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Capítulo 15: Batalhando em Kislev
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No dia seguinte, Fei deixou seus aposentos para cuidar dos detalhes e,
talvez, da primeira luta ainda naquele dia. Mal ele chegou até a
porta do bar, Hammer entrou esbaforido e o avisou:
_ É isso aí... mano... Acabei de te registrar! _ Puxa... Isso foi rápido! – admirou-se Fei – É fácil assim? _ Normalmente não é tão fácil – confirmou Hammer – Mas parece que uma mulher chamada Rue do Comitê de Batalha fez alguma coisa e mexeu os pauzinhos pra você. _ Comitê...? Ah, está falando daqueles três? _ De qualquer forma, graças a eles, a parte burocrática da coisa toda saiu suave como uma brisa! He-ei! Isso quer dizer que você pode começar a batalhar quando achar que quer, mano! _ Mas, além disso Hammer – Fei comentou com um olhar desconfiado – desde ontem, você pareceu um pouco feliz demais! Tem algo estranho por trás dos bastidores que eu não esteja sabendo? _ Hã...? N-n-não! N-nada! N-n-n-nada, não! – gaguejou Hammer – O mecânico dos campeões, eu, teve seus pecados perdoados, e isso quer dizer que não há nada pra se suspeitar! Hahahahahahahaha! _ Hmmm... sei. _ O que quer dizer? – perguntou Hammer, suando – É claro que não tem nada de errado! Aaahh, e... eu tenho muito o quê fazer, então, vou na sua frente! E saiu, tropeçando nas mesas. Fei ficou tão admirado que nem teve tempo de perguntar onde deveria ir para lutar. Como se percebesse isso de repente, Hammer voltou até a porta e disse: _ Ah, antes que eu esqueça, a Arena de Batalha é nos limites do Bloco D. Fale com o guarda e ele te deixa passar. Fui! Juntando-se a Citan, que estava um tanto quanto curioso sobre Nortune, Fei deixou a área residencial e foi até a Arena. Nortune era uma cidade cheia de chaminés que despejavam fumaça nos céus o tempo todo, e era por isso, Fei percebeu, que sempre parecia ser noite lá. O ar era mais sujo, e todas as casas e ruas tinham um cheiro de decadência. Não era como a vila saudável de Lahan ou a agitação alegre de Aveh; ali, a vida parecia aos poucos estar desistindo de si mesma. Era até compreensível, pensou Fei, que Aveh estivesse levando a melhor sobre Kislev. Estranho era que dependessem da Gebler e, outra vez, Fei perguntou-se como estaria Elly. Ele ainda estava perdido em pensamentos quando um guarda indicou-lhe um prédio que não parecia alto o bastante para uma Arena de Gears, e logo ele viu o porquê: a maioria das batalhas ocorria num subterrâneo profundo. _ Então, isso é a Arena de Batalha... _ Ou a recepção, para ser exato – corrigiu Citan. Dois guardas surgiram à frente deles, prenunciando a chegada de Rue Cohen, que lhes deu as boas vindas. _ Bem vindo à Arena de Batalha, Fei, senhor... Há alguns dias atrás – ela comentou, dúbia – você era irredutível sobre não pilotar Gears... Algo aconteceu nos últimos dias para que mudasse tanto de idéia? _ Viver o resto da minha vida com monstros de esgoto não é tão ruim – retorquiu Fei – É só que... bem... Há muitos fatores. E tem este colar! Atrapalha demais! _ Seu colar...? Hahahamm... você é divertido. Que seja, está objetivando a vitória, mesmo sendo sua primeira vez na Arena? – ela pareceu surpresa. _ É tão estranho assim? _ Não, não, não tanto... por favor, me perdoe. Você parece ter muita confiança em lutar com Gears... Estou ansiosa aguardando... Ooops, desculpe! Bem... Acho melhor mostrar-lhe logo as cocheiras... Não temos muito tempo. _ ...‘Cocheiras’? _ Ora, está pensando que vai lutar em carne e osso? Hahahamm, não que eu não quisesse ver isso, mas... Já dissemos antes que o comitê prepararia uma máquina para você... Se esqueceu? _ Não... Não, claro. E, sobre o Gear que eu vou pilotar... _ Bem, basta me seguir. Aquilo era cansativo e inútil e Fei ficou feliz por finalmente seguir Miss Cohen até os hangares de Gears. Ele e Citan trocaram um olhar, no entanto; pouco antes, ela quase deixara escapar algo importante ao que parecia. Mas seus pensamentos foram interrompidos pela surpresa sem precedentes que teve ao entrar, pois o Gear preparado para ele era um Gear negro, de modelo único, que ele já conhecia muito bem. _ Mas este é...! _ Ora... Esta é uma volta inesperada nos eventos – Citan ajeitou os óculos sobre o rosto – Ainda assim, não é de todo inesperado. Estou apenas presumindo, mas creio que tenham fornecido Weltall a você intencionalmente para coletar alguns dados. _ Intencionalmente? _ A batalha, em si, serve como um dos planos de Kislev. Através da batalha, eles podem obter variados dados de combate e de lutadores de talento para serem usados pelo exército. Fei voltou-se para o Gear que, quisesse ou não, estava sempre consigo e perguntou-se em voz alta: _ Exatamente que espécie de dados poderiam conseguir dele e de mim...? _ Eu não saberia dizer – respondeu Citan – mas posso garantir a você que isso tem algo a ver com aquele incidente com Aveh. Seja como for, não importando o que o império pretenda, isso é bom para nós. Você será capaz de usar o Gear com o qual está mais acostumado. Se pensar desta forma, isso só fortalece as nossas chances de fugir. Contra isso Fei não podia argumentar, e resolveu fazer o reconhecimento das condições de combate na Arena de Batalha; dois Gears, ou por vezes um Gear e um monstro à altura tinham um terreno amplo num pátio aberto, preparado especialmente para as lutas. Havia montanhas, lagos e áreas desérticas ou gramadas. Igualando as condições entre os diferentes Gears, o único armamento de longa distância permitido era a assim chamada ‘Bala de Ether’, disparos de energia Ether teleguiados de médio alcance. Os pilotos deviam derrotar seus oponentes em combate corpo a corpo, mas também deviam ficar atentos às condições do Gear. Movimentos extras, como as Balas de Ether e os movimentos em velocidade Turbo, causavam superaquecimento prematuro, o que imobilizava o Gear até o resfriamento, fazendo de qualquer lutador um alvo fácil. E o primeiro combate de Fei foi contra um Gear chamado Ganador, semelhante a um cavaleiro medieval com espada e escudo, cujo piloto era ninguém menos que Leonardo, do bando de Rico. Assim que o combate começou, no entanto, Fei logo mostrou sua superioridade, mesmo levando desvantagem em tempo de experiência naquele tipo de batalha. Ganador protegeu-se atrás do escudo para atacar com a espada, mas Weltall recuou com um salto amplo e revidou com uma Bala de Ether, atingindo o escudo do oponente com um solavanco. _ Hnf! Forte... Leonardo procurou pelos monitores por sinais do oponente, quando sentiu, mais do que encontrou, Weltall posicionado à sua direita, fora da cobertura do escudo e um instante mais veloz do que sua espada poderia atacar. O primeiro golpe do punho direito jogou longe a sua espada; o punho esquerdo atingiu em cheio sua cabeça; um chute, outro, um derradeiro golpe do punho direito e Ganador rolou pelo solo arenoso, muito danificado logo no início do combate. _ Hm! Nada mal. Seja do seu jeito então – rosnou Leonardo pelo comunicador – Acabou a brincadeira! Vamos falar sério... Foi quando Fei notou alguma irregularidade em seu painel de controle. Alarmado, ele viu que os sensores de temperatura haviam enlouquecido, acusando um aumento irracional do calor interno. _ Hmm? O que está havendo? O meu Gear está... Diversas explosões internas se sucederam, tirando Fei e Weltall da competição de forma inesperada, com a vitória praticamente ganha. Leonardo e os demais lutadores de Rico, desejosos de se vingarem de Fei pela ‘cerimônia de batismo’, haviam sabotado o sistema de resfriamento de Weltall, e ele por pouco não foi morto por uma falha mecânica ‘acidental’. Encaminhado para a enfermaria do Bloco D, Fei ficou inconsciente por toda a noite, embora pouco descanso houvesse nisso. Mesmo adormecido, o jovem lutador se revirou em delírio com sonhos impossíveis, enquanto o calor parecia queimá-lo mesmo ali. _ Heh, heh... Asno... Provavelmente ele está de cama agora. _ Num foi demais, não? – perguntou Heinreich – Se o Campeão descobre, a gente já era! _ Hmph, eu não ligo! Vamos só terminar logo isso e ir embora. A noite tá estranha hoje. Os ratos estão inquietos. _ Quê? – Heinreich duvidou – nem parece você... Tá bom, então vai pr’aquele lado... E Heinreich desceu para a ala sul do sistema de esgotos, deixando a norte para Leonardo, que olhou instintivamente para os lados. _ Oh, cara, isso é ruim... Os cabelos da minha nuca estão todos de pé. Tem alguma coisa esquisita por aqui. Heinreich cruzou uma das inúmeras pontes, próxima a um cano de despejo, passando de um lado a outro do escoamento e parou de repente, voltando-se. Sons estranhos eram comuns ali, mas não fora um som diferente que chamara sua atenção. Por tensos segundos, em meio ao mau cheiro e à semi-escuridão que as luzes de manutenção não ajudavam a espantar, ele aguardou e aguardou, mas nem mesmo um rato apareceu. _ Hmm... Deve ser só a minha imaginação. (Tudo o que não estavam em trevas estava vermelho em sua visão, e ele sentia a presença próxima. Saiu de uma curva e viu o alvo mais à frente, numa distância razoável, fácil de cobrir depressa... e ele avançou). Heinreich nunca soube exatamente o que acontecera. Ainda caminhava na direção do ponto de encontro, esperando encontrar Leonardo, quando pareceu notar que não estava só. _ O quê? Leonardo procurara com muito má vontade pelo tão falado morador do esgoto e, não tendo achado nem mesmo ratos, foi até a entrada para encontrar-se com Heinreich. Nunca admitiria, mas estava tremendamente inquieto. O que podia fazer até mesmo os ratos desaparecerem do esgoto? Ele não sabia, mas dava asas à sua imaginação, e não de forma favorável. Ainda estava chegando lá quando ouviu um som de passos e disse, aborrecido: _ Tch! Então saiu, hein? (Outro som de movimento. Estava fácil, naquela noite. Saindo de trás da esquina, ‘ele’ pôde ver outro deles à sua frente, tendo acabado de sair de uma das pontes). Leonardo não reconheceu a forma vermelha que surgiu de repente, mas teve duas certezas imediatas: primeiro, não era Heinreich, de forma alguma; segundo, não era amistoso. _ O que pode...? A coisa avançou depressa, visão vermelha e uma velocidade impressionante, e o lutador instintivamente soube que não podia enfrentá-lo. Voltou-se e começou a correr para a saída, tão próxima e tão distante ao mesmo tempo, enquanto algo parecido com riso chegou aos seus ouvidos, tão mais próximo...! _ Saco, esse monstro está...! Cruzou uma das pontes quase que num salto e voltou-se. O monstro já estava sobre ele, do outro lado da ponte, e ele sabia que só precisava dar suas costas para ser morto. Recuando devagar, sem tirar os olhos da criatura vermelha, ele estendeu as mãos para se defender, mais parecendo uma súplica. _ F... Fique longe... Um mostrar de dentes que parecia um sorriso foi a única resposta, e a coisa avançou. Leonardo deu as costas para correr, e sentiu que as duas garras do monstro penetravam suas costas, ao mesmo tempo em que seu coração explodia e respirar se tornava impossível. Fei despertou no dia seguinte, tentando se situar e lembrar o que houvera. Havia uma sensação horrível no canto de sua mente que apenas servia para piorar sua desorientação. _ ... Onde estou... Ah... A enfermaria...? _ Bem, alô Fei! – Citan entrou no aposento, parecendo tremendamente aliviado ao ver o jovem amigo despertar – Já está desperto? _ Doc... – Fei voltou-se para os amigos, uma das mãos ainda sobre a cabeça – O que aconteceu comigo...? Como cheguei aqui? _ Durante o andamento da Batalha – o doutor explicou enquanto Hammer entrava na sala – houve uma explosão súbita... Lembra-se? _ ... É isso mesmo... naquela explosão... eu perdi a consciência? _ Foi uma tremenda explosão, mas você teve sorte do Gear ter sido Weltall...! Qualquer outro Gear que fosse, e eu odiaria pensar no que... De qualquer modo, você está salvo, e é isso o que importa! _ Graças... ao Weltall, hein? Doc – voltou-se de novo para Citan – Quantos dias se passaram desde então? _ Só um dia correu desde o acidente. Seus ferimentos foram relativamente menores, então... _ Só um dia... A expressão de Fei era profunda e preocupada, e Citan perguntou: _ Qual o problema, Fei...? _ Tive um sonho horrível... Não consigo lembrar dele, mas... simplesmente sei que foi horrível... _ Um sonho...? Fei sentou-se na cama, sacudindo a cabeça lentamente como que para limpar a mente, e procurou parecer melhor ao dizer: _ Não foi nada, acho... Não se preocupe com isso, Doc. Citan nada respondeu, pensando consigo mesmo no que aquilo poderia significar. Fei procurou ficar de pé, então. _ Doc, eu preciso voltar à Batalha. Quero tirar esse colar explosivo de mim o mais rápido possível. _ Claro... mas como está a sua saúde, Fei? Não quero que se esforce. _ Não adianta nada dizer isso. O tempo não vai esperar! Eu não posso ficar simplesmente sem fazer nada. _ Sim, suponho que esteja certo. Entendo o que quer dizer, Fei. Temos que nos esforçar e sair daqui o mais depressa que pudermos. Mas não significa que você deve se sobrecarregar neste exato momento. Aproveite para descansar mais um pouco. _ Você é o doutor... doutor! – Fei procurou sorrir – Eu vou tentar... descansar mais um... pouco... Fei deixou sua cabeça voltar ao travesseiro, esperando que os pesadelos se mantivessem afastados. No dia seguinte, de fato, Fei sentia-se melhor e tornou a comparecer na Batalha, disposto a dar a Leonardo o combate que não pudera concluir na última vez. Foi informado pela recepcionista, no entanto que uma falha mecânica impediria Leonardo Sniper de continuar participando, o mesmo tendo acontecido a Heinreich Clive, o que fazia Fei vencer por desistência e permitia que ele competisse na segunda fase, devendo vencer duas disputas naquele dia, concorrendo á terceira fase eliminatória. A primeira luta do dia foi contra um dos Tin Robot dos homens do deserto, um exemplar dos mesmos que enfrentara ao lado de Bart na Caverna das Estalactites. Os disparos de Balas de Ether davam ao sucateiro um certo alcance e poder de batalha, mas ele não foi páreo para Fei e Weltall. No primeiro duelo, Fei evitou sua investida saltando sobre ele e caindo por trás do Robot, lançando-o para o alto com uma seqüência de golpes para então finalizar o primeiro ataque. O sucateiro pareceu aprender a manter distância, e iniciou a investida seguinte correndo ao redor de Fei, derrubando-o com uma Bala de Ether e caindo sobre ele com seus ganchos. Weltall o recebeu com um chute, e antes que ele se refizesse, uma nova barragem de golpes do Gear negro causou danos pesados, encerrados com uma única Bala de Ether. A segunda batalha foi contra um Titan, um Gear verde bem construído que portava uma enorme marreta. Iniciando à longa distância, Weltall lançou uma Bala de Ether, que foi recebida pela marreta como se fosse uma bola. Titan investiu então, usando seus Turbos para golpear o oponente duas vezes antes de lançá-lo pesadamente para trás com um ataque mais poderoso de sua marreta. Caído seu Gear, Fei amaldiçoou-se por ter sido descuidado. Se fosse derrotado ali, perderia a chance de deixar a prisão. E de cumprir sua promessa. _ Firme aí, amigo. Bart, eu vou conseguir! Weltall pôs-se de pé, Turbos ativados. Aquilo causaria aquecimento prematuro, mas agora ele estava em pé de igualdade com o Titan, e tendo menos massa, era mais veloz. A marreta tornou a descer sobre ele, que se esquivou com facilidade e atacou por trás novamente, aproveitando a posição e o equilíbrio do outro para derrubá-lo. Duas Balas de Ether seguidas atingiram Weltall de surpresa, fazendo-o cambalear para trás. Utilizando a marreta como aríete, Titan golpeou novamente o Gear negro e o lançou ao chão, detendo-se diante de Weltall com a marreta erguida para o golpe final. Uma Bala de Ether do Gear negro derrubou a arma do Titan e o surpreendeu. Fei esperara pelo momento em que o outro baixaria a guarda para atacar. Erguendo-se depressa e agarrando o antebraço do oponente, Weltall derrubou o Titan e saltou para afastar-se. No momento em que o Gear pesado conseguiu erguer-se, o outro ganhara distância e velocidade suficientes com seus Turbos para atingir Titan com toda a sua força, lançando-o dentro do lago da arena, e o outro não saiu mais de lá, garantindo a Fei e seu Gear a segunda vitória do dia. No dia seguinte, mais duas Batalhas separavam Fei das semifinais. Sua primeira luta foi contra um Gear que portava duas lâminas giratórias enormes em seus ombros, W.Shaver, que logo mostrou depender demais dos disparadores em seus braços. Independentes das Balas de Ether, as armas davam um grande alcance ao outro, enquanto Weltall defendia-se com os braços e Fei deduzia; se o ponto forte de Shaver eram os disparos, ele devia ser fraco em combates de curta distância. Weltall começou outra investida, aproximando-se de Shaver numa trajetória espiralada ao redor do outro, com seus Turbos concedendo-lhe velocidade e deixando o Gear inimigo sem saber para onde apontar. Subitamente, Weltall estava parado diante dele e descarregando uma seqüência de golpes. Shaver procurou defender-se com os braços e recuar, mas Weltall agarrou seu braço e lançou-o para o alto, atingindo-o com um chute giratório e mandando-o para trás numa forma curiosamente parecida com o que o Omnigear vermelho fizera a Ramsus durante o ataque no deserto, embora com certeza ninguém ali presente soubesse disso. Shaver fora seriamente danificado, mas a luta ainda não terminara e ele começou a recuar em velocidade turbo, usando seus disparadores freneticamente, ganhando a posição alta de um monte para reduzir a área de movimento de Weltall. O Gear negro, no entanto, protegeu-se usando a cordilheira como escudo e surgiu de repente por trás do atirador, golpeando novamente com um chute giratório que derrubou Shaver morro abaixo, encerrando a Batalha. O próximo rival foi Musha, um Gear ao estilo samurai, portador de um rifle de disparos menores na mão direita e uma katana, além das Balas de Ether convencionais. Fei resolveu evitar o confronto direto e iniciou a Batalha saltando sobre Musha, buscando cair atrás dele. Balas de Ether teleguiadas do samurai o derrubaram em pleno salto, e mal se pôs de pé, Weltall foi atingido em seqüência pelo rifle de repetição de Musha, caindo novamente enquanto seu computador relatava danos extensos. Se o outro era limitado a tiros como Shaver fora, pensou Fei, o ataque anterior talvez surtisse efeito de novo, e Weltall tornou a se aproximar em espiral, evitando o fogo do rifle de repetição e atingindo o flanco direito de Musha. Mas o Gear samurai sacou sua espada e bloqueou o golpe, e em seguida atravessou o ventre de Weltall num movimento rápido, imobilizando o oponente em sua lâmina para tornar a atingi-lo com seu rifle. Os danos agora eram ainda mais pesados, e Fei se percebeu num dilema. Um ataque indireto seria sempre interceptado pela espada, e um direto seria detido pelo rifle. Uma combinação de técnicas talvez fosse a solução agora, e Weltall ficou de pé um tanto mais lentamente devido aos danos. Musha tornou a investir sobre ele, já preparando o rifle para mais disparos. Weltall atacou diretamente e deslizou para a esquerda, enquanto o samurai voltava seu rifle e começava a disparar em seqüência. Weltall deslizou então para a direita, fazendo com que os disparos se perdessem. Circulando, o Gear negro aproximou-se em espiral até que Musha baixou o rifle e tornou a apanhar a katana, iniciando uma dança furiosa com a espada à sua frente. Weltall voou sobre o ataque e caiu às costas de Musha, então, ganhando suas costas e começando a atingi-lo depressa, sem dar tempo para que ele revidasse; àquela altura da luta, isso seria decisivo. Musha acionou seus Turbos para escapar da perseguição. Weltall saltou e disparou com sua Bala de Ether, derrubando o samurai em plena fuga. Antes que Musha se erguesse ou ao seu rifle, Weltall agarrou os pés do rival e girou, lançando-o pesadamente contra a encosta dos montes próximos, fazendo-o colidir com ele de cabeça e desabar desativado ao solo. Apesar da vitória desta vez, no entanto, Fei quase não conseguiu manter Weltall de pé. Fora por pouco. À noite, com o encerramento das batalhas, Weltall ficara sob cuidados dos mecânicos supervisionados por Hammer, enquanto Fei descansava em seus aposentos. No meio da noite, porém, ele despertou com o som de passos vindos da escadaria e imaginou que fosse o mecânico vindo contar sobre o estado de seu Gear. Ao invés disso, quem surgiu diante dele foi o Campeão dos Lutadores, Rico. _ Já faz algum tempo, hein guri? _ Ei Rico...? O que está fazendo aqui? _ Se acalme, garoto – Rico ergueu a mão direita – Não vim aqui pra lutar com você. _ Então... para quê mais viria? _ O que está havendo? – veio a voz de Citan da enfermaria – Este é um lugar para descanso! Não poderiam falar mais baixo...? Ao ver quem estava fazendo tanto barulho, no entanto, o doutor surpreendeu-se e repetiu a pergunta que Fei já fizera. _ Ora, é apenas você Fei... e... o Campeão Lutador? O que poderia fazê-lo vir aos aposentos da prisão? Com certeza, há alguma razão especial para nos agraciar com sua presença. _ Sim, há. Eu vim falar a respeito do incidente da explosão durante a primeira rodada do Torneio de Batalha. _ Incidente da explosão? – perguntou Fei – Ah, está falando do que aconteceu no outro dia. _ O acidente que aconteceu com Fei durante a disputa? O que tem a ver com você? _ Sinto muito. O ‘acidente’ foi causado pelos meus subordinados. Parece que, depois dos resultados da sua ‘Cerimônia de Batismo’, meus homens não foram muito com a sua cara. _ Então, eles fizeram parecer um acidente, mas na verdade queriam matar Fei... – comentou Citan pensativamente – Mas por quê nos contar agora? Eles resolveram se tornar honestos e confessaram os crimes que cometeram? _ Eles não estão mais entre nós – Rico disse de cabeça baixa – Você é o doutor, não sabe o que esteve acontecendo? O que tem havido por aqui, no Bloco D da Capital Imperial? _ Fala da série de assassinatos misteriosos ocorridos nos esgotos? _ ... sim. Uma longa lista de lutadores habilidosos tem sido eliminada, um após o outro! Todas as vítimas que foram mortas eram meus subordinados... Garoto! – voltou-se para o rapaz – Digo, Fei! Foram as mesmas pessoas que prepararam a armadilha para você! _ E o que está tentando dizer? Que as mortes deles têm alguma ligação comigo? _ Vejamos – raciocinou Citan – Os lutadores assassinados prepararam uma armadilha para matar Fei... Se Fei tomasse conhecimento disso, teria boas razões para matá-los. Levado por ódio contra seus pretensos assassinos, ele planeja vingança contra os lutadores. E se torna num ‘assassino’! Fei então entendeu o que acontecia e perguntou a Rico: _ As pessoas acham que eu sou o matador? _ Exatamente! – confirmou o Campeão – Hoje de manhã houve outra vítima... a quinta! Não que seja incomum morrer gente nos esgotos; se você fica fraco, morre. É a providência! Mas cinco lutadores foram mortos em seqüência! Isso não tem precedente, e lança dúvidas sobre você. E, pra ser sincero – Rico assumiu uma atitude grave, cruzando seus braços e parecendo pensativo – dizer que eu não duvido de você seria mentira, mas não acho que seja culpado, tampouco. A única coisa que pode provar sua inocência é se houver qualquer verdade na história que tem seguido... A história de que há um monstro nos esgotos forte o bastante para matar cinco lutadores! Em nome dos meus homens, eu estou preste a ir verificar os esgotos. Bom... eu disse o que tinha pra dizer. E voltou-se, tomando o rumo da escadaria, mas antes que saísse, Fei chamou: _ Ei, espere! Deixe eu... Me deixe ir com você! Eu também quero provar a você que sou inocente! _ Quer vir junto, né? Não me importo. Mas vai ter que se cuidar sozinho. _ Cabe ao próprio Fei provar que foi falsamente incriminado – observou Citan – Então... Não há alternativa. Por favor, me permita acompanhar vocês na solução deste caso de assassinatos nos esgotos. _ O doutor também? – Rico não gostou da idéia – Bom, eu não assumo qualquer responsabilidade se acontecer o que quer que seja com você...! Reclamando ou não, Rico os conduziu até a entrada do sistema de esgotos de Kislev, onde o guarda da entrada estava sonolento e mal humorado quando Fei perguntou a respeito: _ Bah, aqueles caçadores de recompensa idiotas e os lutadores entram sem estarem preparados, e veja o que acontece! Tem um sem-número de monstros aí embaixo, então não entre se não for forte. _ Obrigado – Rico tomou a frente – Fez bem seu trabalho de vigia. Agora eu vou descer. Não deixe mais ninguém além destes sujeitos entrar. _ O... quê? V-você... é o Campeão! S-sim, senhor! (Ele estava rondando outra vez. Por cinco noites, se ainda pudesse lembrar como contar, ele havia sido visitado e fora visto por aquelas pessoas. Agora, os esgotos pareciam quietos. O lugar cheirava mal, mas ele não se importava mais com isso. Pelo menos ali teria paz, tentando recuperar os fragmentos de pensamento que corriam por sua mente). (Novos cheiros e sons! Gente descendo pela escadaria que conduzia até lá fora! Ele se perguntaria se eles teriam o mesmo destino que os outros haviam tido. Só dependeria deles. Aproveitando-se da correnteza natural no esgoto, ele afastou-se depressa dali). |
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