          Maria, Fei e Elly voltaram-se para Bart. O pirata estava de braços cruzados e rosto baixo, parecendo quase severo. Outra vez, tanto Fei quanto Elly acharam que ele se parecia muito com Sigurd, principalmente quando encarou a menina.
          _ Como assim, ‘não servir pra nada’? Do quê está falando?
          _ Tá pensando no seu pai do jeito errado – ele interrompeu, olhando firme para ela – Você fala em invadir outro país pra salvar seu pai, e ao mesmo tempo fica pensando que ele já pode ter morrido. Que propósito tem em ir buscar alguém que acha que está morto?
          Maria olhou para Bart com outros olhos então, parecendo confusa, e um tanto mais entristecida. E ele olhou na direção da casa antiga que tinham visto.
          _ Você também falou em sair pisando em todo mundo com seu Gear. Acredito em você; eu lutei com ele, e acho que não vai ser fácil ser detida se você for pra lá nele. Mesmo que consigam, sem dúvida você vai fazer muito estrago. Mas, não foram todos os solarianos que pegaram seu pai; os que fizeram isso de verdade, ou mandaram fazer, não vão estar onde você consiga achar tão fácil. Vai sair destruindo tudo e todos enquanto isso?
          Elly sorriu levemente para Bart, que naquele momento não olhou para ela. Estava tirando a responsabilidade do acontecido ao pai de Maria de sobre ela de propósito, ou era o seu jeito de explicar à menina, ela nunca saberia. Nem parecia importar. Ele estava olhando novamente para Maria.
          _ Você não tá pronta ainda pra ir buscar seu pai, e deve ser por isso que não te deixam ir, Maria. Entre em Solaris destruindo tudo com o Seibzehn, como sei que você deve poder fazer, e não vai ser nada melhor que eles. Duvido que seu pai fosse querer ser resgatado desse jeito, sem cuidado pelas vidas de outros. O que você acha?
          Maria desviou seus olhos, tornando a olhar para a cidade de Shevat. Mas agora, não parecia haver qualquer irritação nela, apenas a mesma tristeza. Bart fez sinal para os amigos, e se afastaram em silêncio. Ela precisava pensar a respeito, e de preferência sem ninguém à sua volta. Elly comentou, quando já estavam afastados dela:
          _ Você foi muito convincente, Bart. Estou impressionada. Como sabia o que dizer a ela?
          _ Eu sei como é isso, não poder salvar alguém com quem você se importa – Bart respondeu sem olhar para ela, ou para Fei – Dá a impressão de que tudo, até as pessoas em quem você confia, querem impedir você de fazer o que é certo. Mas é uma tremenda responsabilidade; tem muito mais gente dependendo de nós, de uma forma ou de outra. Viu o que a Rainha falou; Maria e o Gear dela podem muito bem ser um dos maiores recursos de Shevat pra se defender. Se caírem nas mãos de Solaris, o pai dela vai ser a menor perda. A essa altura, ela já deve estar pensando nisso.
          Os amigos sorriram. Sim, Bart podia até ser avoado e cabeça quente, mas se importava muito com os seus. Dando de ombros, ele concluiu com ar de pouco caso:
          _ Mas, vocês ouviram a Rainha; vamos pensar se ajudamos eles ou não. No meio tempo, aproveitamos pra comer alguma coisa, que isso tudo me deu fome. Deve ter um lugar onde se comer por aqui.
          Enquanto procuravam pela cozinha, ou refeitório, o que fosse, encontraram um salão de estudiosos, cujo líder expôs sua posição ao trio:
          _ Esta terra é uma área de testes para Solaris. Os objetivos deles são; engenharia genética, cruzamento das espécies e controle da mente... Eles querem conseguir dados para os organismos recém-criados e dados gerais de combate. Os Cordeiros são apenas criação a ser cultivada para os propósitos de Solaris. O ‘Ethos’ foi estabelecido principalmente para controlar os Cordeiros.
          _ Quê?! – Bart admirou-se – Coletar dados de combate?! Então, essa guerra que durou centenas de anos no Continente Ignas... foi só uma farsa planejada por Solaris?!
          Elly meramente acenou afirmativamente com a cabeça, sem nada mais para dizer. Mas o estudioso interveio:
          _ Não é uma farsa. Para eles, é um estímulo importante sob restrições severas. Criar organismos apropriados que possam se alinhar com as ‘Relíquias Anima’ é um dos objetivos mais importantes para eles. De qualquer forma, os Cordeiros continuarão a ser as cobaias de Solaris a não ser que alguém os impeça.
          Fei acenou afirmativamente com a cabeça. Uma forma mais velada, sem dúvida, mas também aqui havia alguém para tentar convence-los a lutar ao seu lado.
          Vagaram mais pelo palácio. No subterrâneo, encontraram o estranho bloco de prisão que não era usado desde a época da guerra, quinhentos anos antes. Prisioneiros e criaturas perigosas tinham sido congelados e mantidos em animação suspensa ali, o que parecera crueldade demais mesmo tendo se passado tanto tempo antes. Várias pessoas nos salões comentavam sobre a guerra, sobre Maria e seu pai e sobre os Três Sábios de Shevat, desaparecidos havia algum tempo. Por fim, através das pessoas, encontraram o refeitório e dirigiram-se para lá, e uma bela senhora os recebeu com um sorriso no rosto.
          _ Ah, bem-vindos! Você parece ótimo, Fei.
          O rapaz admirou-se, vendo um rosto familiar num lugar tão inesperado. E totalmente alheia à confusão no rosto de Fei, ela prosseguiu:
          _ A refeição vai estar pronta em breve. Por favor, juntem-se a nós e comam ao gosto de seu coração.
          _ ...!? Yui?! P-por quê..., o quê está fazendo aqui...!?
          _ Ah, eu não disse antes? – Yui sorriu em resposta – Eu nasci aqui. Depois que deixou a vila, eu decidi voltar para Shevat juntamente com os sobreviventes da vila. Porque os soldados de Aveh e Kislev ficavam aparecendo por lá...
          _ Entendo...
          Fei lembrou-se novamente de ter visto o imenso disco voador, Shevat, enquanto procurava por Citan no deserto. Então era isso, agora podia imaginar o que acontecera; decerto, a terra flutuante resgatara o povo de Lahan naquela ocasião, antes que muitos soldados de Aveh ou Kislev aparecessem.
          _ Eu lamento muito, por causar tantos problemas a vocês.
          _ O que está dizendo? – Yui admirou-se – Não é culpa sua. Não há nada com o que se preocupar. O povo da vila entendeu depois que vieram para cá e ouviram a história. Não puderam culpar apenas você por aquele incidente, porque Solaris estava por trás dele.
          _ Sim... mas...
          _ Com licença, mas... – Bart parecia confuso – quem é essa dama?
          _ Ah, é verdade – Fei voltou-se para ele – Você ainda não a conhece. Essa é a esposa do Doc, Yui.
          _ A esposa... do Citan?!
          _ Ah, entendo – Yui sorriu candidamente para Bart – Você é Bart, a Orca do Deserto, certo? Ouvi muito falar em você; esteve muito ocupado. É um prazer conhece-lo.
          _ É... sim! – Bart pareceu visivelmente sem jeito, sacudindo a cabeça – C-como é que vai!
          Eles ouviram mais sobre a lenda do gênese, quando os humanos habitavam o paraíso Mahannon com Deus, e comeram um fruto proibido que lhes deu inteligência, mas enfureceu Deus, que os baniu para a Terra. De lá, os humanos teriam criado doze ‘Relíquias Anima’ para lutar contra Deus e retornar ao seu lugar de direito, mas ainda que poderosas, as relíquias não puderam resistir ao poder de Deus, e o mundo banhou-se em sangue até que apenas homens de coração correto restaram para habitá-lo. No entanto, mesmo Deus estava exausto e ferido depois da batalha de dez dias e dez noites, e aguardava-se que um dia ele retornaria de seu lugar de descanso, Mahannon, para dar aos descendentes dos homens de coração correto uma mão de auxílio.
          Outra coisa que ouviram e que lhes chamou atenção foi quanto ao ‘Diabolos’, um exército de ‘anjos da morte’ sem rival, sem qualquer medo ou clemência, cujo único propósito parecia ser erradicar toda a vida do planeta que surgiu no meio da disputa entre os humanos quinhentos anos antes, e que os destruía indiscriminadamente, e apenas pela união dos esforços de Roni Fatima, Rainha Zephyr e outros jovens que pilotaram os lendários Omnigears em sua época, o coração de Diabolos pudera ser destruído. Para Bart, foi particularmente interessante que seu ancestral tivesse lutado ao lado da Rainha contra Solaris.
          A decisão do trio veio ao final de seu reconhecimento do castelo, e dirigiram-se para a sala do trono onde a Rainha Zephyr os aguardava.
          _ Já se decidiram?
          _ Meu coração já está resolvido – Fei olhou para os colegas – E acho que posso falar pelo Bart e por Elly, também. Vamos fazer o que pudermos por vocês.
          _ Muito bem...
          A Rainha ainda sorria quando um tremor intenso sacudiu a sala do trono, e todos olharam em volta.
          _ Que tremor foi aquele...?
          Em resposta a Fei, as portas se abriram e Maria entrou correndo, dirigindo-se diretamente à Rainha.
          _ Majestade, aquilo foi o inimigo...?
          _ Alteza! – um soldado entrou – Algo horrível acaba de se passar...!!
          _ Qual o significado disso? – Zephyr indagou, séria.
          _ Sim! Isso é... Temos um intruso na área do convés! O gerador do Portão foi destruído...!
          _ O quê?!
          _ Qual o relatório de danos? – perguntou a Rainha.
          _ S-sim! Os subsistemas estão destruídos... A geração do Portão caiu 70% do normal! Estamos nos dedicando totalmente a enfrentar o incêndio e a fazer os reparos... Ainda assim, pode levar algum tempo!
          _ E quanto ao intruso?
          _ Sim, nós acreditamos que seja um único soldado da Gebler. Parece que o indivíduo fugiu para o hangar número 17!
          _ Hangar 17?! – Maria alarmou-se – Seibzehn...!!
          E fez menção de correr imediatamente para lá, mas a Rainha a deteve.
          _ Maria, espere! É perigoso demais que vá por si mesma.
          _ Mas... – a menina voltou-se – Não podemos simplesmente deixar o espião à solta...!
          _ Alteza – tornou o soldado – temos nossas mãos cheias apenas por tentar enfrentar o fogo no gerador do escudo. Se alguém não fizer alguma coisa, é possível que tenhamos ainda mais perdas...!
          _ Vou ficar bem – Maria assegurou – Eu posso ir sozinha...!!
          _ Maria, o que pode fazer agora, quando nem sequer tem Seibzehn?
          _ ...! Mas...
          Fei, Elly e Bart se entreolharam. A escolha quanto ao que fazer era óbvia.
          _ Então, podemos ir até lá embaixo e acompanhar Maria? – Fei perguntou à Rainha – É a Gebler, certo? Ainda estou aborrecido com eles. Eu vou pegá-los.
          _ ... Está bem assim para você, Fei? – perguntou a Rainha – Por favor, então tomem conta de Maria. E cuidem-se lá fora.
          Os três curvaram-se, e foram em direção à menina, que os chamou com um sorriso agradecido no rosto.
          _ Então, vamos todos juntos.
          _ Hã, se não for pedir demais – o soldado interveio, parecendo sem jeito – seria possível que um de vocês ficasse para trás com a Rainha? Não temos experiência de combate e... se alguma coisa por acaso acontecesse à Rainha...
          _ Muito bem, eu entendi – Fei concordou – Então, um de nós devia ficar para trás.
          Fei resolveu deixar Bart cuidando da Rainha, e Elly o acompanhou e à Maria enquanto tomavam o rumo do elevador para a doca de Gears. Pareceu estranho aos três sair do palácio para o elevador e não ver a aura dourada costumeira sobre a cidade, mas não era hora para distração, e surpresas os aguardavam. No caminho para baixo, eles vieram a uma parada brusca muito antes de chegar onde queriam, e Maria caminhou até a borda da plataforma.
          _ Não adianta! A tranca defensiva está fechada...
          Fei olhou em volta. O sistema de defesa de Shevat agora trabalhava contra eles, pois se o inimigo não tinha aparentemente como chegar à Rainha, eles também não tinham como ir até ele.
          _ Não há outra forma de descer até o hangar?
          _ Podemos ser capazes de descer se usarmos a escotilha de emergência – Maria olhou para o alto, no duto do elevador – Mas ela não é usada normalmente...
          _ Não me importa. – Fei replicou – Não podemos desperdiçar tempo aqui, seja como for.
          _ Você está certo – Elly apoiou – Eles não vão esperar por nós.
          _ Entendido – Maria concordou – A entrada da escotilha é logo acima. Podemos descer seguindo a partir dali.
          _ Ótimo! Então, vamos!
          A plataforma foi conduzida um pouco mais para o alto e, de lá, Fei, Elly e Maria tomaram os túneis do sistema de emergência de Shevat até o hangar, numa descida apressada. Por fim, conseguiram chegar ao mesmo salão onde tinham se encontrado pela primeira vez com Maria. Cruzando a porta por onde ela antes saíra para cuidar de Seibzehn, eles chegaram a um corredor metálico onde as luzes oscilavam, decerto por causa da investida do intruso, e de lá finalmente entraram no hangar 17.
          Seibzehn continuava lá, ileso ao que parecia, sua forma imensa semioculta pela meia-luz das lâmpadas de emergência, e Maria olhou ao redor.
          _ Onde está o intruso...?
          _ Hmph, vocês de novo – veio uma voz familiar e aborrecida de algum lugar – Vocês, pestes, não estão fazendo meu trabalho nem um pouco mais fácil.
          E então eles a viram. Fei e Elly colocaram-se diante de Maria para guardá-la, pois Dominia estava parada de pé na cabeça de Seibzehn, seu sabre em mãos.
          _ Dominia...! – Elly exclamou, seu bastão posicionado para a defesa – Então foi você?
          _ Jamais imaginei que encontraria Seibzehn na minha rota de fuga – comentou Dominia meio que para si mesma, como se considerasse o que fazer. Por fim, pareceu tomar uma decisão e aprumou-se.
          _ Eu levarei Seibzehn. Originalmente, isto pertencia a nós, de Solaris.
          _ Dominia! – Elly desafiou – Eu não posso deixar que leve o Gear!
          _ Tola – a outra murmurou, com seu costumeiro ar de superioridade – Nem ao menos sabe que este Gear é o ponto de contato entre nós. Hã?
          Ela finalmente percebeu que Fei e Elly não estavam sozinhos, reparando na criança oculta atrás deles.
          _ Aquela criança... Ei, você... É a filha de Nikolai...?
          Maria ficou surpresa ao ouvir o nome de seu pai dito por uma agente de Solaris, mas sua postura foi altiva quando saiu da cobertura de Fei e respondeu:
          _ Sem dúvida, eu sou a filha de Nikolai, Maria Balthasar! O que isso tem de mais...?
          _ Entendo... – Dominia pareceu pensar profundamente – Então, você é a amada filha dele, por quem ele se ofereceu a cumprir aquela difícil tarefa... Ei, garotinha. Quer ouvir uma história interessante? Vamos ver... Que tal o segredo maldito de Seibzehn?
          _ ...!? – contra sua vontade, Maria não teve como não se interessar pelo que Dominia estava dizendo – O que quer dizer?
          _ O que quero dizer? Vai entender quando ouvir a história.
          “Nas últimas décadas, nossos cientistas colocaram muito esforço em pesquisa para criar Gears evoluídos. Não importa o quanto um piloto seja grandioso, enquanto for humano, sempre haverá um espaço de tempo e o erro humano enquanto estiver em interface com uma máquina.”
          “Foi quando seu pai, Nikolai, foi apontado. Ele era um gênio no campo de mecanismos nervosos cranianos. Eles fizeram Nikolai pesquisar por uma forma dos humanos irem além dos humanos... mesclando humanos e máquinas. Em outras palavras, eles estavam tentando criar uma vida nova, uma arma viva suprema, conectando um cérebro humano vivo diretamente a um Gear. Isso teria permanecido uma fantasia sem Nikolai. Mas aquele gênio tornou a fantasia realidade...”
          _ Isso é uma mentira!! – bradou Maria – Meu pai não faria uma coisa tão horrível!!
          _ Eu não minto, Maria – tornou Dominia – Esta é a verdade. Seu esplêndido pai teve sucesso em fundir homem e máquina. E ele abriu os portões do inferno para os Cordeiros.
          Maria silenciou, horrorizada. Seu pai...? Não podia ser! Aquilo não podia ser verdade! E Dominia ainda não terminara.
          _ Na realidade, dados e componentes variados obtidos da guerra em Ignas, e das Batalhas de Kislev, foram usados como material experimental. Foi assim que os mutantes humanóides especiais, Wels, nasceram. Wels criados em Solaris foram testados na superfície. Apenas os Wels que passaram nos testes foram desmontados, reestruturados e renasceram. Eles se tornaram o circuito de controle central do Gear... e se tornaram parte da máquina...
          “Tudo isso é o resultado da grande pesquisa do seu pai. Seibzehn, o protótipo de um Gear-fusão de homem e máquina. Em outras palavras... Seibzehn foi completado à custa de inumeráveis vidas de habitantes da terra. E no circuito nervoso de Seibzehn está...”
          _ Não acha que já falou demais, Dominia?
          Uma voz antiga e debochada interrompeu o discurso da líder dos Elementos, e ela olhou ao redor.
          _ Quem está aí?!
          E o vulto se expôs, ficando sob a iluminação direta de uma das luzes de emergência. Um homem de meia-idade e ar irreverente, olhando para Dominia com ar de superioridade.
          _ Por quê mulher é tão fofoqueira? Ficam matraqueando sobre coisas das quais não deviam falar. Francamente...
          _ Jesiah?! – Dominia exclamou, sem disfarçar em absoluto a surpresa – Você...?! O quê está fazendo em Shevat?! Se, a propósito, você não estava sendo considerado para ser o próximo comandante-em-chefe da Gebler?!
          _ Não fique tão agitada – Jessie respondeu, braços cruzados e ar de pouco caso. Depois, a expressão divertida do rosto desaparecendo depressa, ele puxou sua carabina e a fez descansar em seu ombro, quase distraidamente. Mas seus olhos eram frios quando encarou Dominia.
          _ Acho que já brincou com fogo o bastante por hoje. Vá para casa de uma vez. Maria é a única que pode operar Seibzehn. Já devia estar bem a par disto.
          _ Hmph, tolos! Não fique tão convencido. A festa está apenas começando.
          Mas mesmo ela não parecia disposta a tentar sua sorte contra o velho pistoleiro. Sem deixar de parecer superior e, no entanto, não ousando demorar mais diante de Jesiah, ela deu de ombros.
          _ Mas, acho que está bem. Minha missão está completa. Tudo o que resta é... – e voltou-se para a menina lá embaixo – Maria, receio que eu precise ir agora. Aproveite a festa. Hah hah hah...!
          _ Espere! Dominia!
          Fei gostaria de ter punido Dominia pela crueldade para com Maria, revelando algo daquela natureza para a menina daquela maneira, mas a líder dos Elementos desapareceu, deixando o local, sem que Maria lhe desse mais atenção. Ela olhava para a face do Gear que pilotara por anos em defesa de Shevat, o Gear que seu pai construíra.
          _ ... Pai...
          E que, segundo Dominia, fora construído a partir do sofrimento de muitas pessoas. Por alguma razão, ela acreditava na invasora.
          _ Ei Maria, não se importe com o que ela disse a você.
          A menina não respondeu a Fei, apenas continuando a olhar para Seibzehn. E as sirenes de alarme começaram a soar por toda a volta
          _ Isso... é...?
          _ Parece que nossos convidados chegaram – tornou Jessie, olhando para cima – Vamos subir. A Yggdrasil também está acomodada no convés. Tenho certeza de que os outros caras estão fazendo uma zona por causa disso.
          E guardou a carabina, e novamente o olhar sério não parecia o semblante costumeiro de Jessie, quando ele pareceu dizer para si mesmo:
          _ Tenho uma premonição horrível... Eu duvido, mas... eles poderiam ter...
          Do quê se tratavam os temores do velho pistoleiro, nem Fei nem Elly puderam imaginar naquele momento. E Maria tinha mais em sua mente naquele momento do que as palavras de Jessie.
          _ Seibzehn...
          Minutos depois, todos estavam reunidos na sala do trono da Rainha Zephyr. Não apenas Jessie, Fei, Elly e Maria, mas também Billy, Citan, Bart e Rico, e todos ouviam enquanto o doutor fazia uma avaliação do que tinham conseguido apurar.
          _ As unidades de Gears de Solaris estão em curso de interceptação de alta velocidade com Shevat. Seria razoável acreditar que seus alvos principais serão os quatro Geradores de Portão. Provavelmente planejam acabar conosco, já que a demolição de Dominia enfraqueceu a saída do Portão. Já enviamos nossas unidades de interceptação, mas não sei quanto elas vão suportar.
          “O povo de Shevat não está acostumado a táticas de Gears. Eu quero evitar sacrifícios desnecessários se for possível.”
          _ É... eu sei, Doc – Fei concordou com um aceno de cabeça – Nós iremos! Já estamos envolvidos. E, não podemos ficar simplesmente parados olhando enquanto essas pessoas morrem.
          _ Fei...
          A Rainha ficou profundamente comovida com as palavras do filho de Khan Wong, mas ele não era o único piloto presente.
          _ Eu não gosto da idéia de trabalhar de graça – Bart murmurou, braços cruzados e cabeça baixa – mas gosto menos ainda da idéia de enfiar o rabo entre as pernas e correr deles! Vamos nessa! Não interessa quem sejam. Eu vou derrubar todos com o meu Brigandier!!
          _ Sim...! – Elly concordou – Faremos o que pudermos para proteger o povo daqui!
          _ Tch – fez Rico, sacudindo a cabeça em negativa – Desde o dia em que conheci vocês todos, não tem sido nada além de problema... Mas, já cheguei até aqui com todo mundo. Acho que não faz sentido ficar com coisinha agora. Vou mostrar pra eles o que acontece quando se cutuca o grande Rico.
          _ Eu também vou! – exclamou Billy – O inimigo conseguiu entrar porque eles permitiram a entrada da Yggdrasil. Não podemos permitir que o povo desta terra fique em perigo por nossa causa...
          _ É isso aí, vão nessa, jovens! – Jessie interrompeu o filho – Estamos contando com vocês. Especialmente porque minha vida também depende disso. Eu não tenho intenção nenhuma de bater as botas por aqui.
          _ Cala a boca! – Billy voltou-se para o pai, parecendo ter perdido toda a compostura. Jessie sempre conseguia tira-lo do sério – Papai, dava pra você não dizer nada?!
          _ Tá bom, tá bom, já sei – Jessie fez sinal de trégua, e Billy sacudiu a cabeça, voltando-se para os outros. Quando o filho não estava olhando, no entanto, o pistoleiro resmungou:
          _ Por quê você não pode ser mais legal?
          _ Tá certchu! – uma voz fina falou, e todos olharam em volta – Chu-Chu vai achudar também!
          Foi quando perceberam que Chu-Chu estava entre eles, quieta até então, e Fei olhou surpreso para ela.
          _ ‘Vai achudar’...? Chu-Chu, o quê você está fazendo aqui?
          _ Bem... – Elly sorriu, olhando para a criaturinha – Acho que no meio da confusão, ela acabou vindo junto de algum modo.
          _ O quê que eu faço... – Fei lamentou-se – Isso não é um jogo. É perigoso, então volte pra a Yggdrasil. Está bem, Chu-Chu? Seja uma boa garota.
          _ Uh hmm – Chu-Chu negou com a cabeça – Chu-Chu não é uma boa garota. Eu echutou naquela idade perigosa agora. E, Chu-Chu pode achudar também! Eu vou com todos vocês. Tá? Tá bom?
          _ Tch, certo – Fei acenou com a cabeça, desistindo – Não venha chorando pro meu lado quando as coisas saírem do controle.
          _ Heh, então eles chamam você de Chu-Chu também – Maria riu – Muitos dos seus amigos moram nesta cidade. Quer encontrar-se com eles depois?
          _ M-mechumo? – Chu-Chu pareceu admirada – Echutão todos aqui? Yaay! Finalmente encontrei eles! Os amigos de Chu-Chu! Eles echutão aqui!!
          E pulou de alegria, na expectativa de voltar a ver toda a tribo da qual fora separada já havia algum tempo. E, mais empolgada para a batalha do que qualquer um deles, ao que parecia, ela falou:
          _ Agora, vamos pôr o melhor de nós nisso! Pechual, temos que dar nochu melhor tiro!
          _ Esta é a avaliação das unidades de Gears inimigos – disse Citan em voz grave – Como eu expliquei antes, quatro unidades separadas estão indo para cada um dos geradores respectivos. De acordo com a informação coletada em Shevat, temos uma boa idéia das capacidades e composição das unidades de Gears. No entanto, há um Gear gigante que eles estão mantendo na retaguarda do qual não temos qualquer informação.
          _ Um Gear gigante não identificado...? – Jessie viu seus presságios parecerem confirmados – Não pode ser...
          _ Me permitam coloca-lo na tela.
          A Rainha Zephyr tocou um botão no braço de seu trono, e as paredes da sala pareceram tornar-se um grande monitor, uma visão do céu azul por toda a volta do aposento. E à esquerda de seu trono, um Gear imenso de cor escarlate e com um canhão embutido em seu braço direito flutuava. Mais do que o choque para todos de ver tal máquina, Maria admirou-se por conhecer aquele Gear.
          _ I-isso é... Achtzehn...?!
          _ Qualé a desse Gear de dar medo...? – Bart perguntou, incomodado ao ver o provável adversário – Sabe alguma coisa sobre ele, Maria?
          _ Achtzehn... é o segundo Gear que meu pai desenhou... a irmã Gear de Seibzehn. Mas Achtzehn não foi completado...! Além do Seibzehn, meu pai não fez mais nenhum, e supostamente ele queimou os planos...! Então... por quê...?!
          _ Povo de Shevat! Me ouçam!
          Uma voz pareceu vir do Gear vermelho, transmitida por rádio. E, novamente, a surpresa maior foi para Maria, justamente porque conhecia a voz.
          _ Essa voz... Não... Pai?!
          _ Eu ouvi dizer que alguns ratos interessantes correram para cá – veio a voz de Nikolai, parecendo debochar – Bem a tempo de testarem Achtzehn. Eu posso derrubar vocês e Shevat de uma vez só! Alô, ratinhos, saiam. Venham, minhas cobaiazinhas lindas...
          _ Por quê isso...!! – Maria não se conformava. Parecia mesmo ser a voz de seu pai, mas o que estava dizendo... Não podia ser ele! – Por quê meu pai está...?!
          _ Acalme-se, Maria!! – ordenou a Rainha – Isso não quer dizer que o Dr. Nikolai esteja lá dentro!
          _ Mas...!! Mas... a voz do papai...!?
          _ Maria!! Controle-se! – Zephyr tornou a ordenar – Você pretende perder mesmo antes de lutar...? Contra as mesmas pessoas que fizeram você sofrer?
          _ ...!! Mas...
          _ Bem, está certo – Citan interrompeu – Vamos considerar nosso próximo movimento! Devemos repelir as forças de Gears e proteger o gerador. Para fazê-lo devemos nos dividir em quatro grupos, e interceptar o inimigo. Quatro de nós vão atacar independentemente e defender cada gerador até a morte. Os outros dois, esperam aqui. É perigoso... mas não podemos recuar agora. Se mesmo um gerador cair, é uma derrota para nós.
          _ Maria... – ordenou a Rainha – Você espera aqui.
          _ Por favor, Maria – Citan reforçou o pedido, e a menina olhou para ambos. Sabia o que estavam fazendo. Fosse ou não o pai dela dentro de Achtzehn, seria muito difícil para ela lutar contra o Gear de Nikolai. Era melhor que ela não tomasse parte.
          _ Está bem... Eu entendo.
          _ Em seguida – Citan considerou – a formação dos Gears inimigos. No Gerador 1, há dois Gears menores e um complemento de tropas de Solaris. Se não os atingirem depressa e com força, vão terminar pegos na artilharia.
          “No Gerador 2, há três Cavaleiros Brancos. Eles são muito rápidos e manobráveis. No Gerador 3, há um Gear grande e um Cavaleiro Branco. Sejam cuidadosos, pois o Gear maior tem alguma espécie de ataque especial. No Gerador 4, há um Gear imenso com um Cavaleiro Branco, sendo que o maior parece ser um Gear de poder.”
          _ Eu fico com o Gerador 1 – disse Elly – Vierge e eu podemos com vários inimigos de uma só vez.
          _ Eu pego o Gerador 2 – avisou Bart – Podiam ser mais pra deixar a coisa interessante, mas acho que vou me contentar com esses seus Cavaleiros Brancos por enquanto.
          _ Então eu fico com o Gerador 3 – Fei ofereceu-se – Eu e Weltall estamos acostumados com o inesperado.
          _ Hmph! – fez Rico – Gear de poder, é? Deixe o quatro comigo.
          _ Entendido – Citan concordou – Então Billy e eu ficaremos na retaguarda. Todos, preparem-se para a batalha e por favor, apressem-se! O inimigo está quase lá!
          _ Entendido! – Fei acenou – Chegamos tão longe, não vamos ser vencidos agora!
          Olhando para o imenso Gear vermelho suspenso no ar, Maria não parecia tão convencida disso. Mas, enquanto parte da população de Shevat, ela podia apenas esperar pelo melhor.
 
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BROKEN SWORD, AND SHIELD