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Capítulo 08: Operação
Aveh
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Bledavik, a Capital Real de Aveh, era realmente um espetáculo à
parte. Fei achara que Dazil era uma cidade grande e cheia de vida, mas
a capital de Aveh era tão grande e estava tão movimentada
que ele chegou a se assustar um pouco com o barulho no início. Aquilo
não tinha a menor semelhança com a tranqüilidade e sossego
de Lahan, e Citan estava particularmente satisfeito com isso. Ao menos
por enquanto, Fei parecia estar de volta à sua disposição
normal enquanto Bart descrevia um pouco de sua cidade para o amigo.
Enquanto eles entravam desapercebidos pelo portão principal da cidade, um enorme cruzador aéreo aproximou-se da cidade e desceu para um hangar subterrâneo próximo ao palácio. Suas asas de metal fecharam-se e ele atracou. Era uma nave branca e com um símbolo militar que estava se tornando muito familiar em Bledavik: o emblema da Gebler. Na ponte de comando, os oficiais de bordo relatavam: _ Atracamento completo. _ Convés, todas as seções em segurança. _ Distribuição de gravidade normal. Desligando sistema de propulsão. _ Cancelar o estado de alerta - falou o comandante - Iniciar reparos e reabastecimento imediatamente. O comandante presente era um homem alto e de aspecto impressionante, com uma armadura mesclada em negro e cinza, de cabelos brancos e olhos cinzentos. Era a aparência tranqüila de um estudioso, mas qualquer um que conhecesse o mínimo de sua fama saberia tratar-se de um mestre espadachim temível mesmo entre altos membros da Gebler. Ao seu lado, uma bela jovem de cabelos e olhos de um tom azul muito escuro e com o uniforme branco de imediato falou:
_ O Primeiro Ministro e o General Vanderkaum estão aqui para vê-lo, Comandante. _ Hmph, que boas-vindas mínimas. _ O que esperava? - indagou ela com o mesmo ar de superioridade do outro - Estamos na ‘superfície’. _ Vamos desembarcar, Miang. - respondeu ele, com um gesto de pouco caso para o lugar onde estavam, e ela o seguiu. Ambos foram recepcionados em pessoa por Shakhan e pelo general, e o Primeiro Ministro foi o primeiro a dar as boas vindas. _ Bem, bem, Comandante. - disse Shakhan - Você acabou de chegar ao comando e já está alcançando esplêndidos resultados. Shakhan era um homem alto, quase da mesma altura que o comandante da Gebler, mas era mais magro e calvo. Seus olhos repuxados e o bigode fino davam uma impressão de cinismo e mesmo aliados não ficavam à vontade próximos a ele. Shakhan passava a impressão de sempre estar planejando uma forma de levar a melhor sobre os demais e, depois do seu golpe de estado que levou à morte o antigo rei Edbart IV e o colocou no poder, essa impressão era ainda mais nítida. Ele ainda disse estar impressionado pela facilidade com que o novo comandante afastara os soldados de Kislev, mas o outro meramente passou por ele e dirigiu-se a Vanderkaum. _ Eu não posso acreditar que vocês foram vencidos por uma força tão pequena... Acabei de conseguir o meu posto e já está me embaraçando! O General Vanderkaum era um homem ainda mais alto do que o próprio Comandante, mas tinha maior experiência de combate do que o novato diante de si e uma aparência mais terrível. Além da altura, da força física evidente, a despeito de sua idade e do olhar frio, ele ainda trazia uma estranha cruz púrpura tatuada em seu rosto. Todos os seus subordinados o temiam e com certeza teriam ficado surpresos em vê-lo baixar a cabeça e aceitar a reprimenda sem retrucar: _ Eu sinto muito, Comandante. Eles eram mais persistentes do que havíamos antecipado. Eles tinham um novo modelo de Gear que era muito móvel. Eu não pude coloca-lo no alvo do canhão principal. De outra forma, nós com certeza não teríamos sido vencidos por... _ Idiota! - interrompeu o Comandante - Saiba quando usar a arma principal, e em quem! Você falhou porque tenta sempre resolver tudo à força. Tem músculos no lugar de cérebro! _ Comandante!! Vanderkaum estava indignado pela reprimenda pesada, e mais ainda por ter sido feito diante de outras pessoas, mas o Comandante meramente fez um gesto para que se fosse e disse: _ Dispensado. Vá polir o seu amado canhão de 1200 sem. E ele próprio afastou-se, deixando Miang para trás falando com Vanderkaum e obrigando Shakhan a apressar-se para acompanhar seus passos. _ Amanhã é o 500o aniversário deste país. - disse o ministro - Por favor, venha à cerimônia de dedicação. O Comandante não olhou para ele, nem disse qualquer coisa. Shakhan resolveu insistir: _ Há um Torneio costumeiro depois da cerimônia de dedicação... _ E quanto ao incidente daquele relatório? - perguntou o Comandante, ainda sem olhar para o outro. Miang os estava alcançando e ouviu Shakhan responder: _ O quê? Ah, está falando da arma móvel de quinhentos anos de idade retirada das ruínas? Graças à ajuda do ‘Ethos’, os reparos estão completos. Eu achei que poderíamos anuncia-la no dia da cerimônia de dedicação... Já haviam deixado o hangar e caminhavam agora pelos corredores que levariam para o interior do Castelo Fatima. Ainda sem olhar para o outro, o Comandante disse: _ Brinquedos como aquele devem ser dados a Vanderkaum. Eu estou falando do ‘Jasper de Fatima’. _ Eu já obtive uma metade do artefato - respondeu Shakhan enquanto passavam por outro corredor - Mas não fui capaz de faze-la me dizer onde a outra metade está. É uma garota de vontade muito forte... Do corredor, passaram a um elevador que os conduziu para cima e o Comandante perguntou, agora olhando para Shakhan: _ Você não está sendo duro com ela, está? _ Claro que não. Eu sei como você despreza atos vulgares como esse. Mas o Comandante não podia dizer nem pela voz nem pela expressão de Shakhan se ele estava dizendo a verdade, e tornou a olhar para a frente. _ Você disse que a garota é a Madre Sagrada de Nisan... Ela está lá em cima? _ Sim, na torre leste. _ Miang - perguntou ele à sua imediato - será possível que fosse uma ‘Relíquia’? _ Sim - confirmou a jovem - mas ainda não há resposta. Deve haver uma barreira, ou algo do tipo. No entanto, nós sabemos pelos registros de quinhentos anos atrás que uma delas certamente existe nesta vizinhança. E provavelmente está bem preservada. O Comandante apenas concordou pensativamente com a cabeça por um instante, antes de dizer: _ ... Vamos nos encontrar com ela. Quero falar diretamente com ela. Miang, você vem comigo. _ Sim, senhor. O casal seguiu Shakhan até uma porta vigiada na torre leste do castelo, e o ministro ordenou: _ Abra a porta. O Comandante Ramsus está aqui para vê-la.
A porta foi aberta e Ramsus e Miang entraram. Lá dentro, uma jovem com cerca de quatorze anos levantou-se surpresa com a visita e os olhou com curiosidade: _ Quem são vocês? _ Eu sou Ramsus, e ela é Miang. - a voz do Comandante agora era gentil e controlada, o que teria surpreendido Vanderkaum e qualquer outro que tivesse ouvido sua reprimenda ainda antes - Gostaríamos de fazer-lhe algumas perguntas. _ Eu sou Margie. - respondeu a garota, parecendo estar à vontade - Bom, na verdade é Marguerite. O que vocês querem saber? A minha comida favorita? Eu gosto de bolos, o Chiffon de Nisan é o meu favorito. Já faz tanto tempo que eu não como nenhum... Shakhan não entrara com eles. Uma câmera escondida no quarto estava ativa enquanto a entrevista acontecia, e puderam ouvir Ramsus dizendo: _ Marguerite, nós queremos perguntar a você sobre o tesouro da família Fatima. Estou falando do ‘Jasper de Fatima’. Sabe, eu estou mantendo o pedaço que você tinha num lugar seguro. Mas não sei onde está o outro pedaço. Você sabe? _ Não sei - disse a garota, dando de ombros com ar ingênuo - O que eu tinha vocês tiraram de mim. E nem me deram nada por ele! Ah! Da próxima vez que vier, pode trazer um pouco de Chiffon de Nisan? Eu costumava comer dele todo o dia em Nisan. Acho que não fazem aqui em Aveh. Aveh costumava ter confeiteiros muito bons, mas eu acho que todos devem ter morrido na guerra. A garota era mesmo muito ingênua, pensou Ramsus. Falava dos mortos lamentando mais a perda da sua sobremesa favorita e tinha aceitado com naturalidade a perda de sua metade do Jasper, queixando-se apenas de não ter recebido nada em troca. Era como uma criança, e foi assim mesmo que ele a tratou. _ Isso é mesmo uma pena. Bem, eu não entendo muito de bolos, mas vou ver se consigo encontrar algum para você da próxima vez. _ Obrigada, Ramsus. Eu vou ficar esperando! _ Precisa de mais alguma coisa? Se houver algo que você queira, eu trago da próxima vez. _ Não, eu só quero voltar pra Nisan. - disse ela, juntando suas mãos e olhando para baixo - Eles devem estar muito preocupados comigo. _ Eu sinto muito mas, por favor, espere só por mais algum tempo. Nós queremos que fique aqui até acharmos a outra metade do ‘Jasper de Fatima’. Pela câmera, Shakhan estava a par de tudo o que fora falado e não fez questão de esconder sua admiração. _ Estou espantado que ela tenha falado tanto. Ele consegue manobrar as mulheres tão bem quanto diz. Levantou-se, então, e torceu a garrafa de vinho que nunca deixava sua cabeceira, baixando o quadro que disfarçava o monitor enquanto seu auxiliar perguntava: _ Está tudo bem? _ Eu não posso impedir que eles se encontrem com ela. Não quando é dele que estamos falando. Além disso, Marguerite não está falando mesmo. Então, não há necessidade de se preocupar. Mas por onde a informação sobre o Jasper vazou...? Pelo ‘Ethos’? - e fez um gesto brusco em seguida, dispersando a própria idéia - Ridículo! Mas continuava a andar de um lado para o outro do aposento, inquieto, pensando na integridade dos seus planos. Por fim voltou-se para o auxiliar. _ É melhor descobrirmos quem está deixando vazar informações imediatamente. Neste meio tempo, teremos que administrar um pouco de soro da verdade em nossa convidada, Senhorita Marguerite. Precisamos encontrar a outra parte do ‘Jasper de Fatima’ tão rápido quanto pudermos. _ Mas... _ Apesar dos feitos do último comandante, Vanderkaum, desta vez a Gebler enviou seu maior oficial comandante. Seu país está jogando todo o seu peso nesta questão. E não há nada que possamos fazer quanto a isso! -o-
De volta a Aveh, Bart estava feliz por estar de volta à sua cidade,
mas também estava olhando para todos os lados. Era preciso cuidar-se
com guardas ou pessoas que pudessem reconhece-lo como o filho do falecido
rei, pois isso podia ser perigoso. Citan sugeriu que fossem até
a estalagem mais próxima e, uma vez lá, disse:
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