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XENOGEARS
(Compilado e Adaptado por Louco)

Capítulo 28: No Fundo do Oceano

            _ Thames à vista!
          A Yggdrasil se aproximara da Thames. Chegando à alta velocidade, eles foram avisados pelo oficial do radar que o ataque fora retirado, e a nave cidade aparentemente bem sucedida ao tentar fugir da perseguição. Citan subiu com Bart e Billy até a cabine de comando, o Elevador Espiral aparentemente ileso, e foram recepcionados com satisfação pelo Capitão.
          _ Ah, são vocês! Bem-vindos a bordo de novo! É bom tornar a vê-los!
          _ Viemos o mais depressa que pudemos – Citan desculpou-se – Temíamos não chegar a tempo, mas vocês parecem ter lidado bem com a situação.
          _ Mas é claro que sim, porque... – e o Capitão ergueu a bengala, apontando-a para frente. 
          _ Nós somos! – voltou-se para a esquerda.
          _ Homens! – voltou-se novamente.
          _ Do mar!
          Mas havia um pouco menos de entusiasmo na celebração desta vez. Após um instante mantendo a pose, o Capitão voltou-se para os amigos com um ar um tanto abatido.
          _ Normalmente, é isso o que eu diria. Mas temos pessoas gravemente feridas na ala médica, alguns feridos fatais inclusive. Resgatamos a todos os que pudemos dos outros navios, mas...
          E o Capitão, com a ajuda de Hans, fez um breve resumo do acontecido, até o momento em que a ‘coisa peixe’ tomou outra direção.
          _ Até onde pudemos ver – disse Hans, apontando para a janela da ponte de comando – aquela coisa partiu rumo ao norte. Há uma área de escavação do ‘Ethos’ naquela direção, onde há rumores de que descobriram algo realmente antigo.
          _ Citan, eu não pediria por vingança – o Capitão disse em tom solene – Mas se vocês pretendem mesmo enfrentar aquela coisa escura, aceitem o meu conselho e tomem muito cuidado. Só precisaram de um disparo para acabar com a nossa frota e danificar a Thames. Vamos levar dias pra consertar todo o estrago e perdemos gente muito boa. Não temos condição de enfrentar aquilo, mas vamos ajudar vocês com qualquer coisa de que precisem. Hans! Avise o pessoal da área de suprimentos para abrirem o depósito. Nossos convidados podem pegar o que precisarem de lá, com livre acesso. Isso vai em nome dos nossos colegas feridos. Só vou pedir uma coisa a vocês; depois que isso terminar, venham nos contar como aconteceu. Nosso pessoal precisa saber que não passou por tudo aquilo em vão.
          Parecia estranho ver o Capitão falando daquela forma, mas era compreensível, principalmente para Bart. Ele sabia bem o que era ter a responsabilidade por toda uma tripulação, e prometeu silenciosamente vingar o que a Thames tinha sofrido. Devia aquilo ao Capitão, e aos outros também.
-o-
          Em algum ponto do oceano, um imponente Gear de bronze estava em modo de espera, de braços cruzados e ereto. Seus sistemas de auto-reparo há muito haviam sanado os problemas causados depois de sua última batalha, e seu mestre lutava para conter as poderosas forças em seu interior. Adquirir mais aquele poder valera a pena, mas por vezes o incomodava, e não tinha como evitar, levando em conta o que sentira. Era ‘ele’...!
          Seus comunicadores receberam uma mensagem inesperada, e o rosto familiar de Miang formou-se em seu monitor principal.
          _ ... Você notou? O Gear dele está re-despertando. Em breve, ele próprio também vai despertar.
          Grahf não tinha nada a dizer. Claro que sabia disso. O que o intrigava era qual o interesse de Miang na questão. E a imediato de Ramsus logo esclareceu:
          _ Os amigos dele estão indo para Zeboim. Já esteve selada há 4000 anos. Você sabe o que há lá melhor do que eu. Ele provavelmente não entregará nada a ninguém. Mas é algo de que nós dois precisamos. Sabe o que quero dizer?
          Claro que ele sabia. Não era preciso dizer coisa alguma. Não obedeceria a ordens da mulher de cabelos púrpura, mas seus interesses também estavam em jogo. Não podia ficar parado.
          _ ... então, por favor.
          O rosto de Miang desapareceu do monitor. E o Gear de bronze lentamente começou a erguer-se.
-o-
          A Yggdrasil, devidamente abastecida, rumou na direção indicada pela tripulação da Thames, e não tardou para que encontrassem a área secreta de escavação do ‘Ethos’. Havia sinais de luta no exterior, o que os levou a supor que tropas de Solaris também tivessem atacado ali. Tudo estava silencioso, mas Citan e Billy tinham recentes demais as lembranças do acontecido no quartel-general do ‘Ethos’ para se arriscarem. Elly, no entanto, olhava para o elevador que conduziria ao interior da escavação com um ar indecifrável em seu rosto.
          Estavam agora no elevador, e Billy estava pronto para sacar e atirar; até seria um alívio, depois da provação no ‘Ethos’, e de tudo o que Stone dissera. Mas ele ainda não entendia as motivações dos inimigos.
          _ Citan, o que Solaris está tentando fazer? – ele perguntou quando o elevador terminou sua descida longa, diante da área de escavação. Mas mesmo o catedrático parecia em dúvida.
          _ O exército principal de Solaris... para quê... tudo isso... Bem, vamos descer.
          O trio seguiu em frente. Eles temiam o ataque de tropas de Solaris, ainda possíveis depois de dizimar os escavadores, ou mesmo monstros, freqüentes em áreas como aquela, mas a única coisa presente além deles era o silêncio, um tanto enervante. O grupo logo alcançou uma passarela de paredes de vidro. A iluminação artificial permitia uma ampla visão dos arredores, e era impressionante; estavam numa das áreas mais elevadas de uma vastíssima caverna, numa torre de saída. Lá embaixo, até onde a vista podia alcançar, prédios e ruas de uma cidade antiga espalhavam-se por toda a volta num cenário surpreendente.
          _ Isso são... ruínas de uma cidade...! – murmurou Billy – Eu já tinha ouvido falar nela, mas...
          _ Eu sei, eu a conheço bem... – Elly murmurou, caminhando para frente com um olhar vago e uma voz distante, sem parecer ela mesma – Sim... A cidade na caverna, Zeboim... Quando estávamos enterrados naquele vasto mausoléu...
          _ Elly! Elly! – Citan estava alarmado, sacudindo a moça pelos ombros – O que foi!!
          A princípio, Elly apenas manteve o mesmo ar distante e entristecido, mas logo pareceu despertar, confusa, olhando ao redor como se não soubesse onde estava.
          _ Hã...? O quê...? Eu por acaso...?
          _ Não... – Citan estava cheio de alívio, e confuso. Aquilo não devia ser nenhuma seqüela da hipnose anterior, e isso era motivo de alívio. Mas, a forma como ela falara... – Vamos, é melhor seguirmos em frente.
          O caminho conduzia sempre para baixo. Citan e Billy repararam que Elly olhava para as ruínas por toda a volta com uma expressão estranha. Eles também estavam surpresos; mais de quatro mil anos não haviam bastado para deteriorar as paredes de metal em sua maioria, embora os sinais claros de abandono estivessem por toda a parte: teias de aranha, mofo e muita poeira. Mas o olhar de Elly parecia reconhecer as ruínas de alguma forma.
          _ Um equipamento tão fantástico de isolamento numa instalação – comentou Billy, olhando em volta num corredor – Será que era um hospital? Mas, a cidade lá fora tampouco parece tão poluída...
          _ Um equipamento de trancas de ar e saneamento muito severo – concordou Citan – No entanto, não parece operacional... O interior tão bem preservado, o exterior provavelmente também está...
          _ Ah...!
          Elly entrou na sala seguinte obrigando seus companheiros a voltarem até onde ela estava, olhando em volta com ar de assombro e reconhecimento para painéis computadorizados e uma janela opaca, o que novamente chamou a atenção de Citan.
          _ Elly... Você se lembra de já ter visto isso?
          _ S-sim... eu me pergunto por quê..? – ela olhou em volta com uma expressão de pesar – É terrivelmente solitário... e familiar.
          O computador da sala ainda estava operacional, e acusava uma emergência de nível cinco, o que mantinha o reator central isolado, bem como todos os acessos ao banco de dados do laboratório principal. Embora o trio persistisse na busca, no entanto, não pareciam estar fazendo mais do que andar em círculos.
          _ Que prédio inconveniente... – queixou-se Billy – É como se estivesse recusando forasteiros.
          _ ... Labirintos geralmente não são construídos para proteger contra inimigos... – ponderou Citan – Geralmente, são feitos para trancar algo em seu interior.
          _ Não para manter algo para fora, mas para manter algo dentro... – Billy raciocinou – Me pergunto o que seria este ‘algo’?
          Procurando mais adiante, eles finalmente descobriram o motivo para as portas seladas. Após uma fileira de escadas, uma voz eletrônica barrou seu acesso a uma das portas, anunciando:
          _ Área isolada. O botão de emergência dentro do reator foi ativado há 34999999 horas atrás. A partir deste ponto, há o risco de nanocontaminação. Quando penetrar na sala, por favor, execute uma análise manual e confirme a segurança. Depois da confirmação, por favor, reinicie o nível de emergência no terminal mais próximo. Efetuar análise?
          Citan operou o painel da porta, e o trio foi analisado pelo leitor ótico da porta, que logo registrou não haver nanocontaminação. No entanto, antes de entrar na sala, eles tiveram que recuar até o terminal mais próximo para reiniciar o nível de emergência. Ao penetrarem pela porta selada, tiveram que aguardar enquanto os sistemas reduziam a pressão do ar sensivelmente, e Citan não deixou de se admirar:
          _ Este nível está completamente ativo, mesmo depois de tanto tempo...!
          Elly subitamente passou por eles, Billy e Citan olhando sem entender enquanto a moça entrava num corredor de luzes vermelhas, selado por portas de vidro verde. Sua expressão era de dor e ela estava de mãos juntas, enquanto murmurava de maneira quase inaudível:
          _ ... Sangue... Coberta de sangue... Meu... sangue... Não havia dor alguma... Apenas... frio... e tristeza...
          _ Elly...!
          _ Ela esteve aqui completamente sozinha, durante este tempo todo... – Elly parecia alheia a tudo, saindo pelo corredor atrás dos dois como se eles nem estivessem ali. E Citan olhou em volta, analisando.
          _ Sangue...? – examinou o metal próximo à porta mais detidamente, encontrando pequenas marcas nas paredes, e manchas escuras – Certamente está coberto de sangue... E isto... Calor excruciante... não, talvez seja radiação? Talvez seja um sistema de desinfecção de emergência... Estas marcas são evidências de que ele foi usado...
          Um som de máquinas se fez ouvir nos fundos, e Billy e Citan voltaram–se surpresos. Numa sala ao lado, Elly estava operando os painéis antigos com segurança, como algo que ela sempre fizera, e enquanto as telas enchiam-se de palavras e sinais tão antigos que não fariam sentido para qualquer pessoa viva, Elly uniu as mãos novamente e disse baixinho:
          _ Ó veículo para uma nova alma! Que o espírito que habita em ti encontre a paz.
          Foi de cabeça baixa diante dos monitores, ainda mostrando vários programas em execução, que Citan encontrou a moça, e advertiu:
          _ Elly, não! Não sabemos o que poderia acontecer!
          Elly voltou-se com ar triste para Citan, e ele sem entender por que sentiu pena. Acompanhada de um certo temor desconhecido.
          _ Citan... Quem... sou eu...? O que estou fazendo? O que estou dizendo...?
          Não havia resposta que o catedrático pudesse oferecer, uma vez que ele incomumente não tinha a menor idéia do que estava havendo. Nada parecia poder explicar a familiaridade de Elly com aquelas ruínas antigas. E Billy, ainda no corredor de portas seladas, voltou-se ao ver um cilindro repleto de um líquido esverdeado erguer-se no meio da sala, e bolhas erguendo-se em seu interior. Aos poucos, enquanto a espuma formada se alternava com o líquido, o corpo de uma menininha de, no máximo, nove anos de idade se fez presente, seus cabelos verdes flutuando no interior do cilindro. O trio espalhou-se ao redor do cilindro, e Billy indagou:
          _ Citan... Essa menina...? Como ela subitamente mudou para a forma humana?
          _ Esta menina parece ser uma forma de vida artificial criada dentro do reator – Citan respondeu, olhando pensativamente para a criança flutuando no cilindro – Ela provavelmente foi montada no reator usando-se aquela série no banco de dados da sala de controle. Provavelmente, o corpo dela foi...
          _ ... construído de máquinas autônomas numa escala molecular – completou uma voz no corredor, fazendo-os voltarem-se – Em outras palavras, uma colônia de nanomáquinas.
          Stone entrou na sala seguido de oito dos assassinos vestidos de clérigos que antes tinham sido vistos no ‘Ethos’, e mais duas garotas em uniformes de Solaris que se detiveram na porta. Sem qualquer cerimônia, o bispo disse:
          _ Vou levar essa colônia de nanomáquinas comigo, obrigado. Essa é a existência, ou o fator chave, com o qual Deus vai nos guiar para libertar a humanidade de seu jugo. Então, se não se importam...
          Alguns dos solarianos vestidos de clérigos foram aos painéis e fizeram com que o cilindro se suspendesse, o líquido se desfazendo numa névoa branca suave enquanto a menina parecia aguardar pelo que seria decidido com um olhar sem expressão. E Billy tocou nervosamente suas pistolas.
          _ Bispo...
          _ Ah, Irmão Billy, está aqui também. Isso torna as coisas mais simples. Eu sei que vai entender... Esta colônia de nanomáquinas precisa estar nas mãos de uma pessoa honrada. Está destinada a ser a ‘salvação da humanidade’.
          _ Uma pessoa honrada? – Billy indagou friamente – Eu certamente não acredito mais que você seja honrado. Eliminar o ‘Ethos’ e qualquer humano da superfície que não concorde com a sua vontade...
          _ Qual o problema em eliminar aquelas pessoas que não sejam adequadas para a ‘salvação’? Se, nossa própria fé não é baseada no preceito de que ‘apenas os escolhidos serão salvos’?
          _ ... Há algo muito errado com isso – replicou Billy – Salvação pela fé é algo que todos deveriam ter uma oportunidade igual de alcançar.
          _ Está dizendo que pode salvar toda a humanidade? Se Krelian usar a colônia de nanomáquinas, ao menos podemos salvar alguns poucos escolhidos. Mas vocês não entendem como utilizar isto. Não podem salvar ninguém. Pretende assumir a responsabilidade pela perda que vai causar à humanidade?
          Billy não sabia o que dizer. Havia algum fundamento no que Stone dizia, talvez, mas ele sentia em seu coração que aquilo estava errado. Não podiam perder a humanidade inteira, mas tampouco podiam condenar os ‘não-escolhidos’. E o método de seleção do bispo, dado o que ocorrera no ‘Ethos’, não parecia muito correto. E Stone prosseguiu:
          _ Meu trabalho agora é levar esta colônia de nanomáquinas para Krelian. Perceba, diferente do ‘Ethos’, nosso objetivo não são as armas antigas que jazem nas ruínas da cidade. Eu não penso que estejamos em conflito com seus interesses.
          _ Não! – Elly se opôs – Não podemos permitir que eles levem essa criança!
          _ Salvação ou não – Billy apontou uma pistola para um dos clérigos, fazendo-o deter-se – O que estão planejando fazer com essa menina?! Tudo o que sei é que seus feitos não são honrados. Bispo... Lamento dizer isso, mas... Não posso ser parte do que você tem intenção de fazer.
          _ Vejo que não pude fazê-lo entender... – Stone comentou, um cintilar estranho nas lentes de seus óculos – Então, não pode ser evitado... Não tenho o tempo para insistir em convencê-lo. Por favor me perdoe, já que devo me apressar.
          E voltou o rosto para as duas moças na porta, dizendo:
          _ Desculpe deixar as duas damas esperando... É hora de fazerem seu trabalho, Elementos.
          Uma delas, uma oficial de uniforme verde e cabelos de prata com pequenos pontos esverdeados em seu rosto, meramente deu de ombros enquanto as duas penetravam na sala e sem a menor cerimônia ficaram entre o trio e a menina, que foi retirada por Stone e os outros soldados. Elly as reconheceu como dois membros dos Elementos de Jugend, e Citan reconheceu aqueles uniformes, mas Billy teria mantido Stone sob mira se a outra, uma garota de cabelos e roupas cor de rosa e ar infantil não tivesse entrado em seu campo de visão, enquanto o bispo dizia:
          _ Tolone! Seraphita! Consigam-me tanto tempo quanto possível!
          _ Já sabemos, já sabemos! – Tolone, dos cabelos de prata, resmungou – Pare de ficar nos dando ordens!
          _ Ei, Tolone – Seraphita sacudiu a cabeça numa forma muito infantil, parecendo aflita – Vamos andar logo com isso e terminar o serviço pra podermos ir embora daqui! Eu não gosto de lugares escuros!
          Os modos da outra, agindo como uma garotinha, fizeram Citan e Billy inadvertidamente baixarem a guarda. Havia uma pessoa ‘assim’ nos Elementos? Apenas Elly manteve-se em guarda, embora parecesse um pouco envergonhada. E Tolone concordou com a colega.
          _ Tá, tudo bem. Isso é só porque são ordens de Ramsus – e suspirou aborrecida – Agora, ele nos colocou protegendo esse lixo... Bem, é assim que é pessoal – ela disse, voltando-se para os três oponentes – Ia ajudar se vocês se apressassem e perdessem logo.
          _ Mas afinal, quem são vocês? – Billy perguntou, incomodado – Não temos tempo a perder falando com as duas!
          _ Bom, eu ‘sinto muito’! – Tolone parecia ofendida – Mas não podemos deixar vocês irem ainda. Na verdade, não ligamos tanto assim pra Krelian , mas se fizermos um serviço porco vai deixar Ramsus mal. Mas, graças a vocês, tolos, que reviveram ela, podemos terminar essa missão mais cedo do que esperávamos.
          _ É – confirmou Seraphita, curvando a cabeça em agradecimento – Não sabíamos como operar aquele maquinário todo, então ficamos tão confusas! Muito obrigada pela sua generosa ajuda!
          Billy e Citan tinham expressões de extrema confusão nos rostos, apenas Elly outra vez parecendo embaraçada, imaginando o que Ramsus diria se ouvisse àquilo. Pôde fazer uma boa idéia ao ver a reação de Tolone:
          _ Ai, Sera... não conte isso a eles! Logo quando eu estava armando as coisas pra nos fazer soar psicologicamente superiores! Droga...
          _ O quê! – Seraphita tornou a sacudir a cabeça daquela forma infantil – Mas... Quando as pessoas te fazem uma gentileza, você sempre deve dizer ‘obrigada’. É o que minha vovó sempre dizia... Mas, estou impressionada, Tolone! ‘Psicologicamente superiores’? Seu implante ciborgue cerebral de ‘Futon de Gim Tônica’ te faz parecer esperta, com certeza!
          _ É ‘Cérebro Foto-Positrônico’, sua idiota! – esbravejou Tolone – ‘Futon de Gim Tônica’...? Você me faz parecer uma bêbada dorminhoca!
          "Já é ruim o bastante como está – pensou Tolone – ‘Cérebro Ciborgue Foto-Positrônico...’ Vai acabar nos pondo em apuros com aquele pessoal que fez ‘Star Treco’!"
          _ Tomem cuidado! – Elly alertou, pondo-se em guarda – Os Elementos são as lutadoras de elite de Ramsus... Parecem inofensivas, mas são muito perigosas.
          _ Então, mesmo essa conversa delas foi planejada... – murmurou Citan, impressionado. Mas Elly acenou com a cabeça, outra vez parecendo corada.
          _ Não, é assim que elas são normalmente! É o que as torna realmente perigosas!!
          _ Então não vamos perder tempo! – Billy apontou as pistolas e comandou – Citan, eu abrirei caminho enquanto você passa por elas...!
          Tolone agitou o braço direito e um tornado de ether se manifestou, arrastando Billy e Citan para trás à força, e Elly se manteve onde estava à força, o bastão à sua frente bloqueando o ataque que reconhecia, fortalecendo o poder de ataque de Tolone enquanto os afastava e dava tempo a Stone de fugir.
          E Seraphita a atingiu, saltando na corrente de ar de Tolone e se deixando levar para golpear Elly enquanto ela estava ocupada se defendendo do turbilhão de sua colega. Fora só a primeira investida das duas, e os três estavam caídos no lado oposto da sala.
          _ Bem, é como dissemos – Tolone sorriu levemente – Não podem sair daqui ainda. Seraphita?
          Seraphita acenou para eles e um ‘Thermo Dragão’ semelhante aos de Elly causou uma erupção de fogo onde estavam, e os três dispersaram. Rolando no chão e sacando as pistolas, Billy abriu fogo contra Seraphita, fazendo-a recuar e se preparando para um ‘Gunholic’, mas Elly gritou do lado oposto:
          _ Billy, não as atinja com ether! – ela ergueu-se, investindo contra Tolone, em seu ataque ‘Travessia’ – Tolone e Seraphita podem...!
          Para surpresa de Billy e Citan, Tolone repentinamente soltou seu antebraço direito e apontou um microdisparador positrônico embutido nele para Elly, neutralizando o ataque dela e lançando-a de volta pela sala. 
          _ Podemos, sim. Mas mistério é bom para a reputação, e você não precisa contar...
          _ É, não ia ter graça se dissesse que nosso treinamento em Jugend faz a gente absorver ataques de ether – Seraphita concordou, de braços cruzados e parecendo séria, recostada na porta – Não é isso, Tolone?
          _ Sera... – Tolone olhou para a colega com impaciência – Não adianta nada eu me esforçar pra manter ela quieta, se você vai e conta pra eles logo em seguida! Não dá pra simplesmente ficar quieta e lutar?
          _ Hein? Mas Tolone – Seraphita outra vez sacudiu a cabeça como uma garotinha – Eu só queria...
          Citan aproveitou-se do momento para alcançar Elly e lançar seu Sazanami sobre ela, recuperando algo de seus ferimentos. Era um grupo diferente dos Elementos que ele conhecia, e era ela quem saberia lidar melhor com as duas. Enquanto isso, Billy disparou à esquerda e direita para afastar as duas e ganhar tempo.
          _ Elly! Elly, você está bem? – perguntou Citan, curvado sobre ela – Agüente firme!
          _ Se não passarmos por essas duas – Elly murmurou – Stone pode acabar fugindo... E-eu preciso...
          _ Acalme-se! Você precisa de mais tempo...
          Billy tombou novamente, e desta vez era ele quem parecia muito ferido. Citan levantou-se, pondo-se em guarda para lutar, mas Elly levantou-se também e colocou o bastão diante dele.
          _ Espere... Tome conta do Billy, Citan, e seja rápido. Vou precisar de vocês dois.
          _ Anda, pra quê tornar isso tão demorado? – Tolone perguntou, com ar de impaciência – É só vocês ficarem um pouco no chão! É tão difícil assim fazer isso?
          _ Mais... do que imagina, Tolone.
          Algo dentro de Elly se agitou; pela segunda vez, homens haviam descido ali para levar a menina. Outra vez, ela não estava conseguindo impedir que a levassem...
         ... Emeralda...!
          Elly apontou seu bastão para as duas e concentrou-se, preparando-se para atacar com ether. Era tolice atacar a dupla de Elementos diretamente, mas de alguma forma, ela se lembrava daquele laboratório. E lembrava-se do reator onde a colônia de nanomáquinas fora cultivada; um reator que usava gases para resfriamento. Gases conduzidos por tubulações localizadas exatamente acima de onde Tolone e Seraphita estavam.
          Erguendo o bastão para o batente da porta sobre as duas, Elly chamou:
          _ Lança de Terra!
          O batente despedaçou-se, e também os condutores sob ele, espalhando gás extremamente frio sobre Tolone e Seraphita. Elas eram capazes de absorver a energia ether dos ataques, era verdade, mas aquilo não era um ataque de ether, e ambas apressaram-se para o centro da sala, gritando com o frio.
          _ Agh! O q-que é...? F-frio...!
          _ Aaaaaah! – Seraphita estava de mãos unidas novamente, tentando sem sucesso afastar as camadas finas de gelo de seus cabelos e ombros – Frio demais...! Espera Tolone, eu resolvo... Thermo Dragão!
          Ao comando dela, chamas explodiram sobre as duas, derretendo o gelo e tornando a aquecê-las. Teria sido uma enorme tolice, não fossem ambas capazes de absorver a energia do ataque, e Tolone suspirou de alívio.
          _ Ah, bem melhor...! É, Sera, dessa vez você caprichou. Muito bom trabalho!
          _ Foi, não foi? – Seraphita sorriu, outra vez parecendo uma garotinha – Eu não gosto de frio, dá a impressão que a gente está...
          _ Travessia!
          Elly havia planejado quase tudo aquilo; não esperava que Seraphita usasse um ‘Thermo Dragão’ sobre as duas pessoalmente, mas tanto melhor, no fim das contas; facilitara em muito sua parte, e com seu ataque rápido, ela golpeou tanto Tolone quanto Seraphita e alcançou Billy e Citan, que tinham aproveitado o tempo concedido para se recuperar.
          _ Billy, Citan, ataquem agora! Na direção da porta!
          Citan à esquerda, Billy à direita, os dois atacaram ao mesmo tempo. Enquanto o catedrático alcançava Tolone e a atingia com seu ‘Reken’, um novo golpe de ataques manuais encerrado por um chute, Billy lançou Seraphita para trás com seu ‘Quebra Nozes’, e ambas tombaram na direção da porta, caindo no corredor e passando ainda uma vez sob os vapores já quase extintos da tubulação rompida. E a Elemento de cabelos prateados não gostou da sensação de dor.
          _ Droga...! Sera, agora já chega! Vamos mostrar pra eles...!
          _ Tolone, o seu braço!
          O braço positrônico de Tolone estava rachado em mais de um ponto. Embora seus corpos pudessem resistir bem à maioria das agressões, tantas mudanças de temperatura em tão curto espaço de tempo tinham cobrado seu preço, quando somadas aos impactos dos golpes que tinham recebido. E Tolone ergueu os olhos, vendo Elly, Citan e Billy se aproximarem devagar. Diferente de Dominia, no entanto, ela sabia quando abandonar uma batalha.
          _ Seraphita!! Já basta. Fizemos o trabalho que foi requisitado. Vamos nos retirar!!
          E saiu depressa pelo corredor, ao que Seraphita gritou enquanto ia atrás dela:
          _ Aaah!! Tolone! Espere por mim!
          E as duas desapareceram no corredor, seguidas de perto por Citan, Billy e Elly. A sala de pressurização, no entanto, não podia ser aberta enquanto outros a utilizavam e o trio teve que aguardar por segundos preciosos antes de seguir em perseguição.
-o-
           Na ala médica da Yggdrasil, Fei continuava a dormir. Mas seu sono era inquieto, repleto de vozes e imagens nada familiares. E nada reconfortantes, tampouco.
         ... Nossa existência amaldiçoada ligada à terra...
          Um pulsar alto. Como se o som de seu coração tivesse sido amplificado. Ou não era o seu coração?
         Ó veículo abençoado... Criado para remover aquele ‘jugo’...
          Havia uma sala, com um cilindro repleto de um líquido esverdeado. E uma garotinha de cabelos verdes flutuando nele. E o pulso alto continuava. Fei, vestido com um avental branco de médico, ou cientista, estava parado atrás das portas de vidro verde que lacravam aquela sala. Elly jazia do outro lado, sangrando muito, e tropas empunhando rifles fumegantes se aproximavam.
          Ela ergueu-se com dificuldade, levantando a cabeça emoldurada pelos lindos cabelos vermelhos, forçando um sorriso doloroso na direção dele enquanto alguém dizia:
          "Eu simplesmente não posso... entregar nossa filha... a vocês..."
          Vários soldados parados, apontando suas armas para Elly. Um pulso. Outro. Mais um.
          ...! ...! ...! Não! Parem!
          O pulso. Aquele médico que era Fei, mas não era, observando o que acontecia com aquela garota vestida de enfermeira que era Elly, mas não era, e o pulso se tornou mais alto e seqüenciado. Tudo à volta dele pareceu estremecer enquanto o médico batia os punhos contra a porta de isolamento e um crucifixo balançava de um lado para o outro.
          O médico agora estava num lugar escuro e um garotinho de cabelos sobre os olhos observava. E o crucifixo cintilou à meia luz.
          "Hee hee hee... hee hee hee... Até mais..."
          A enfermeira da Yggdrasil voltou; estava na hora de verificar as condições de Fei. Mas ele não estava em lugar algum onde pudesse ser encontrado.
          _ Hã? Para onde foi o Fei...?
-o-
          Nas ruínas de Zeboim, enquanto isso, Elly, Citan e Billy davam perseguição a Stone e seu grupo. Tolone e Seraphita não estavam em lugar algum onde pudessem encontrá-las, até que o trio finalmente alcançou o grupo do bispo, mais vagaroso, já na passarela de vidro onde toda a cidade podia ser vista à altura, e Citan bradou:
          _ Bispo Stone!! Espere!!
          Soprava um vento encanado dos níveis superiores ali, e Stone voltou-se com ar contrariado.
          _ Hah, Elementos... Vocês nem sequer são tão boas quanto dizem... Nem sequer podem me conseguir algum tempo.
          _ Devolva isso.
          Stone, os soldados de Solaris e também Citan, Elly e Billy se surpreenderam, porque aquela voz era desconhecida, e parecia vir de lugar nenhum. E insistia, num tom inexpressivo.
          _ Devolva isso, devolva isso.
          Billy nervosamente tocou as pistolas na cintura, Citan e Elly se puseram em guarda, procurando ao redor. Nada, a princípio.
          E então um Gear vermelho com asas verdes de energia pura surgiu do nada. Citan foi o único a perceber que ele descera depressa, se imobilizando à direita deles; para os demais, parecia ter se materializado do nada, tão rápida e sutil foi sua chegada. E um pilar de luz escura formou-se sobre a passarela, anunciando a vinda do piloto.
          Era um rapaz completamente trajado em rubro negro, alto, de cabelos longos cor de fogo e pele pálida, além de uma fisionomia estranha. Seus olhos transmitiam insanidade, pura e simples, mas também uma confiança tremenda. Era alguém que conhecia a si mesmo, e não parecia haver nada naquele mundo que pudesse detê-lo.
          _ Ha hah... Hyah hah ha... Ha hahahahahahahahahahahahahahaha!! Ha ha – e voltou-se para Stone e os outros solarianos – Isso é meu. Devolva!!
          _ O q-que você quer? – mesmo o arrogante Stone parecia inquieto. O recém-chegado parecia exalar morte – Q-quem é você?
          _ Pra você, isso é só um brinquedo usado – o estranho respondeu, ignorando a pergunta – Então, devolva. Pertence a mim.
          _ Quem é você? – Billy gritou do outro lado, de pistolas apontadas – Ao menos nos diga seu nome!
          Com lentidão e indiferença, parecendo pela primeira vez fazer caso da presença de Citan, Billy e Elly, o desconhecido voltou-se e hesitou por um instante, como se considerasse se deveria responder ou não.
          _ Nomes não importam... No entanto, se insistem... Id...
          Os vidros partiram-se por toda a passarela enquanto Id desceu ao nível deles, e ficou parado com ar de desafio entre eles e o grupo de Stone. Citan reconheceu algo no desconhecido, algo familiar, mas que ele não identificava muito bem, e resolveu que sendo o mais velho e experiente, devia ser o primeiro a ir.
          E investiu com seu Reken. Diante dos olhos admirados de Billy e Elly, e diante da surpresa do próprio Citan, o desconhecido calmamente evitou golpe após golpe, sem qualquer esforço aparente. Punho à esquerda, direita, esquerda novamente, giro... Id os evitou a todos.
          Citan recuou e tentou completar a técnica, ao menos atingindo Id com o chute. O desconhecido agarrou seu pé com a mão esquerda, girou-o sobre a própria cabeça e lançou-o de volta na direção dos amigos, como se não tivesse peso.
          Enquanto Citan atingia a parede atrás de si pesadamente, Billy ergueu suas pistolas. Talvez Id pudesse evitar artes marciais, mas teria a velocidade para escapar de tiros? Ainda mais do seu Quebra Nozes?
          Tiro após tiro partiu das duas pistolas de Billy numa seqüência cadenciada. E Id, numa demonstração incrível de agilidade e técnica, desviou-se de alguns dos disparos e desviou outros com braços, pulsos, pernas e joelhos, parecendo ser inacreditavelmente mais veloz até mesmo do que as balas.
          _ Esta é a nossa chance – murmurou Stone entre dentes – De volta a Krelian...
          _ Bispo Stone, espere! – Billy viu os solarianos escaparem pela comporta e fez menção de persegui-los. Mas não dera dois passos adiante quando Id subitamente parou bem diante dele, retrucando com o mesmo ar frio e insano:
          _ Está lutando comigo. Vou fazê-lo prestar mais atenção.
          Num movimento rápido, ele moveu os dois braços para trás e então para adiante, formando um globo escuro de chi que cresceu até tomar toda a passarela e então explodiu, lançando a todos com violência para trás. Elly, que não atacara ainda e se mantivera em guarda, resistiu um pouco melhor, enquanto seus dois companheiros jaziam no solo.
          Ela olhou além de Id. O outro não parecia fazer a menor conta disto, mas Stone e alguns de seus seguidores já haviam desaparecido. Alguns dos outros, no entanto, estavam tombados no beiral da porta; decerto, abatidos pelos disparos de Billy que Id apenas evitara. E aquilo aumentou sua apreensão de que os outros escapassem.
          _ Você não disse que queria aquilo de volta? – Elly perguntou, mantendo-se a custo de pé – Eles a estão levando! Não percebeu?
          _ Posso ir atrás deles quando quiser – Id retrucou simplesmente – Mas nunca deixo uma luta por terminar. E, era tudo o que queria dizer?
          Não havia muito que fazer, Elly percebeu. Se o outro era capaz de evitar até mesmo as balas de Billy, ela não seria de melhor sorte. Não com ataques físicos.
          Elly ergueu seu bastão e chamou:
          _ Lança de Terra!
          Não sabia o quanto o outro podia ser vulnerável a ataques ether, mas se pudesse abalar a área específica da passarela onde ele estava, talvez pudesse lançá-lo lá embaixo. E foi a primeira vez em que Id pareceu surpreso durante a batalha, durante o breve instante antes de desaparecer no ataque de terra de Elly.
          Havia um buraco vazado no piso da passarela, feito de forma a danificar, mas não eliminar o acesso, mostrando o controle de Elly sobre sua técnica. Id estava pairando sobre o rombo como se o piso ainda estivesse lá, batendo levemente sobre seus ombros e braços como se estivesse empoeirado, sem parecer notar nada à sua volta por um breve instante. Então se voltou para Elly, sinalizando que não.
          _ Isso... não vale.
          E deslizou depressa na direção dela, a ponto da moça não poder dizer se ele flutuara ou correra até ela. E tinha seu punho direito erguido, como concentrando energia, que descarregou sobre ela num golpe explosivo, arremessando Elly inconsciente na direção da parede. E Citan reconheceu aquela técnica.
          _ I-isso parece-se com... o Raijin!
          Id voltou-se para Citan com o mesmo olhar vazio de antes, sem dizer palavra. Billy também se ergueu com dificuldades, e lançou sobre todos a sua Luz Sagrada, fazendo com que ele e Citan pudessem ficar de pé novamente. Mas Elly continuou caída onde estava, abalada pelo poder do golpe.
          _ V-você é forte... – ofegou Billy – Hã?
          Um segundo Gear, azul e prateado, desceu pelo lado oposto da passarela e agarrou Id com firmeza. Surpreso, o lutador olhou para a máquina, murmurando apenas:
          _ !! ... Você...? ...
          _ Eu o peguei! – bradou o piloto do Gear recém-chegado, com uma voz que Citan reconheceu – Depressa, vão atrás deles!!
          _ Esta voz... Sábio!
          Citan não deixou de reparar, também, que o Gear do Sábio lembrava muito Weltall: a mesma estrutura, mesmo modelo, apenas parecendo ter prata e verde onde Weltall era negro e amarelo. E, por falar nisso...
          _ Vão!! Todos, depressa!
          Era melhor que guardasse suas conjeturas para mais tarde, pensou, antes que Stone escapasse.
          Billy tomou a frente, enquanto Citan carregava Elly. E Id deu um sorriso contrafeito ao vê-los fugir, encarando o Gear do Sábio.
          _ Hmph, um pouco antecipado, não? – ele estava intrigado com a chegada prematura do homem mais velho, mas não era preciso muito raciocínio para que deduzisse o que acontecera. Não entre eles -  Entendo, foi aquela mulher... Tudo bem. Você vai servir como meu brinquedo... por hoje.
          A energia chi de Id brotou, vermelha e agressiva, e ele se livrou da mão do Gear prateado com pouco esforço, para apreensão do Sábio.
          _ Hã? ... Oh, não...
          _ Hah ha hyah ha ha ha ...
          A aura agressiva de Id pareceu repelir o Gear prateado do Sábio, enquanto tudo à volta deles estremecia, lentamente a princípio, e cada vez mais.
          Andar acima, acabando de selar uma porta atrás de si, Billy e Citan subitamente sentiram os impactos poderosos mesmo onde estavam, e Billy suspirou:
          _ Uau... Bem na hora. Aquele homem e o Sábio... Estão realmente arrasando com tudo. O poder ether consegue chegar até aqui...!
          Seguiram adiante, passando pelo último elevador e finalmente chegando ao exterior. Mas a nave esférica negra estava se afastando, além do alcance das armas da Yggdrasil.
          _ Então, chegamos muito tarde... – murmurou Citan.
          _ Citan, então o que acontece agora que Krelian tem a criança – quis saber Billy – O que é uma nanomáquina, afinal?
          _ Nanomáquinas são robôs que são menores do que células humanas – explicou Citan, ainda com semblante preocupado – São usadas para curar doenças ou feridas em Solaris... Ela pode ser uma colônia de nanomáquinas feita por uma antiga, mas avançada tecnologia.
          _ ... Mesmo que seja apenas para o povo de Solaris – Billy ainda não entendia o problema – o que há de errado em fazer as pessoas felizes?
          _ Estou preocupado com o que o Bispo Stone mencionou – Citan replicou, ainda olhando para o céu com ar apreensivo – Ele disse que precisava dela para ‘libertar a humanidade de seu jugo’. Talvez alguma informação antiga sobre reconstrução humana esteja escondida no corpo dela...
          "Meio humanos, tais como Rico e Hammer, nasceram como resultado de brincadeiras com o D.N.A.... Isso foi feito pela antiga Solaris, na esperança de que traria a restauração da humanidade. Se Krelian está pensando em fazer o mesmo com nanotecnologia melhorada... Isso seria assustador."
 
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WE CAN RUN TO THE END OF THE WORLD