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Capítulo 07: O Covil do Pirata
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Eles não tardaram a encontrar a enorme nave que Fei reconheceu como
o cruzador de areia que atacara o transporte onde estivera. Seguindo Bart,
Fei conduziu Weltall para o hangar de Gears e desembarcou, onde o Doutor
Citan o esperava.
_ Fei! Eu estava preocupado com você! _ Doc. A saudação de Fei foi sem energia e o que incomodava Citan era que isso estava ficando muito freqüente. Por trás deles veio um senhor de cabelos grisalhos e de modos elegantes, como um mordomo, que também o saudou. _ Bem vindo ao cruzador de areia ‘Yggdrasil’. Nós nos desculpamos pelo incidente anterior. Bart veio logo em seguida, com o andar confiante por estar de volta à sua nave e à sua tripulação. O mordomo, Maison, fez as honras. _ Eu tenho certeza de que todos já devem ter se apresentado adequadamente, mas permita-me apresentar o líder dos piratas da areia, Mestre Bartholomew. Aliás - e voltou-se para Bart com a autoridade de um tutor - posso perguntar, jovem mestre, se já se desculpou com Mestre Fei? _ O quê? Hããã... é... eu disse a ele que “eu estava errado”. - e voltou-se para Fei pedindo ajuda - Certo? Fei continuava cabisbaixo pelos últimos acontecimentos ou teria achado aquilo engraçado. Bart parecia um garoto teimoso tentando evitar a bronca dos pais ou professores. Meio sem jeito, Fei fez um gesto de mais ou menos e o homem de tapa olho e cabelos brancos adiantou-se dizendo: _ Apenas dizer a alguém que você ‘estava errado’ depois do evento não vai resolver nada, jovem mestre. - E voltando-se de forma cortês para Fei - Sinto muito não ter me apresentado antes. Meu nome é Sigurd. Sou o Primeiro Imediato deste cruzador da areia. _ Bem então - disse Maison, inclinando a cabeça - por favor, me avisem de precisarem de algo. Emburrado por ter levado uma bronca diante de estranhos, Bart finalmente perdeu as estribeiras e berrou: _ Tá, essa é a situação... então, vê se me desculpa, tá bom?! _ Jovem mestre! - retrucou Sigurd, puxando Bart pela orelha - Já chega de diabruras! _ Ai! Ai! Ai! Não puxa a minha orelha! E Sigurd e Maison levaram Bart como se fosse criança, pelas orelhas. Não havia como não rir daquilo, embora Fei continuasse aborrecido mesmo assim, ou pensaria consigo mesmo que Sigurd parecia-se com um irmão mais velho repreendendo o menor. De fato, isso não era apenas por causa da atitude: apesar da cor diferente, os cabelos de Sigurd e os de Bart eram de tipo parecido, ambos tinham olhos azuis e o mesmo porte físico, além de ambos usarem tapa olhos. Disfarçando o riso, Citan disse: _ Vamos esperar em nossa cabine até chegarmos... Fei concordou em silêncio, meramente fazendo um sinal com a cabeça, o que também chamou a atenção do doutor. _ O que há de errado? Você parece deprimido. _ Não... - e voltou-se para Weltall, parado atrás de si - Bem... _ Aconteceu alguma coisa? _ Não... nada. Citan podia ver que havia algo de errado, mas não teria como obrigar Fei a falar se não quisesse. Ambos subiram em silêncio até os alojamentos enquanto Weltall e Brigandier recebiam tratamento e melhorias na impressionante Yggdrasil. Citan mencionou algo sobre o acidente em que tanto Bart quanto Sigurd haviam perdido um de seus olhos: numa certa pane nos motores do cruzador de areia, Bart saltou à frente para fazer os reparos e Sigurd foi atrás dele. Houve uma explosão e os dois saíram feridos. Pelo que Citan dizia e pelos comentários que podia ouvir paralelamente dos próprios piratas, Bart costumava assumir a responsabilidade por tudo o que acontecia, ficando às vezes com um fardo pesado demais para si só. Por isso mesmo, todos os piratas admiravam muito o seu ‘jovem mestre’, embora também fossem unânimes em confirmar que ele por vezes era impulsivo e descuidado demais. Como Citan estava curioso quanto à cabine de comando, Fei e ele foram até lá onde Sigurd estava conduzindo o cruzador de areia até o esconderijo dos piratas em meio ao deserto para reabastecimento. A Yggdrasil viajou depressa e, mesmo assim, levou cerca de duas horas até chegar a um túnel em meio ao deserto, oculto por uma cordilheira a oeste do grande deserto. Lá, um porto oculto recebeu o cruzador de areia, onde soldados e pessoas com jeito de mecânicos os aguardavam. E também crianças. Citan ficou estupefato com a grandiosidade do lugar, olhando em volta sem conter a admiração enquanto as crianças saudavam Bart e davam-lhe abraços quando o líder dos piratas veio ao convés. Em meio à saudação, uma garotinha perguntou o que ele trouxera. Ainda agachado em meio a eles, Bart respondeu: _ Bem... Eu encontrei um novo modelo de Gear e duas pessoas que nós salvamos. _ Só isso? _ Que chato! _ Eu achei que vocês iam dizer isso. Então, que tal isso? E tirou do bolso um tipo de rocha amarelada, dando-a ao menino à sua frente. _ Isso é um pedaço de âmbar que encontrei numa caverna de estalactites no deserto. É muito raro encontrar um em tão bom estado, ainda mais com um inseto conservado dentro. _ Uau! Obrigado Bart! Demais! Temos um âmbar! _ O que é isso? - perguntou o menor deles. _ Vamos lá! Vamos mostrar pra todo mundo! As crianças saíram correndo e Citan notou, com satisfação, que o fato de viverem num esconderijo no deserto não parecia incomodá-las em nada. Voltando-se para os convidados, Bart disse: _ Bem então... Vou dar uns ajustes no meu Gear. Por quê não tomam um pouco de chá com o Velho Maison? Vejo vocês depois. E voltou para a Yggdrasil enquanto o mordomo fazia uma mesura e pedia: _ Por favor, me acompanhem. Fei e Citan seguiram Maison pelos túneis e elevadores do esconderijo de Bart até a seção residencial. Uma vez lá, Maison os conduziu até o salão de jantar e pediu desculpas pela má aparência dela, embora Citan achasse que tudo era muito sofisticado e elegante para um esconderijo rudimentar. Ele e Fei sentaram-se e o mordomo aproveitou para servi-los. _ Talvez vocês queiram um pouco do meu famoso chá? Mestre Fei? Bom doutor? E encheu as xícaras de Fei e Citan, que apreciou a bebida. E Maison também parecia satisfeito. _ Jovens visitantes são obviamente raros. O jovem mestre deve estar muito feliz. Se a situação fosse normal, não estaríamos vivendo no deserto, mas sim no palácio real... _ Palácio real...? - perguntou Citan, interrompendo o chá - Você quer dizer que o jovem está ligado à antiga Dinastia Fatima? _ Perdão? Maison de repente ficou atrapalhado, como alguém que percebesse tardiamente ter falado demais e tentou corrigir seu engano. _ N-não... Eu sou apenas um velho tolo senil que fala demais... não dê atenção ao que eu disse... há há há... _ Mas... - Citan tornou a beber do seu chá, parecendo não ter notado a confusão do velho mordomo - aquele rapaz de um olho só tem um certo porte de nobreza. A isca deu certo. Maison imediatamente se voltou e cumprimentou o doutor com um olhar admirado. _ Oh, oh, oh! Muito bem dito, Sir! Terrivelmente perspicaz da sua parte perceber isso! Se eu puder... - e sua voz pareceu grave e incerta, mas disposta a contar a respeito - eu gostaria de contar-lhes. O jovem cavalheiro é o último remanescente esquecido da um dia orgulhosa Dinastia Fatima... isso é, antes que ela fosse destruída pelos servos de Shakhan. - e voltou-se para Citan com um ar grave ao dizer o nome - Príncipe Bartholomew Fatima. _ Bartholomew? - perguntou Citan, intrigado - O sucessor de Edbart IV... Mas eu estou certo de que foi anunciado que Bartholomew faleceu devido a uma doença há doze anos atrás... _ Oficialmente sim - respondeu Maison - No entanto, na realidade, nós resgatamos o jovem príncipe das mãos malignas de Shakhan. _ Então, por quê o príncipe, o herdeiro de direito, recorre à pirataria...? Maison pareceu vacilar, como se também não apreciasse a necessidade daqueles meios e afastou-se um pouco antes de prosseguir: _ Desde que viemos para cá, só tivemos um desejo... que o jovem mestre crescesse para ser um grande homem. _ Não para... reclamar o trono? _ Isto está correto. Naturalmente, dizer que não temos absolutamente nenhum desejo de restaurar seu governo seria uma mentira. Também temos planos para isso. _ E parte destes planos incluiria a pirataria...? _ Bem, sim... - Maison novamente parecia sem jeito - mas há uma razão para isso... “Tanto Aveh quanto Kislev - explicou o mordomo - são devotados à escavação das ruínas. A força de cada país está crescendo diariamente. Mesmo que conseguíssemos a ajuda de todos os nossos camaradas para iniciar uma revolução, a força combinada de todos nós ainda não seria suficiente. Nós certamente seríamos suprimidos pelos guardas de Shakhan sem perda de tempo.” “Nós precisávamos de poder. Tentamos escavar as ruínas usando a Yggdrasil, mas não funcionou tão bem quanto esperávamos.” “Escavar requer tremendas quantias de tempo, esforço e capital. O melhor que podemos fazer com nosso cruzador de areia é descobrir pequenos itens na areia.” _ E a pirataria... _ Pouco importando quem consiga a tecnologia das ruínas, uma coisa é certa: tanto Kislev quanto Aveh simplesmente usarão este poder para oprimir um ao outro. Eu concordo com a idéia do jovem mestre de criar um novo poder para equilibrar um pouco as coisas. _ Entendo... - disse Citan, pensativo - É muito mais eficiente saquear nas sombras do que escavar sozinho a tecnologia. _Naturalmente, a pilhagem é um ato imperdoável - retorquiu Maison - No entanto, para Aveh... para Ignas, continuar como está... - Ele voltou-se para Citan então, parecendo um tanto aborrecido - Eu peço desculpas se isso parece um tanto cheio demais de direitos. _ É algo sobre o que forasteiros como nós não podem comentar - respondeu Citan - Pelo que me contou, eu sinto que o resultado do que estão fazendo será bom. Ver suas crianças aqui me diz isso. _ Eu estou muito aliviado com suas palavras. - Maison realmente parecia ter tirado um peso da consciência. Ofereceu outra xícara de chá, que Citan aceitou prontamente, e depois do primeiro gole o doutor perguntou: _ Você mencionou que tinham planos. Por quê não os colocam em ação? _ Com a Senhorita Margie aprisionada - respondeu o mordomo, voltando a parecer preocupado - não ousamos fazer coisa alguma. _ Por acaso ela não seria a Madre...? _ Você está muito bem informado, meu caro doutor. - concordou Maison com um sorriso - Ela é a Grande Madre Marguerite de Nisan... e a prima do jovem mestre, também. _ Por quê Shakhan a manteria cativa? Maison voltou seu rosto novamente antes de responder: _ Pelo ‘Jasper de Fatima’! _ O Jasper de Fatima que, dizem, mostra onde está o grande tesouro? _ Meu Deus, bom doutor! - o assombro de Maison não parava de aumentar - Você sabe realmente um bocado! Eu estou muito impressionado. Ele então pegou o bule para servir mais chá a Fei e então percebeu que a xícara do rapaz permanecia intacta. _ não gosta do meu chá, Mestre Fei? _ Não... - respondeu Fei, parecendo distante - Eu só não estou com sede agora. Citan percebeu que isso ainda era efeito de algo que acontecera com Fei antes de chegar ao cruzador de areia, e Maison continuou: _ Bem, não temos qualquer idéia do que na verdade é o grande tesouro... mas diz-se que seria forte o suficiente para salvar nosso reino se ele estiver em qualquer dificuldade! _ E Marguerite tem o Jasper que diz a localização? _ Apenas metade dele, para ser preciso. O jovem mestre e a Senhorita Marguerite, cada um tem uma metade. Apenas com a combinação das duas metades alguém poderia saber onde está o tesouro. _ O quê, exatamente, é o Jasper de Fatima? Quando diz ‘a metade do Jasper’, eu imagino algum tipo de pingente... _ Apenas os herdeiros de Aveh e Nisan sabem o que realmente ele parece. _ Entendo. Então é por isso que eles a mantêm trancada. - e pareceu meditar consigo mesmo - O meu palpite é que, uma vez que eles descubram, as chances dela de viver são... Só então Citan percebeu que Maison ficara perturbado e se afastara novamente, desviando seu rosto, e ficou sem jeito. _ Ah, eu peço desculpas. Eu simplesmente, quero dizer... Eu apenas estava supondo na pior hipótese. Então, por favor, não considere isso... _ Não - respondeu Maison de cabeça baixa - é um cenário terrivelmente realista. Citan ficou em silêncio, sem saber bem o que dizer para dispersar a má impressão. Por fim, pigarreando, ele perguntou: _ Aham... O que, exatamente, você quer dizer com grande tesouro...? _ Bem - começou Maison - eu não tenho a menor... _ O Gear...! - gritou uma voz por trás deles - Ele quis dizer o Gear! Tem que ser! Bart acabara de entrar no refeitório e veio até eles, enquanto Maison pareceu embaraçado por estar falando de algo tão delicado com pessoas que haviam acabado de conhecer. _ Jovem mestre... os Gears estão bem? _ É... Mesmo sendo selados, a areia se mete nas juntas. É um pé no saco consertar, então eu tô deixando a tripulação tomar conta agora. Que seja, o meu trabalho é só pilotar mesmo... Além disso, eu sou ruim com máquinas, então só ficaria no caminho. _ Jovem mestre... Maison serviu uma xícara de chá a Bart, que bebeu profundamente o primeiro gole e então perguntou. _ Que seja... do quê estávamos falando? _ Que o grande tesouro poderia ser um... Gear? - perguntou Citan. _ Ah, é. Sabe tem algo assim descrito em um dos pergaminhos antigos de Aveh. _ Pergaminhos? Bart pareceu refletir um pouco e terminou seu chá, deixando a xícara e dizendo. _ Bem, se está interessado, então vamos à sala de planejamento. Vou mostrar o que eu quis dizer... já que vocês são meus convidados especiais. _ Isso parece interessante. - concordou Citan com um sorriso. Sempre apreciava uma possibilidade de aprender mais. Ele e Fei seguiram Bart até uma sala próxima, onde terminais de computador e pessoas estavam próximos a uma grande tela instalada no piso. Citan ficou maravilhado com a visão de tal tecnologia. _ Este lugar é incrível! Provavelmente, não se tem equipamento como este nem mesmo na capital! _ He, he, he. Surpreso? - Bart parecia satisfeito, como um garoto que mostra a alguém o seu melhor brinquedo - Toda essa tecnologia é graças ao Sig. Os três desceram até o piso onde estava a tela e cada um tomou uma posição ao lado dela, enquanto Bart deu a bronca: _ Ei, Fei! Não fique em cima da tela! Não vamos ver nada assim! Fei afastou-se sem responder e Bart gritou para os operadores - Tá certo, homens! Mostre o meu arquivo especial na tela principal. Um projetor baixou e a tela sob eles ficou iluminada com uma imagem antiga curiosa, onde vultos humanos de pequena estatura aguardavam enquanto um deles parecia tocar a mão de um vulto gigante humanóide. Não se parecia com nada que Citan pudesse reconhecer. _ O que é isso? _ Um pergaminho de figuras, com cerca de 500 anos de idade. - respondeu Bart, indicando a figura que tocava a mão do gigante. Era pequena e vermelha, em comparação aos vultos azuis atrás de si - Este é o Rei Fatima I... “corpo vestido em chamas fazendo um pacto de sangue com gigantes.” Dizem que ele usou a força dos gigantes para fundar Aveh. _ É fantástico que um pergaminho tão antigo exista - comentou Citan, ainda maravilhado - e em tão bom estado, também! Eu pensei que o ‘Ethos’ controlasse todas as coisas como esta... _ Normalmente, sim. - concordou Bart - Mas essa era uma das posses favoritas do meu pai. A próxima, gente! Os operadores trocaram a imagem e o que aparecia agora era um vulto vermelho gigante sentado num trono e envolto numa forma ovalada, com vários vultos menores e o vulto vermelho do rei diante de si. Bart explicou o pergaminho: _ Depois de fundar o país, Fatima forçou os gigantes a dormir, para proteger o povo de seu reino se fosse necessário no futuro. Mas nós não sabemos onde eles estão escondidos. Em outro registro, um dos gigantes é chamado de “O Grande Tesouro de Fatima”. _ E quanto ao Jasper? _ Ei... - Bart pareceu desconfiado - Com certeza você sabe um bocado. Talvez seja um dos espiões de Shakhan? _ É claro que não - respondeu Citan apressadamente - É apenas um interesse intelectual... _ Eu só estava brincando - interrompeu Bart com um sorriso - Parece que o Jasper é a chave para achar nosso tesouro. _ Uma chave... Seria isso o que Shakhan está procurando? _ Não só ele - e Bart fechou o rosto, preocupado - A Gebler também está procurando por ele. _ Mesmo? Então, devemos resgatar Marguerite o mais depressa possível. _ E vai dizer pra mim? Bart pareceu estranhamente sério então, andando sobre a tela e ficando de costas para eles antes de dizer: _ Já que salvamos vocês... eu estava pensando se poderia, em troca, pedir um favor. _ Seria... para que nós o ajudemos a salvá-la...? _ Rapaz brilhante! - Bart se voltou sorrindo, mas era um sorriso de alívio - É exatamente isso! Pelo que ouvi do Sigurd... parece que tanto Aveh quanto Kislev estão atrás de vocês. Então, nós podemos ajudar vocês e vocês podem nos ajudar. Que tal? Não é pedir demais. _ Bem, se isso paga pelo meu quarto e minha hospedagem - respondeu Citan, rindo um pouco - eu vou ajudar de qualquer forma que puder. O que acha, Fei? Você não diz nada já faz algum tempo... _ É - Bart parecia animado - Você foi demais naquela caverna de estalactites. Só a sua força é maior do que a de dez ou vinte guardas de Shakhan. Fei deu as costas a eles sem responder e Bart tornou a falar, num tom mais calmo: - Eu gostaria muito de ter a sua força do meu lado! _ Por quê todo mundo quer me fazer lutar? A resposta brusca não foi o que ninguém estava esperando e Bart foi o mais surpreso: _ Hã...? O que é que há com você, tão de repente? _ Fei...? Fei subiu até a porta e então se voltou, ainda parecendo perturbado. _ Eu simplesmente não tenho a menor vontade! “Gostaria de ter a minha força”? Eu não tenho nenhuma! O que é que há com você, Doc, com todo mundo... Estão me pondo na parede. E tem aquele Gear... Grahf e meu pai... não tenho tempo de ajudar você com os seus problemas quando já tenho o suficiente dos meus!! E saiu sem olhar para trás, deixando Bart, Citan e os operadores sem entender coisa alguma. _ O que é que há com ele? - perguntou Bart a Citan - Ele é sempre assim, de pavio curto? _ Não, não é isso... eu sinto muito. As coisas têm acontecido tão depressa que ele não teve tempo de lidar com tudo ainda. Tente entender. Fei saiu da sala profundamente aborrecido, sem saber o que fazer ou pensar. De uma sala paralela, duas crianças saíram e diziam uma à outra que iam ajudar no serviço dos Gears, e desceram de elevador. Ele foi até o refeitório e uma garotinha o parou, dizendo alegremente: _ Eu estou esperando o meu pai. Ele está demorando, mas eu não vou chorar. Isso é bom, não é? _ É... É mesmo bom. O pai da menina entrou logo depois e ela se atirou nos seus braços e deu as boas vindas. Pelas roupas, ele devia ser um dos piratas que viajavam com Bart na Yggdrasil. Afagando os cabelos da menina, ele perguntou: _ E então, você foi uma boa menina e obedeceu à boa senhora? _ Obedeci, papai. Eu fui boazinha. E então... cadê os meus presentes? _ Presentes?! - ele mostrou uma caixa que estivera escondendo - Que tal, aqui tem um kit de vestir de pirata! O homem de repente percebeu Fei ali, observando a cena e sorrindo com a alegria da menina e a caixa na mão, e pareceu ficar acanhado: _ Oooops! ... É, não tem jeito. Eu sou assim mesmo com as crianças. - e, para a filha - Já faz um bom tempo que não nos divertimos. Vamos brincar na areia! Fei ficou observando o pai e a filha saírem para o deserto e resolveu ir até o hangar mais abaixo para pensar. Estava passando pela escotilha da Yggdrasil quando Bart saiu e perguntou com ar sério; _ Ei, posso falar por um segundo com você? _ ... Claro. _ Citan me falou tudo sobre a sua história. Quer falar sobre isso? - Fei pareceu aborrecido de novo, e Bart perguntou - Por quê você não me contou? Parece que foi dureza. Fei não respondeu nada e Bart subiu até o timão externo da Yggdrasil, dizendo sem olhar para o outro: _ Escuta... Desculpa por ter sido um idiota... agora há pouco. Me perdoe, tá? Fei não respondeu nada, apenas olhando para o outro lado. Bart pulou lá de cima e veio até perto dele, voltando a falar: _ Que seja... Desculpe por ter que repetir, mas... _ Não! _ O quê? _ Eu não gosto de lutar como você. Só entrei naquele Gear porque tive que entrar. Eu preferiria não pilotar. Se quer tanto assim aquele Gear, pode ficar com ele! Eu não o quero! _ Você acha que eu gosto de lutar?... É isso? _ Não gosta? - e voltou-se surpreso para Bart - Com certeza, é isso o que parece. Dá a impressão de que a única coisa de que você gosta é lutar. _ Eu não posso ser tão idiota. - Bart continuava sério, e isso era realmente uma surpresa para Fei - Quem é que gosta de lutar? Fala sério! Goste ou não, eu luto porque eu tenho que lutar. Eu tenho minhas razões, mas você não ia entender. _ Bem, eu não tenho uma razão pra lutar! Eu não quero lutar. Eu só quero viver quieto e em paz. Mas vocês ficam o tempo todo me fazendo entrar num Gear? Por quê não me deixam em paz?! _ É porque eu vi a sua habilidade - e Bart colocou a mão no ombro de Fei - e pensei... _ Bom, eu odeio isso! - e afastou a mão de Bart bruscamente - Sempre que eu entro num Gear, pessoas saem feridas! Se eu luto, pessoas morrem! Eu não quero ferir as pessoas! Não quero que ninguém morra! Eu odeio isso... - e subitamente pareceu muito cansado - Não conseguem ver isso? _ É - Bart baixou a cabeça - Eu conheço o sentimento de só querer fugir da realidade. Mas você acha que os guris que ficaram pra trás na sua vila iam entender? Fei não soube o que dizer e Bart ficou diante dele, olhando em seus olhos. _ Citan me contou o que aconteceu em Lahan. Ia ser melhor se você não tivesse feito nada? Tá, aquilo aconteceu porque você tava no Gear, mas mesmo que não estivesse, pessoas teriam morrido... certo? Você não foi a razão. A guerra... não, as pessoas que começaram a guerra são a razão. E, a menos que você dê cabo da razão, nada vai mudar. Eu luto pra dar cabo da razão. Nesse momento não tem outro jeito, então eu tenho que lutar... mas isso não quer dizer que eu goste. Bart então se afastou, parando ainda por um instante e dizendo sem se voltar para Fei: _ Eu entendo porquê você se sente culpado pelos garotos na sua vila. E sei porque você não quer ferir os outros. Mas, se quer acertar com aquelas crianças, você não tem que lutar? Você tem uma razão pra lutar. - e voltou-se para Fei - Uma razão pela qual precisa lutar. Mas enquanto ignorar isso e continuar fugindo, aquelas crianças nunca vão te perdoar. Só se lembre disso. E, outra coisa... não estou dizendo que não me ajudar é fugir. Você não tem que ajudar. Isso é um problema meu. Eu não quero que se meta nisso contra a sua vontade. Mas, se eu tivesse a sua habilidade, faria de tudo para isso chegar ao fim... e acertaria isso por aquelas crianças. Pelo menos, é o que eu acho... Que seja. Desculpe por ter te segurado aqui. - e afastou-se, dizendo ainda que o mecânico queria falar com Fei sobre seu Gear. Fei voltou-se e viu que Bart já se fora, e aquilo deu no que pensar. Era estranho ouvir uma conversa tão adulta vinda de Bart, mas ele ainda não se sentia motivado a lutar. Fei desceu até o hangar de Gears do esconderijo e o mecânico estava muito impressionado com as capacidades bem equilibradas de Weltall, mas não havia como desmontar certas peças desconhecidas para saber o que elas faziam, e nem Fei sabia o que dizer. Ele apenas olhava para o Gear diante de si, pensando consigo mesmo que Weltall era um mistério tão grande quanto ele próprio, até que alguém o chamou e ele viu que eram Citan e Sigurd. _ Sigurd, Doc... o que foi? _ Gostaríamos de ter uma palavra com você... - Fei concordou e os três subiram pelo elevador até o atracadouro da Yggdrasil, e Sigurd mostrou o convés superior do cruzador. _ Olhe ali, Fei. Fei surpreendeu-se ao ver Bart ali, sentado sozinho e parecendo aborrecido. Ele era sempre tão falador e cheio de energia que imaginá-lo quieto era impossível. Ele estava pensando consigo mesmo, falando com o pai em pensamento: “Ei, papai... consegue me ouvir? Desde a primeira vez em que olhei nos olhos do Fei eu soube... ele é igual a mim. Ele ia me entender... ou foi o que pensei. Será que eu só imaginei isso?” “Eu não tenho confiança. Se eu seguisse os seus passos, pai... seria como se eu fosse apenas algum tipo de decoração. No momento, eu não consigo nem dar conta do seu desejo de ir apenas resgatar a Margie... eu disse a ele que ele só estava fugindo, mas sou eu na verdade quem quer correr.” Aquela cena parecia carregada de um vazio muito grande que incomodava Fei. E Sigurd lhe disse: _ O jovem mestre me pediu para que lhe pedisse desculpas. Muito estranho, não? Ele sabe que é melhor se desculpar em pessoa... mas o jovem mestre não é muito bom nesse tipo de coisa. - e voltou-se para onde Bart estava - Pode não parecer, mas na verdade ele é muito solitário. Ele está sempre procurando por um amigo. Nós, seus mentores, não podemos nos tornar seus amigos. Mesmo que queiramos, ele não nos veria dessa forma. Ele sabe disso. Por quê, você pergunta? - e tornou a olhar para Fei - É por causa do fardo que ele carrega. Deve ser difícil para alguém tão jovem carregar uma responsabilidade tão pesada. Mas ele faz o seu melhor, sabe? É por isso que continuamos com ele... Não tem nada a ver com ele ser o príncipe. Fei não sabia o que dizer. Assim como Citan, Sigurd parecia ter uma longa sabedoria adquirida com a experiência, e o imediato pôs a mão em seu ombro. _ Fei, eu sinto que você também está carregando um fardo pesado. Isso pode ser um pedido egoísta, mas... seria possível para você ajudar o jovem mestre? Eu não estou pedindo que se carregue com os problemas ou responsabilidades dele. Mas vocês dois... será que poderiam ajudar um ao outro? Por favor... Fei sentiu a importância daquilo e a frustração de Sigurd por não poder fazer mais por Bart, e respondeu apenas: _ Me desculpe... Eu preciso de tempo para pensar. _ É claro... tenha o tempo que quiser. Isso cabe completamente a você. Decida o que decidir, nós partiremos amanhã de manhã. Citan recomendou, pouco depois, que ele fosse descansar. Ainda iria conversar com Sigurd por mais algum tempo. Fei se recolheu então, indo para o alojamento dos soldados, perguntando-se o que deveria fazer quando acordasse. Em meio à madrugada, depois do som de bombas hidráulicas, sensores sondaram a escuridão em meio ao esconderijo de Bart. Depois de uma procura básica, o espião pareceu satisfeito. _ Confirmado. - relatou Broyer, um oficial que só tinha cabelos no alto de sua cabeça. Era um sujeito alto e forte, de cabelos e olhos azuis - É mesmo a base deles. _ Foi fácil demais atravessar aquela rocha. - comentou outro oficial, Helmholz, de cabelos púrpuros presos num rabo de cavalo e um par de óculos que lhe dava o aspecto frio de um cientista - Eu achei que seria um pouco mais difícil... _ Esses cordeiros da superfície vivem com certeza num lugar muito bom... - observou Stratski, um oficial de cabelos verdes longos.
_ Olhem ali...! - indicou Renk, uma espécie de líder daquele
esquadrão, outro grandalhão forte de cabelos e barba ruiva
- Esse lugar foi mais bem construído do que as faculdades de Bledavik.
Provavelmente, é uma fortaleza oculta construída quando o
velho rei ainda estava no poder...
_ Quem liga? - perguntou o mais jovem deles, Vance, um rapaz impetuoso de cabelos castanhos curtos que saltou diretamente da fenda aberta até lá embaixo com seu Gear - Vamos logo terminar com isso! Juntando-se a ele, Stratski deu uma olhada em volta, procurando pelos Gears dos piratas. Foi Helmholz quem encontrou o hangar e avaliou as descobertas: _ São ‘Deurmods’, Gears piratas padrão. _ Hah, ignore essas coisas! - replicou Vance com ar superior - Podemos arrasá-los bem depressa! _ Por quê não levar alguns? - perguntou Stratski - Mesmo que só levemos esses, vai ter valido a pena invadir isso aqui. _ Tudo bem. - concordou Renk - Schpariel já está posicionado na retaguarda. Preparem-se para enfrentar qualquer coisa que se meta em nosso caminho! _ Preparativos completos! - Helmholz.
_ OK por aqui! - Stratski.
_ Qualquer hora que quiserem! - Broyer. _ VÃO! - comandou Renk, e os cincos investiram. Fei despertou de repente com um som forte de impacto. _ Que batida foi aquela? Os piratas saíam às pressas do alojamento, correndo de um lado para o outro. Logo em seguida, um sinal de alerta se fez ouvir, acompanhado por uma voz no intercomunicador central. _ Gears penetraram a doca da Yggdrasil! Cinco Gears da força especial de Gebler e um Gear de tamanho grande não identificado. Todos os pilotos apresentem-se ao Hangar de Gears! Para piorar, quase todos os Gears disponíveis estavam sob reparos. Meio que por reflexo, Fei dirigiu-se ao elevador e desceu até o cruzador de areia Yggdrasil enquanto a voz voltava a se pronunciar: _ Todos os não-combatentes, dirijam-se imediatamente à Yggdrasil!! Fei viu crianças e mulheres passando por si, e feridos, e as crianças gritavam de medo enquanto as mães procuravam acalmar seus temores, mal podendo dar conta dos próprios. Em meio ao caos e ao som de detonações, o rapaz ficou parado, confuso próximo ao timão externo do cruzador, até que uma voz o chamou. Era o Doutor Uzuki, que corria para os hangares inferiores. _ Fei, depressa! Vá agora para o Weltall! Fei não respondeu, desviando o rosto. Sentindo uma impaciência e a sensação de urgência aumentarem, Citan disse: _ Bart e os outros já estão lutando! Você não vai fazer nada? Ainda acha que não tem nada a ver com você? Fei não respondia e Citan resolveu desceu para ajudar como pudesse. Enquanto o doutor descia, Fei apertou seus punhos e baixou a cabeça. _ Eu... O que eu sou? A situação o impelia a agir, mas ainda havia dúvidas em sua mente, lembrando os últimos acontecimentos na caverna de estalactites que faziam com que temesse mais a idéia de ajudar do que simplesmente deixar tudo como estava. _ Aquele velho... Ele me chamou de... ‘o assassino de Deus’... Explosões soavam por toda a parte e o vermelho das luzes de alerta tomava tudo, e Fei olhou para os próprios punhos cerrados, negando o que acontecera com um aceno de cabeça. _ Eu não quero esse tipo de poder... Mas ele também se lembrava do que Bart dissera, e os gritos das mulheres e crianças pareciam ficar mais altos na medida em que ele se recusava a agir. “Minha... força... Meu lar...” Lá embaixo, dois Gears piratas preparavam-se para travar batalha com os intrusos quando Bart e seu Brigandier apareceram para alívio geral. _ Quantos Gears são?! - ele perguntou - Acho que peguei a maioria da fritada pequena, mas...! _ Tem pelo menos quatro, talvez cinco deles restando! - respondeu o oficial - O desempenho e a técnica deles é muito maior do que as dos que já enfrentamos antes! _ Que saco...! _ Jovem mestre! - o outro oficial indicou a dianteira, onde um Gear branco com espadas maleáveis instaladas nos ombros se aproximava - Eles estão vindo!! Bart ganhou tempo, atacando com o Sorriso Selvagem antes mesmo da batalha se iniciar. Com os movimentos e a visibilidade perturbados, o Espadachim não teve como evitar o ataque combinado dos dois Gears piratas, e seu contragolpe foi facilmente evitado. Diferente dos outros, o Brigandier de Bart podia usar o Turbo e o fez, aumentando mais sua vantagem e atacando pela lateral, aproveitando os golpes às cegas do oponente para laçar seus pés com o chicote esquerdo e puxá-lo. Antes que o outro pudesse se recuperar, a velocidade extra de Brigandier permitiu outro ataque e Bart emendou com seu Chicote em Cadeia, atingindo o Espadachim com uma saraivada de golpes e terminando com um golpe conjunto dos dois chicotes. Mais danificado do que poderia para prosseguir, o Espadachim recuou. Citan acabara de chegar ao hangar. Precisava de um Gear para ajudar na batalha e encontrou Maison próximo a um grande Gear verde. _ Maison, este Gear funciona? _ Perdão? - Maison olhou para o Gear que Citan indicava e respondeu - Sim, ele funciona, mas... _ Muito bem! E Citan correu para a cabine de comando do Gear, enquanto Maison se opunha: _ Fora de questão! Ele ainda está sob manutenção! Não está nem sequer perto de operar... _ Está tudo bem, Maison. O velho mordomo voltou-se surpreso, reconhecendo a voz de Sigurd. _ Mas Mestre Sigurd, para um cavalheiro como o bom doutor...? _ Está tudo bem, ele vai conseguir - respondeu Sigurd, olhando para o Gear que o velho amigo escolhera - Pode até ser que isso ainda não seja suficiente pra ele. _ Mestre Sigurd...? As travas foram erguidas para liberar o Gear, enquanto Citan deparava-se com o painel de comando: _ Bem... Já faz cinco anos desde a última vez em que lutei... Espero que eu ainda me lembre. O Gear começou a sacudir e dar trancos, mas Citan firmou-se na poltrona e agarrou firme os controles. _ Ah, um garanhão selvagem, hein? Muito bem, já é mais do que hora de alguém domar você... O modelo de Gear oponente era um Aegis, que Citan já conhecia. Era o Gear de Broyer, que investiu contra ele logo depois da retirada do Espadachim. _ Reforços? O Aegis tinha o equivalente a dois escudos gigantes em seus braços, mas o primeiro golpe de Citan foi uma varredura por baixo, derrubando o outro de frente para o chão, e depois mandando-o para trás com os punhos antes mesmo que completasse a queda, o que abalou Broyer em sua cabine. _ E-ei, isso dói! _ Comparada à dor que os meus amigos estão enfrentando, a sua não é nada...! Não posso permitir que gente como você persista em atormentar aqueles que não podem reagir. Eu vou lutar com você no lugar deles! Venha! _ Hã? Do quê está falando!? Citan ativou os Turbos de seu ‘Heimdall’, atacando em seguida. Aegis o atingiu no meio da investida com um ‘Pilão’, um ataque que reduzia as defesas normais ao causar dano na defesa do Gear. Citan viu seus monitores acusarem perda de armadura, e achou que era um bom momento de fazer funcionar a Máquina de Ether de seu Gear, ativando sua técnica ‘Sazanami’, que funcionava como um restaurador de armadura dentro do Gear. O Aegis investiu novamente e os golpes dele e de Heimdall colidiram, com a diferença de que o golpe do primeiro quase não causou dano sem o reforço do ‘Pilão’. Com a velocidade Turbo, Heimdall aproveitou seu Nível de Ataque adicionado e Citan liberou sua técnica: _ Kentsui! Era semelhante ao ‘Raigeki’ de Weltall, atingindo o tórax de Aegis com seqüências rápidas e leves de golpes até achar o ponto central e golpeá-lo com toda a força, abalando o suficiente para obrigar seu adversário a fugir, finalmente. _ Eu sei que estou meio enferrujado... - Citan comentou para si mesmo enquanto mantinha Heimdall em guarda - Há um limite para o que posso aprender, já que comecei tão tarde em minha vida. Mesmo assim, eu atingi aquele sujeito com firmeza e ele não caiu. Eles devem estar usando ‘aquela coisa’. - comentou para si mesmo num tom mais preocupado. Bart se aproximou então, e ele disse: _ Jovem! Eles estão usando ‘Drive’! São drogas estimulantes para a batalha. Ataques normais não vão feri-los! _ Tá falando sério? - perguntou Bart, às voltas com um Gear munido de garras - Então, é isso o que tá mantendo eles de pé, hein? Saco... Isso não vai acabar nunca! _ Fei! - Citan chamou, mas não havia sinal de Weltall em parte alguma, enquanto dois Gears com rifles de feixes aproximaram-se pela retaguarda. Mantendo-se em guarda e ficando costa a costa com Citan, Bart replicou: _ Tá tudo bem! Vamos conseguir sem ele! Os Gears que chegavam exigiram a atenção de Brigandier e Heimdall enquanto o Gear de garras se afastava, e Bart iniciou como sempre com seu Sorriso Selvagem, esperando reduzir a velocidade e a precisão dos adversários, enquanto Citan ativou seu Turbo novamente e partiu para o ataque. O primeiro tiro do Atirador mais próximo perdeu-se, graças ao Sorriso Selvagem, e Heimdall moveu-se para a esquerda e saltou, atingindo o outro com uma varredura e ficando em posição de defesa. Seguindo um sinal de Citan, Bart posicionou Brigandier para desviar para a direita e ficar outra vez atrás de Heimdall, sendo que cada um enfrentava um Atirador. Heimdall atingiu seu oponente com um Kentsui enquanto Brigandier descarregou um golpe pesado de seus chicotes no seu Atirador, forçou a arma do oponente para o alto e despejou sobre ele um Chicote em Cadeia. Os flutuantes Atiradores agora estavam no chão e, apesar dos efeitos do Sorriso Selvagem, podiam se guiar pelos golpes e apontaram seus rifles, como Citan esperava. _ Agora! Brigandier e Heimdall saíram do caminho enquanto os disparos dos rifles de cada Atirador atingiam o seu próprio parceiro, e os Gears já debilitados pelos golpes de Citan e Bart foram forçados a fugir. Mas ainda não acabara. Duas crianças, um irmão e uma irmã, fugiam por uma das passarelas do hangar quando foram vistos por Vance, a bordo do Gear com garras, e ele sorriu. _ Aonde acham que estão indo? O menino estava assustado, mas tomou a frente da irmã e gritou com a voz mais alta que podia: _ Vai embora daqui! Deixa a gente em paz! _ Que admirável... - respondeu Vance com suavidade - Agora, que espécie de som você vai fazer quando eu fizer... isso? A garra esquerda ergueu-se e os irmãos se abraçaram, esperando o golpe. Foi então que um Gear negro avançou e atingiu o Cavaleiro de Vance e o derrubou, tomando a defesa das crianças. _ Quê?! Weltall estava parado diante do Cavaleiro quando Vance se pôs de pé, e sua postura de defesa era um escudo para as crianças que fugiam. _ Por quê está lutando? - perguntou Fei. _ Seu... O que está fazendo?! - perguntou indignado o oficial da Gebler. _ O que é que lutar faz por você? E se este fosse o seu lar?! Fei havia decidido proteger o povo dali para que não acontecesse nada parecido com o episódio de Lahan por uma omissão sua, e a decisão chegara um segundo antes de ser tarde demais. Vance não acreditava na audácia daquele cordeiro de superfície de vir atacar o seu Cavaleiro, mas Fei pretendia fazer bem mais. Seus Turbos estavam ligados e quando a pesada garra da esquerda caiu sobre Weltall, ele quase não sentiu a golpe graças a uma esquiva rápida. Tendo recuado, ele uniu as mãos abertas de Weltall diante de si, e a energia do Chi ampliada concentrou-se antes de liberar seu poder. _ Tiro Guiado! A onda de Chi atingiu em cheio o Cavaleiro de Vance e ele recuou. Sua proteção a este tipo de ataque era razoável, mas fora pego de surpresa. Weltall o atingiu com um golpe dos punhos, mas a distância amorteceu a maioria da força e permitiu o contragolpe do Cavaleiro com o braço direito, semelhante a um escudo redondo e Weltall rodopiou, caindo de joelhos. O Cavaleiro investiu por cima com suas garras, mas a fraqueza de Weltall fora encenada, pondo-o em posição para liberar seu Nível de Ataque: _ Reppu! Weltall girou e atingiu o ventre o Cavaleiro para depois subir, jogando longe e para trás o Gear inimigo com um ‘uppercut’ perfeito. Este mesmo golpe quase não abalara Calamidade, mas deixara o Cavaleiro sem condições de lutar por mais tempo. Brigandier e Heimdall se aproximaram então e Fei recebeu as vozes de Citan e Bart pelo comunicador. _ Fei! É bom vê-lo aqui! _ Eu sabia que você viria!! _ Vamos conversar depois! Temos um grande problema chegando! O ‘Gear não identificado’ relatado antes era Schpariel, a arma secreta dos oficiais. Tendo sido derrotados, eles enviaram seu Gear automático que caiu entre os três defensores e os atacou. O Gear lembrava um disco voador redondo, com uma cabeça pequena e pés igualmente pequenos. Apenas seus braços eram compridos e sua forma curiosa ficou clara. Tendo escolhido Weltall para seu primeiro ataque, Schpariel encolheu os braços e ficou semelhante a um pião gigantesco, investindo girando e saltando para atingir Weltall com sua ponta. Enquanto o amigo se reerguia, Bart usou o Sorriso Selvagem para piorar as condições do adversário e Citan iniciou com a varredura, derrubando o grande Gear. Weltall então começou o trabalho de enfraquecer o outro com um Raigeki, fazendo Schpariel recuar mais, mas os longos braços ondularam e chicotearam com eletricidade, arrasando a investida de Brigandier e levantando o próprio piso com sua fúria. Mesmo caído, Bart resolveu tentar um truque novo e concentrou-se, formando um disco com sua capacidade Ether e lançando-o contra o inimigo. _ Disco Celestial! O ataque conseguido pela energia ampliada de Bart foi impressionante, formando um disco diante de si e fazendo-o cair como uma bomba no inimigo... mas Schpariel nem se moveu, protegido por uma defesa Ether tão boa quanto a de Calamidade. E Citan, que já conhecia o tipo de ataque usado por Schpariel, usou seu Sazanami para recuperar a capacidade de armadura perdida por Brigandier durante o ataque elétrico. Weltall, enquanto isso, saltou sobre o Gear automático e o manteve ocupado com um Reppu, derrubando-o e conseguindo sua atenção; Schpariel usou novamente seu ataque pião, mas desta vez Weltall evitou o ataque com êxito, e Bart e Citan pensaram consigo mesmos que nem parecia coisa do mesmo Fei que se recusava a lutar. Aproveitando o erro do outro, Brigandier descarregou sobre ele seu Chicote em Cadeia e desviou a atenção do inimigo para si. Agora posicionado atrás do oponente, Weltall subiu sobre seus jatos e ativou seu golpe mais poderoso, Hazan, atingindo Schpariel de alto a baixo com chutes pesados. Derrubado e jogado longe por mais este golpe, o Gear automático liberou seu ataque contra o solo, lançando estilhaços contra os três adversários. Em meio ao ataque, Weltall começou a concentrar energia para lançar o Tiro Guiado e Fei ouviu a bronca de Bart. _ Você não viu agora a pouco, Fei? A defesa dessa coisa é incrível! Você não vai conseguir! _ Não, mas o doutor vai. Comigo, Bart! Foi então que Bart entendeu e, quando Weltall liberou seu Tiro Guiado, Brigandier fez o mesmo com o Disco Celestial. O inimigo nem se moveu, mas ficou parado escolhendo o alvo. Como Fei deduzira, o computador de combate de Schpariel só se concentrava em um alvo por vez. Tendo dois para escolher, o Gear automático ficou imóvel por tempo suficiente para que Heimdall o atingisse com um Kentsui onde já estava muito danificado, golpeando por fim o núcleo de força exposto, derrubando e explodindo Schpariel, enfim. Depois da batalha, Fei, Citan, Bart e Sigurd se reuniram diante de Weltall e o líder dos piratas continuava olhando para o hangar avariado, sempre de costas para Fei. _ Hã... O... Obrigado. - voltou-se então e sorriu ao repetir - Obrigado... Fei. _ Bart... Mas o líder dos piratas já se retirara sem olhar para trás, deixando para Sigurd o cumprimento completo. _ Obrigado Fei. Não sei como teríamos nos saído sem você. _ Eu... ainda não sei o que devo fazer. - replicou ele de cabeça baixa. _ Fei... _ O que Bart está fazendo não é para seu próprio ganho. - comentou Fei, olhando enquanto o amigo subia num elevador rumo à Yggdrasil - Ele anda no caminho em que acredita, um passo por vez... Tudo o que deseja é a felicidade daqueles que o cercam. Eu, por outro lado... Eu achei que não tivesse um caminho que poderia seguir diante de mim. Mas, como ele disse, isso é só ficar fugindo. Eu tenho que achar meu próprio caminho. - e olhou para Citan - Certo, doc? Citan sorriu e confirmou com a cabeça. Voltando-se para Sigurd, Fei disse, com voz firme: _ Se Bart quiser, eu vou cooperar com vocês, pessoal. É tudo o que eu posso fazer por enquanto. Mas acho que vou encontrar o caminho que deveria seguir enquanto ajudo pessoas como vocês. Mais ainda, não posso virar minhas costas e ignorar o que um grupo tão terrível de pessoas está fazendo aos outros. _ Obrigado Fei. Estava decidido. Diante da escotilha aberta da Yggdrasil, mais tarde, Fei, Citan e Bart conversavam com Maison, que disse: _ Precisamos nos infiltrar em Aveh e resgatar Margie, agora! Gebler já descobriu esta base. Então, devemos deixar uma pequena guarnição e evacuar enquanto ainda podemos. Felizmente, a Yggdrasil não foi danificada, então seremos capazes de embarcar imediatamente. Os preparativos da tripulação estão completos. Queiram me acompanhar até a ponte. E, Mestre Fei e Doutor Uzuki, eu agradeço aos dois do fundo de meu coração. Eu realmente apreciaria se fossem tão gentis a ponto de ficar conosco e nos auxiliar em nossa missão de resgate. _ Ô, já chega, já chega! - interrompeu Bart com impaciência - Deixe-me dizer adeus às mulheres antes de irmos! |
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